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Mulheres sofrem mais com erros no local de trabalho, apontam pesquisas

Segundo estudos, um dos motivos pelos quais mulheres e minorias apresentam maior dificuldade para alcançar cargos de destaque é o sistema de punição

Redação

21/06/2019 às 10h31

Foto: Shutterstock

Apesar de qualquer pessoa estar sujeita a cometer erros, nem todas pagam o mesmo preço por eles. Pesquisas revelam que mulheres e outras minorias são punidas com maior rigor pelas mesmas falhas que os demais.

No setor financeiro, Mark Egan, da Harvard Business School, analisou as condutas adotadas quando profissionais cometem erros. A descoberta foi de que as consultoras financeiras são 20% mais propensas a serem demitidas em comparação aos homens. Além disso, as mulheres tem 30% menos chances de encontrar um novo emprego na área. Os resultados também mostraram que homens de minorias étnicas recebem punições mais severas que os outros.

De acordo com as informações, não são apenas profissionais comuns que passam por essas dificuldades. Um grupo de pesquisadores da Universidade do Alabama realizou um estudo sobre os CEOs demitidos entre os anos 2000 e 2014. Analisando as informações, os cientistas verificaram que CEOs do sexo feminino têm 45% mais chances de serem demitidas.

Para além do mercado financeiro, um pesquisador de Harvard avaliou o que acontece em casos de falhas médicas. Quando uma cirurgiã perde um paciente, há queda de 34% em possíveis encaminhamentos. No caso dos homens, quando um cirurgião passa pela mesma situação, não há declínio nas possibilidades de receber indicação de novos pacientes.

Na política não é diferente, com minorias pagando preços mais altos em situações adversas. Para confirmar suas suspeitas, Adam Berinsky, do MIT, convidou 500 pessoas para ler um artigo fictício sobre um candidato político envolvido em escândalos sexuais. Para metade dos voluntários foi informado que o político era Barack Obama, enquanto para os outros 250 foi dito que o candidato em questão era John Edwards (democrata branco). Como resultado, percebeu-se que, mesmo sendo exatamente o mesmo caso, os que leram o artigo acusando Obama apresentaram maior propensão de puni-lo. Ainda sobre escândalos sexuais, pesquisadores da Polônia verificaram que as mulheres são mais castigadas e menos perdoadas do que os homens.

Chegando na área da educação, crianças do sexo feminino e de outras minorias também são vítimas de maiores punições, que podem marcar para sempre as suas vidas.

Investigações de direitos civis dos Estados Unidos encontraram evidências de que estudantes que fazem parte de grupos de minorias recebem castigos mais severos, mesmo nas mesmas situações. Outra pesquisa mostrou que estudantes negros apresentam maior probabilidade de serem suspensos e encaminhados para as autoridades. Sobre o assunto, dois estudos mostraram que os norte-americanos enxergam meninas e meninos negros de cinco anos como menos inocentes e mais maduros do que crianças de outras origens étnicas. O resultado é, evidentemente, sua maior culpabilização.

É evidente que há diversos progressos sendo feitos nos últimos anos. Hoje, as bases das pirâmides corporativas já são bastante diversificadas, mas a presença de mulheres e minorias em cargos de liderança ainda é baixa. No Reino Unido, cerca de 48% de todos os advogados são mulheres, mas apenas 29% dos colaboradores de grandes escritórios são do sexo feminino.

Para os especialistas, um dos motivos pelos quais mulheres e minorias apresentam maior dificuldade para alcançar cargos de destaque é o sistema de punição. Quando falham, essas pessoas possuem ainda mais dificuldade de se recolocar no mercado de trabalho. Diante desses fatos, os analistas aconselham que as gerências, comitês e conselhos das empresas se mantenham atentos para que os colaboradores e as situações sejam julgados de forma mais justa.

 

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