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Multicloud: qual é a chave para o gerenciamento proativo de custos?

A marcação de recursos pode ser útil, mas dificilmente é uma maneira eficaz de controlar os custos da nuvem. Veja como melhorar

Sebastian Stadil , InfoWorld/EUA

12/07/2018 às 20h48

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As empresas estão mudando em massa para o modelo multicloud. Por quê? Os principais impulsionadores, citados com maior freqüência pelos adotantes, são velocidade, agilidade, flexibilidade de plataforma e custos reduzidos - ou pelo menos custos mais previsíveis. É irônico, então, que mais da metade dessas empresas digam que os custos descontrolados da nuvem sejam o maior ponto de dor pós-migração. 

Como podemos manter o orçamento multicloud sob controle? Primeiro precisamos entender com o que estamos trabalhando. Quando os custos são acumulados por várias equipes, usando várias contas, envolvendo vários produtos em várias regiões geográficas, em várias plataformas de nuvem, obter uma ideia clara pode ser uma tarefa quase impossível. Por esse motivo, as equipes de infraestrutura e operações geralmente recorrem a soluções de gerenciamento de nuvem para obter melhor visibilidade dos custos.  

Marcação de recursos: uma resposta incompleta
Uma forma comum através das quais as equipes e as soluções de gerenciamento de custos tentam aumentar a visibilidade é através do uso de tags. A marcação é essencialmente o processo de atribuição de nomes à infraestrutura (servidores, bancos de dados, volumes de armazenamento, etc.) e, em alguns casos, aplicativos ou projetos. As tags podem incluir informações úteis, como região geográfica, departamento, ambiente, a finalidade do servidor ou até mesmo o nome da pessoa que provisionou o servidor. Por exemplo, eu poderia provisionar um banco de dados na região de  leste da AWS e marcá-lo desta forma:

evan-mysql-us-east-1

A marcação pode ser útil para aumentar a visibilidade de quais instâncias estão sendo executadas onde e como o orçamento está sendo alocado. As tags podem aumentar a obtenç~ ao de dados fornecidos pelos provedores de nuvem. Uma das razões mais citadas pelas quais as equipes de TI implementam a marcação é evitar custos descontrolados acumulados por meio de implementações de Shadow IT. As equipes criam práticas recomendadas e diretrizes para as tags, incluindo os dados de que precisam para acompanhar tudo o que está acontecendo no ambiente.

Mas há um problema inerente a essa abordagem: ela deixa de considerar a razão pela qual a TI começou tentar escapar da dependência da TI. A marcação só pode ser bem-sucedida se a TI puder ter certeza de que todas as tags estão corretas e seguir as diretrizes 100% do tempo. Com equipes que abrangem diferentes locais e recursos de várias plataformas de nuvem públicas e privadas, isso se torna improvável rapidamente.

Aqui está um caso em questão. Em três equipes diferentes, três bancos de dados quase idênticos na região leste provisionados na AWS podem seguir as diretrizes da TI, mas acabam com nomes muito diferentes:

evan-mysql-us-east-1
jose:database:east
rhdbva

 

Além disso, as tags vinculam intrinsecamente a infraestrutura e as políticas, e isso é um problema em grande escala. Nas empresas, ou em qualquer empresa que consome muita infraestrutura de nuvem, os recursos estão em constante mudança. As equipes se transformam, mudam ou combinam recursos ao longo do tempo. Duas equipes podem ter políticas de marcação diferentes e, quando se mesclam ou quando os recursos se movimentam, as convenções de marcação costumam ser quebradas. No primeiro exemplo de banco de dados, as tags podem ter esta aparência:

evan-mysql-us-east-1
evan:mysql:east:1
Evan-mysql-eats-1
evSQLeast

 

A TI central poderia resolver grande parte do problema simplesmente por possuir todos os provisionamentos e marcações, certificando-se de seguir as políticas. Mas isso atrasa tudo. E, novamente, é isso que geralmente causa o uso crescente de Shadow IT.

Agrupamento lógico: uma solução parcial  
A marcação nunca foi usada para algo tão importante e granular quanto o gerenciamento de custos. O monitoramento de custos por aplicativo ou servidor geralmente não faz muito sentido nos negócios. Em vez disso, as empresas podem considerar como agrupar logicamente aplicativos ou infraestrutura provisionada em "projetos" ou até mesmo em equipes. Em seguida, projetos e equipes poderiam receber orçamentos, tornando a alocação de custos e os relatórios muito mais simples, removendo a dependência de tags. O provisionamento de desenvolvedores na nuvem pode associar seus aplicativos aos projetos aos quais pertencem ou aos centros de custo aos quais se reportam.

Mas esta é apenas uma solução parcial para o problema. Mesmo que as equipes possam verificar a exatidão perfeita na marcação ou possam ser movidas para um modelo de custo baseado em projeto, a visibilidade dos custos da nuvem é apenas um primeiro passo; é uma abordagem reativa ao gerenciamento de custos e não resolve completamente o problema.

Considere que você percebeu que uma instância do EC2 estava excedendo seu orçamento. Você tinha tags perfeitas informando que José estava usando a instância para hospedar um banco de dados MySQL na região da Virgínia do Norte ou da Costa Leste.  O problema aqui é o que chamamos de visibilidade sem contexto: você não tem ideia de qual será a consequência de desligar essa máquina. Você terá que entrar em contato manualmente com José (supondo que você saiba quem é) para descobrir como proceder.

Além disso, é provável que você não tenha monitorado essa máquina continuamente e só tenha descoberto sobre o custo excedido no final de qualquer cronograma relatado por você (semana, mês, trimestre). Nesse ponto, você pode estar atrasado 30 ou 90 dias. Você poderia ser reativo sobre consertar a situação, mas esse dinheiro já foi gasto, e o melhor que você pode fazer é tentar ser mais diligente em relação ao monitoramento. Agora enxágüe e repita, e prepare-se para o próximo orçamento.

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Gerenciamento proativo de custos multicloud
Medidas proativas de controle de custos serão sempre mais eficazes no gerenciamento de orçamentos de nuvem. Infelizmente, existem poucas soluções que ajudarão as equipes a fazer isso agora. Eu diria que a melhor prática é definir políticas orçamentárias a nível do projeto e da equipe e aplicar essas políticas por meio de ferramentas automatizadas. Dessa forma, os aplicativos podem ser agrupados em projetos associados a orçamentos de equipe ou de unidades de negócio. A TI e o Financeiro podem definir controles de custos para unidades de negócios. Unidade de negócio ou equipes individuais podem definir orçamentos para projetos. Essas políticas podem servir de proteção, garantindo que os aplicativos e projetos não excedam o orçamento esperado, ao mesmo tempo em que deem às equipes liberdade para serem produtivas por meio de métodos como o autoatendimento automático.

Com essas práticas implementadas, mesmo no lado reativo, as equipes de TI e finanças terão maior percepção de onde vêm os custos. Els podem atribuir e reatribuir orçamentos com flexibilidade e podem se adaptar às mudanças sem perder o contexto. Além disso, você precisará usar um poderoso mecanismo de análise que possa analisar os aplicativos e as tendências de uso e fazer sugestões para as equipes melhorarem os custos antes da cobrançaPor exemplo, uma análise de custo pode recomendar o uso de instâncias reservadas, quando elas proporcionam economias significativas de custos e sugerem o dimensionamento correto da carga de trabalho, e sempre que as equipes puderem autorizar esse uso automaticamente ou aprovar manualmente.

Ao habilitar um sistema de controle de custos proativo e um mecanismo de análise de custos mais poderoso e contextual, você pode tornar o descontrole dos custos multicloud  algo do passado. 

Rapidez, agilidade, flexibilidade  e eficiência de custos - esse é o santo graal e o futuro multicloud.

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