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Ministro admite que há ‘debilidade’ no transporte de dados estratégicos

Tarso Genro fez afirmação ao divulgar a conclusão do inquérito que investigou o roubo de computadores da Petrobras, apesar da polícia ter descartado espionagem industrial

Redação do COMPUTERWORLD*

03/03/2008 às 14h39

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O ministro da Justiça, Tarso Genro, reconheceu hoje (03/03) que há problemas no sistema de transporte de informações estratégicas no País. "Nós dissemos desde o começo, mesmo que seja um fato comum, isto é uma questão de Estado, porque demonstra uma debilidade no transporte de informações relevantes e sigilosas de uma empresa estratégica como a Petrobras", avaliou o ministro.

Tarso fez a declaração ao comentar a conclusão do inquérito da Polícia Federal (PF) que apurou o roubo de computadores da estatal com dados sigilosos sobre um campo de exploração de gás, descoberto recentemente. Apesar das afirmações do ministro, a PF constatou que houve crime comum e não de espionagem industrial.

O ministro se reuniu hoje com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Luiz Fernando Corrêa, e com o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, para avaliar os trabalhos de investigação do caso, uma vez que toda a apuração foi feita em conjunto entre PF e Abin.

"Essa debilidade vai ser avaliada agora, no interesse estratégico, pelos órgãos competentes. A Polícia Federal apurou que houve um roubo comum, apurou os autores e recuperou boa parte dos equipamentos", disse Corrêa, ao ser questionado sobre as providências que serão tomadas para superar os problemas apontados por Tarso Genro.

Corrêa também informou que, entre as conclusões do inquérito, está a constatação de que as informações sigilosas dos computadores não foram passadas adiante. "No inquérito, fica claro que [as informações] não foram repassadas a terceiros. Algumas, inclusive, foram destruídas, jogadas fora, até depois que deu essa visibilidade na mídia. Mas o interesse principal era do equipamento. Tanto que estavam naturalmente nas suas rotinas, com pessoas ligadas a eles próprios, esses equipamentos."

O ministro da Justiça também disse que a parceria entre a PF e a Abin deve continuar. "Este regime de colaboração daquelas questões que considerarmos questões de Estado vai continuar. E a visão com a qual vamos continuar trabalhando é que, sobre empresas estratégicas, sejam elas públicas ou privadas, que detiverem informações relevantes para o País, isso tem a ver com questões importantes para o Estado brasileiro e o nosso trabalho em conjunto vai facilitar muito a proteção dos interesses nacionais", ressaltou.

"As empresas estratégicas brasileiras têm que ser acompanhadas permanentemente e tudo o que pudermos fazer para ajudar e proteger essas empresas, nós, como governo brasileiro, temos a obrigação de fazer", reforçou o titular do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Jorge Armando Felix, que também participou do encontro.

* Com informações da Agência Brasil. 

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