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Modelos de investimento em inovação corporativa ganham popularidade

Mas como melhor se beneficiar deles? CIOs também ganham a tarefa de investir em startups para posicionar suas empresas para o sucesso

Ben Bloch, CIO (EUA)

15/08/2019 às 9h06

Foto: Shutterstock

No atual mundo de startups voltadas para a tecnologia, mais CIOs têm participado de reuniões e campanhas de capital de risco. Para aqueles que não o fazem, há boas chances de sua atualização sobre os hábitos de consumo virem de empresas do Vale do Silício, como a Sequoia Capital, Benchmark e Andreessen Horowitz. Cada vez mais, os CIOs estão sendo encarregados de gerenciar a pesquisa e desenvolvimento tecnológico corporativo, a inovação e, talvez, até mesmo investir em startups ou novas tecnologias para posicionar sua empresa para o sucesso.

Ao investir em outras empresas ou adquirir uma participação em suas tecnologias, é preciso assumir o papel de investidor de risco. Isso significa entender como avaliar, negociar e desenvolver contratos de investimento apropriados. Além disso, é necessário que um CIO compreenda como supervisionar e gerenciar esse investimento até um retorno líquido ou até onde vale a pena considerar uma aquisição completa. Esse processo pode parecer uma oportunidade de crescimento divertida, mas também pode custar o emprego do profissional se for mal gerido.

Algumas gigantes, como a IBM e a Microsoft, implementaram programas internos ou grupos de investimentos subsidiários para gerenciar seus próprios investimentos em startups. Outras grandes marcas tomaram um caminho diferente, optando por fazer parcerias com empresas de capital de risco estabelecidas ou grupos de investimento para gerenciar o processo.

Por meio da parceria com essas organizações que já possuem funcionários e operações consistentes, o C-suite pode investir em startups e tecnologias inovadoras sem ter que contratar ou desenvolver sua própria equipe para avaliar e gerenciar os processos. As startups precisam dos fundos para desenvolver novas tecnologias e, através de seus investimentos, as corporações têm a oportunidade de adquirir uma vantagem competitiva e, em alguns casos, também um grande retorno financeiro. A seguir, alguns exemplos recentes de estruturas de inovação corporativa.

Capital de Risco como Serviço (VCaaS)

A Pegasus Tech Ventures introduziu recentemente o Venture Capital as a Service (VCaaS), por meio do qual são gerenciados fundos para corporações globais que esperam investir em startups. A Pegasus possui mais de US$ 1 bilhão em ativos administrados em seus fundos para mais de trinta corporações multinacionais, incluindo muitas marcas conhecidas, como a Asus e a Sega. Desde 2011, eles realizaram mais de 150 investimentos em todo o mundo. Fundada pelo CEO e sócio geral Anis Uzzaman, a Pegasus Tech Ventures está abrindo caminho para novos modelos inovadores em capital de risco.

A ideia por trás do VCaaS é criar situações benéficas financeiramente e estrategicamente para o parceiro corporativo e para a startup:

- Os custos operacionais e o tempo necessário para a empresa são significativamente menores do que se fosse para treinar e pagar sua própria equipe de investidores de capital de risco.

- Como a Pegasus é estruturada como uma empresa de capital de risco, ela tem acesso mais amplo e mais profundo às empresas iniciantes do que uma corporação focada, bem como uma rede já estabelecida.

- Os empreendedores iniciantes raramente estão interessados ​​em receber financiamento de apenas um investidor. Uma base mais ampla de capital oferece mais oportunidades de desenvolvimento de negócios, e encontrar essa base é mais provável de ocorrer dentro de uma empresa que se concentra em oportunidades estratégicas de investimento.

- As startups não precisam atender a um investidor corporativo que pode tentar mudar a estratégia para atender a necessidades específicas. A empresa de capital de risco pode atuar como um firewall. Dessa forma, um co-gestor de vários fundos é muito mais atraente do que um único investidor.

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Por meio desse modelo mutuamente benéfico, os investidores corporativos da Pegasus já demonstraram numerosos casos de sucesso de inovação corporativa por meio de uma estrutura de investimento e parceria, que aprimorou os produtos existentes ou criou novas fontes de receita para essas corporações.

Para incentivar ainda mais a colaboração corporativa com novas empresas promissoras em ecossistemas empresariais em todo o mundo, a Pegasus organiza competições regionais em mais de 30 países que culminam em um evento final em San Francisco, CA, chamado Startup World Cup e oferece ao vencedor um prêmio de US $ 1 milhão. É uma das maiores competições do mundo.

Redes de financiamento

O Projeto Vinetta é outra organização que incentiva as corporações a investirem e apoiarem startups. Devido à falta de representação feminina no mundo da tecnologia, a Vinetta optou por concentrar seus esforços no fechamento da lacuna de financiamento para mulheres. Segundo o site da Vinetta, empresas com fundadoras atuam 63% melhor do que equipes formadas inteiramente por homens. No entanto, apenas 2,2% dos dólares dos empreendimentos foram dedicados a empresas fundadas por mulheres.

Para inspirar a colaboração entre patrocinadores corporativos e startups lideradas por mulheres, a Vinetta oferece networking, eventos e competições programadas em todos os locais da América do Norte. Eles oferecem oportunidades para os empreendedores lançarem suas startups, participarem de oficinas e aulas e fazerem conexões comerciais valiosas. Recentemente, a companhia estabeleceu parceria com a Proctor and Gamble (P&G Ventures) para ajudar a encontrar e investir em startups com liderança feminina.

A teoria por trás de Vinetta é que, se as mulheres estiverem equipadas com financiamento, educação, orientação e liderança necessária para construir negócios, mais startups prosperarão.

De olho em startups

As duas organizações citadas ajudam corporações a gerenciar fundos e designá-las para startups inovadoras através de VCaaS e de uma rede de financiamento. Uma terceira opção é as corporações abrirem e formarem sua própria base para investir em tecnologias emergentes. A fabricante de eletrodomésticos de cozinha Bosch, por exemplo, lançou o BSH Startup Kitchen para investir em empresas que ajudarão a mantê-los na vanguarda da tecnologia em seu setor.

A empresa investiu recentemente na Chefling Inc., adquirindo um terço das ações da companhia. A BSH Home Appliances e a XVVC Capital Ltd. são os principais investidores. O aumento do capital da Chefling irá para o desenvolvimento de novas funções o seu aplicativo inteligente de cozinha baseado em IA e na Internet das Coisas (IoT). O ecossistema Home Connect da BSH atualmente possui uma base de mais de dois milhões de dispositivos conectados em todo o mundo. E por meio do investimento da BSH no Chiefling, o Home Connect System poderá desenvolver novas ofertas de serviços.

Como pode ser observado, existem claros benefícios para as estratégias de investimento de capital de risco. As startups estão expostas a financiamentos muito necessários, juntamente com o apoio e a credibilidade de uma empresa estabelecida. A corporação ganha acesso a inovação, criatividade e permite que grandes empresas mantenham sua posição como líderes do setor em um mercado cada vez mais competitivo. Por isso, é valioso para os CIOs entender esses modelos para expandir o alcance da empresa para o futuro e, ao mesmo tempo, investir em suas próprias oportunidades de liderança.

 

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