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Momento é o de conduzir a Inteligência Artificial e não o de ser levado por ela

Pensem o que será combinar machine learning, deep learning e IoT, por exemplo...

Cezar Taurion *

22/03/2017 às 7h41

machine-learning.jpg
Foto:

Acompanho de perto a evolução da IA, mas a coletânea de
tantas aplicações publicadas no artigo “59
impressive things artificial intelligence can do today
” me deixou realmente
impressionado. A lista é bem ampla, e apresenta exemplos de Inteligência Artificial em funções como
reconhecer objetos em vídeos e fotos, reconhecer emoções em um rosto humano,
traduzir diferentes línguas, dirigir um veículo, pilotar um drone, detetar
sinais de câncer nos pulmões com mais eficiência que um médico,  detetar sinais de pragas nas colheitas,
detetar malware e inúmeras outras aplicações.

Vale a pena explorar os diversos
sistemas de IA descritos no artigo, em setores tão díspares como finanças,
jurídico, agricultura, programação de computadores, meteorologia, etc.

Para mim está claro que estamos diante de um ponto pivotal
na sociedade. A revolução digital está nos proporcionando uma avalanche de
mudanças tecnológicas com potencial para redesenhar a própria essência da
sociedade e claro, as empresas, seus modelos de negócio e as profissões. O
desafio é muito grande e temos que entender a dinâmica destas transformações
para não sermos levados por ela, mas sim, a conduzirmos.

O impacto da IA não pode e nem deve ser subestimado.
Recomendo um livro instigante, chamado “Technology vs. Humanity: The Coming
Clash Between Man and Machine”
, do futurista (e que se diz agorista, devido à
velocidade das mudanças) Gerd Leonhard. Também sugiro uma olhada nos seus
vídeos, curtos, mas instigantes].

Nós já observamos no dia a dia estas mudanças. Elas já estão
ocorrendo. Novos modelos de negócio em empresas que não existiriam se a tecnologia
digital não evoluísse tão significativamente, como Uber, Google, Facebook, Amazon,
Airbnb, WhatsApp e Instagram, entre tantas outras. Empresas de tecnologia que
alugam hospedagem sem ter um único quarto de hotel.

O que já vemos nos mostra que provavelmente a humanidade
mudará tanto nos próximos 20-30 anos como nos 300 anos anteriores. Vocês
conseguem imaginar o mundo em 1717? Alguém naquela época conseguiria imaginar
um automóvel? E ainda por cima sem motorista? A Internet? Um smartphone?
Qualquer menção a estas bruxarias seria alvo de inquisição. Sim em julho de
1717 ainda ocorria casos de inquisição no Rio de Janeiro.

Hoje a velocidade exponencial das mudanças nos permite até
pensar em substituir o termo ficção científica por antecipação científica ou
até mesmos fatos científicos.

Exmachina

Nosso arraigado hábito de extrapolar o futuro
baseado no presente ou passado recente, no pressuposto que o que vem funcionando
bem até agora, com algumas melhorias e ajustes, continuará funcionando no futuro
dificilmente se manterá. Temos pela frente uma nova realidade, provocada pelo
impacto de mudanças exponenciais e combinatórias das tecnologias digitais. O
futuro não será extensão do passado. É aqui que identificamos o ponto de
inflexão, onde as curvas de evolução exponencial de muitos campos da ciência e
tecnologia provocarão disrupções na sociedade. O potencial disruptivo da
evolução exponencial e combinatória é dramática: pensem o que será combinar
machine learning, deep learning e IoT, por exemplo.

A evolução exponencial é de difícil percepção, tanto no
início, quando se parece muito com a linear e passa desapercebida, e depois, quando
cresce vertiginosamente. No início, mesmo dobrando a períodos de tempo curtos,
como poucos meses, não sentimos seu efeito quando uma tecnologia é utilizada
apenas por 0,1% das pessoas, depois 0,2%, 0,4%... mas quando chega a 16%, no
próximo ciclo estará a 32%, no terceiro 64%, e no quarto praticamente já estará
totalmente disseminada.

Em uma era de exponencialidades, não é mais possível
mantermos nosso pensamento e nossa estratégia de negócios baseada na
linearidade. Se o fizermos, seremos levados a fracassos, simplessmente por não
conseguirmos visualizar as mudanças em tempo hábil.

A IA tem um papel primordial. Diante destas mudanças,
existem visões pessimistas e otimistas. O instigante e polêmico livro
Superintelligence: paths, dangers, strategies”, de Nick Bostrom, diretor do
Future of Humanity Institute, da Universidade de Oxford, no Reino Unido mostra
uma visão alarmista.  Surpreendentemente,
o livro, apesar do tema aparentemente ser inóspito, foi um dos best sellers do
New York Times.

Ele debate a possibilidade, real, do advento de máquinas com
superinteligência, e os benefícios e riscos associados. Ele pondera que os
cientistas consideram ter havido cinco eventos de extinções em massa na
história de nosso planeta, quando um grande número de espécimes desapareceu. O
fim dos dinossauros, por exemplo, foi um deles. Hoje estaríamos vivendo
uma sexta, causada pela atividade humana. Será que não
estaremos na lista de extinção?  Claro existem
razões exógenas como a chegada de um meteoro, mas ele se concentra em uma
possibilidade que parece saída de filme de ficção científica, como o
“Exterminador do Futuro”.

AIfilme

O livro é polêmico e parece meio
alarmista, mas suas suposições podem, sim, se tornar realidade. Alguns
cientistas se posicionam a favor deste alerta, como o físico Stephen Hawking,
que disse textualmente: “The development of full artificial intelligence could
spell the end of the human rac
e”. Também Elon Musk, que é o fundador e CEO da
Tesla Motors tuitou recentemente: “Worth reading Superintelligence by Bostrom.
We need to be super careful with AI. Potentially more dangerous than nukes
”.

Mas, pelo lado positivo, Bostrom aponta que a criação destas
máquinas pode acelerar exponencialmente o processo de descobertas científicas,
abrindo novas possibilidade para a vida humana. Uma questão em aberto é quando
tal capacidade de inteligência seria possível.

Pesquisa feita com
pesquisadores de IA, apontam que uma máquina superinteligente - Human Level
Machine Intelligence
(HLMI) – tem 10% de chance de aparecer por volta de 2020 e
50% em torno de 2050. Para 2100, a probabilidade é de 90%!  Sabemos hoje que uma pessoa com QI de 130
consegue ser muito melhor no aprendizado escolar que uma de 90. Mas, se a
máquina chegar a um QI de 7.500? Ou 25.000? Não temos a mínima ideia do que
poderia ser gerado por tal capacidade. Vale a pena aprofundar o assunto. Sugiro
ler um estudo chamado “Concrete
Problems in AI Safety
” e para quem quiser se aprofundar no tema sugiro
acessar “Benefits
& risks of Artificial Intelligence
”, que contém links para dezenas de
vídeos, artigos e estudos sobre o assunto.

Indiscutível que a IA vai afetar a sociedade e o emprego
como conhecemos. A automação, em seu início, afetou as linhas de produção nas
fábricas. Agora o risco de desemprego afeta funções que antes eram reservadas
aos humanos. Por exemplo, motorista de caminhão. É um dos trabalhos mais comuns
no mundo todo. São 3,5 milhões deles nos Estados Unidos e aqui no Brasil temos
mais de um milhão registrados para o transporte de carga. 

O governo holandês já realizou um teste
bem-sucedido de caminhões sem motorista cruzando a Europa. O Uber pagou US $
680 milhões para comprar Otto, uma startup que desenvolve tecnologia para
caminhões autônomos e que foi fundada por especialistas de IA do Google. A
consultoria McKinsey previu que dentro de oito anos, um terço de todos os
caminhões na estrada serão autônomos, rodando sem motoristas. Em talvez 15
anos, o motorista de caminhão, como o ascensorista, será um anacronismo. O Uber
investiu no Otto não apenas para operar caminhões, mas porque quer operar
frotas de carros autônomos. Em setembro de 2016, começou a testar essa frota em
Pittsburgh. O serviço postal do Canadá quer enviar aviões não tripulados em vez
de vans para entregar correio rural.

Os avanços na Inteligência Artificial e Robótica estão
impulsionando uma nova era automatização inteligente, que será um importante
motor de disrupção empresarial e social nos próximos anos. Afetará as empresas,
empregos, sociedade e a economia. Obrigará a revisão da atual formação
educacional, e demandará fortes ações por parte de governos e das empresas. É
essencial que as corporações de todos os setores de negócio compreendam seu
impacto potencial ou ficarão para trás. IA não é coisa de nerd ou de
cientistas, mas deve estar nas reuniões do board e do CEO.


(*) Cezar Taurion é
head de Digital Transformation da Kick Ventures  e autor de nove livros
sobre Transformação Digital, Inovação, Open Source, Cloud Computing e
Big Data

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