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Mercado de Internet das Coisas deve dobrar no Brasil até o fim da década

Projeções da IDC são a de que a tecnologia ganhe impulso e movimento US$ 13 bilhões no país até 2020

Erivelto Tadeu

27/01/2017 às 8h50

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O mercado brasileiro de tecnologia da informação e
comunicações (TIC) deve crescer cerca de 2,5% neste ano, puxado pelo
segmento de TI, cuja expansão deve ser da ordem de 5,7%, de acordo com
estudo da IDC Brasil, divulgado nesta quinta-feira, 26. A consultoria
estima que o mercado de TI como um todo, considerando hardware, software
e serviços, somará cerca de US$ 25 bilhões no ano.


o mercado de telecomunicações deve permanecer praticamente estável, com
ligeiro crescimento de 0,4% no período, com aumento no consumo de dados
e redução nos serviços de voz. O mercado corporativo de telecom, o
chamado de B2B, seguirá em declínio, mas compensado pelo segmento
residencial. O número de conexões 4G, segundo a IDC, vai passar de 108
milhões, respondendo por 40% da base total.

A
IDC aponta o processo de transformação digital como o principal
impulsionador do crescimento do mercado de TI no ano. Pesquisa recente
da empresa da consultoria revelou que, no Brasil, pouco mais de 10% das
empresas já investem cerca de 5% de seu faturamento em tecnologias
inovadoras, tais como Internet das Coisas (IoT), blockchain, Analytics, Cognitive/AI e Realidade Aumentada/Realidade virtual (AR/VR).

Na
avaliação de Pietro Delai, gerente de consultoria e pesquisa de
infraestrutura e telecom da IDC Brasil, o segmento de IoT deve
finalmente ganhar impulso a partir do segundo semestre deste ano, com a
definição de uma política pública de incentivos pelo BNDES. A previsão,
segundo ele, é que o “ecossistema” de IoT no Brasil dobre de tamanho até
o final da década, superando US$ 13 bilhões.

Apesar de ainda devendo apresentar um ritmo lento de crescimento, a tecnologia de blockchain — um elemento importante de transformação digital —
deve registrar crescimento no número de projetos. “A adoção [da
tecnologia] ainda será gradual, uma vez que ainda há muitos desafios
regulatórios e de compliance no Brasil”, observa Delai.

Analytics em alta
Mais
animadora, a projeção para o mercado de software de Business Analytics
no Brasil é de um crescimento de 4,7% neste ano, movimentando US$ 848
milhões. A IDC avalia que a necessidade de tomar decisões de maneira
mais rápidas e assertivas levará as empresas a investir em ferramentas
analíticas.

Do mesmo modo, a tecnologia
de Cognitive/AI deve assumir uma posição importante nos processos de
relacionamento com o cliente e de tomada de decisão. Segundo Luciano
Ramos, gerente de pesquisa e consultoria de software e serviços da IDC
Brasil, a expectativa é que nos próximos três anos os investimentos
nessa tecnologia quintupliquem — embora a base ainda seja bastante pequena — para atendimento inteligente ao cliente, respostas automatizadas e chatbots.

A
mesma tendência deve ser verificada em relação a tecnologia de AV/VR
neste ano. A previsão é que o mercado brasileiro dobre em número de
unidades, ultrapassando a casa dos 100 mil produtos. Segundo Reinaldo
Sakis, gerente de pesquisa e consultoria de consumer devices da IDC
Brasil, estima-se que uma em cada dez das maiores empresas voltadas para
o consumidor experimentará AR/VR como parte de seus esforços de
marketing neste ano.

IoT

Segurança e cloud
Em
relação aos mercados mais tradicionais, as perspectivas são igualmente
promissoras. E como “tradicional” leia-se computação em nuvem, que neste
ano chega como mainstream. De acordo com a IDC, o mercado de cloud
pública deve crescer 20% neste ano, atingindo US$ 890 milhões no Brasil.
Apesar do cenário ainda recessivo, as empresas devem investir em cloud
devido as vantagens como redução de custos.

Na
migração das empresas para a nuvem, deve ganhar importância os cloud
brokers, provedores de data centers ou integradores que atuarão como “intermediários”
na venda de serviços de nuvem. Segundo Ramos, até 2018, 85% dos
ambientes serão multicloud, conjugando serviços de mais de uma nuvem
pública para atender as necessidades de negócios. “E os brokers vão se
tornar grandes intermediadores, ajudando as empresas na tomada de
decisões e no gerenciamento desses ambientes”, diz ele.

Após
a profusão de ataques sofridos pelas empresas em 2016, inclusive no
Brasil, cujo ano foi bastante conturbado, os investimentos em segurança
devem ser retomados e ampliados já neste primeiro semestre e ultrapassar
US$ 360 milhões até o fim do ano. As principais áreas de interesse dos
gestores de segurança para novos projetos são Gestão de Identidades
(IAM, na sigla em inglês), com 58% das intenções de investimento, e
correlação de eventos (SIEM), com 57% das intenções.

Smartphones ganham fôlego
Já o mercado de smartphones, que apresentou queda nas vendas em 2016, volta a ganhar impulso neste ano, com  previsão
de crescimento de 3,5% em unidades na comparação com o ano passado. A
IDC tem como premissa o fato de a troca média dos aparelhos ocorrer a
cada dois anos e de que pelo menos 37% da base instalada ativa ter sido
adquirida antes 2015.

Se a projeção estiver correta,
as vendas totais deve atingir cerca de US$ 15 bilhões, já que no ano
passado elas totalizaram cerca de US$ 11 bilhões no Brasil.

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