Home > Tendências

Líderes mostram porque os dados são o novo petróleo

Mercado se movimenta para torná-los valiosos na efervescência provocada pelo digital. Big data e tecnologias aliadas ganham destaque nesse cenário

Solange Calvo

04/06/2018 às 12h17

bigdata_572152720.jpg
Foto:

Dados
nunca foram tão valiosos e críticos para todos os tipos de negócio. Na
era digital, crescem freneticamente em volume, fortalecendo a cada dia
seu status altamente estratégico. Mas para que virem ouro precisam ser
de alta qualidade e essa transformação depende de data & Analytics e de aliados como Inteligência Artificial e Deep Learning.

A recomendação da consultoria global Gartner
é que os líderes de TI adotem big data e tecnologias disruptivas para
planejarem armazenamento e gerenciamento de mais dados porque a
tendência é que o volume não pare de crescer.

De acordo com
levantamento da consultoria, o investimento em big data em solo nacional
deve aumentar em 25% em 2018. E segundo a consultoria IDC Brasil, o mercado mundial de Big Data e Analitycs deverá movimentar US$ 41,5 bilhões no mesmo ano.

Quem percebeu nos dados um trunfo importante para o negócio foi Fábio Sayeg,
CEO da Zoly, especializada em data business e marketing services. O
insight aconteceu em 2015, em um evento nos Estados Unidos, com foco em
como a indústria estava usando seus dados, de clientes e de parceiros,
em suas estratégias, ele diz.

Não demorou para que no mesmo ano,
quando ainda era uma agência de Marketing Digital, a WROI, a empresa
adquirisse a consultoria Lúcida para ganhar competência com
profissionais qualificados na área de dados. “Incorporamos o time de 30
professores e também físicos, estatísticos e matemáticos, responsáveis
pelo tratamento de dados e seu gerenciamento”, lembra o executivo.

Então
a WROI e a Lúcida se fundiram e deram origem à atual Zoly, uma
companhia com mais processos e foco em dados. Mas esse avanço foi além
em 2017 com a aquisição da GPMídia. “Assim nos tornamos uma consultoria
com competências em Data Business e Marketing Services, que associa
análise avançada de dados, performance, criação, CRM e UX para ajudar
clientes na Transformação Digital, estruturação de negócios e incremento
de resultados”, realata.

Na
esteira da evolução do mercado, a Zoly criou a área Digital Analytics,
um braço estratégico de Transformação Digital, que trabalha com dados
orientados aos objetivos de negócio. É responsável pela análise e
gerenciamento de todos os pontos de contato com o consumidor, que são os
variados canais que incluem redes sociais, telefone, lojas físicas, no
modelo omnichannel, com o objetivo de entender e organizar as
informações.

A área, segundo Sayeg, também cuida do entendimento
do negócio e traça estratégias para processos mais eficientes,
verificando o que é de fato importante. “Tudo é oferecido como
consultoria, mapeando necessidades e fomentando a modernização da
cultura da organização para o digital.”

E acrescenta: “Um dos
grandes pontos do nosso trabalho é recuperar o lado estratégico do Marketing nas empresas, muitos tinham parado de olhar para a estratégia
do negócio. Isso foi possível com a visibilidade proporcionada pelo
tratamento dos dados. Eliminando a teoria do ‘achismo’, o trabalho passa
a ser realizado com base em informações assertivas”.

Estatísticos
e matemáticos da empresa fazem inúmeras análises como saturação e
mídia, com base em históricos de campanhas em alguns veículos, por
exemplo, prossegue o executivo, reunindo sentimentos e percepções para
ter visão assertiva, com o objetivo de trazer mais resultados.

A
visibilidade de todo o cenário, com indicadores, agiliza a tomada de
decisão e gera certamente mais eficiência às campanhas e também
proporciona o valor agregado do aprendizado, pois possibilita visualizar
os erros mais rapidamente e assim não repeti-los e corrigi-los. Tudo
isso por meio de análise matemática e conhecimento dos dados.

Muito além de call center
No
cenário digital, o contact center ganha brilho estratégico,
considerando ser uma central de relacionamento com o cliente mais
abrangente, por meio de variados canais como e-mail, chat, redes
sociais, SMS, entre outros – uma espécie de hub do modelo omnichannel,
uma das vedetes da nova era.

“Certamente, não haverá mais lugar
para call center, em um mundo hiperconectado que precisa unificar dados
provenientes de variadas frentes de interação empresa-cliente”, diz Gabriel Camargo,
CEO da Deep Center, fornecedora de big data e Inteligência Artificial
(IA) para contact centers, que cresceu 400% em faturamento nos últimos
três trimestres de 2017.

Camargo
ressalta que as empresas tiveram de criar mecanismos para atender aos
clientes em todos os canais, mas não tinham uma visão única. E então,
ele diz, perceberam o quanto era importante manter esses dados
associados.

“A Deep Center é justamente uma fábrica de dados,
capaz de unificá-los, incluindo os não estruturados. E começa pelo seu
tratamento para qualificá-los. Assim, é possível saber qual é o canal de
maior preferência do cliente, traçar o seu perfil, classificá-lo por
região, verificar o melhor horário para a comunicação com ele e a melhor
forma de contato, de maneira eficaz. Fazemos um verdadeiro retrato do
cliente, um diagnóstico”, explica.

A extração do ouro na montanha
de dados tem como protagonista uma plataforma de visualização,
desenvolvida pela empresa, a Discovery. Camargo diz que ela explora e
analisa dados, unindo Big Data com ahabilidades do segmento de contact center
e cobrança para realizar gestão da informação e apoiar tomadas de
decisões.

“Nossa solução pode integrar-se ao ERP da empresa e ao
CRM, ficando mais abrangente e permitindo integração de dados em toda a
organização. Os resultados são imediatos e a otimização do tempo é
significativa, a partir da eliminação de chamadas com falhas e do tempo
ocioso do contact center”, garante.

Hoje, a empresa possui 60
contact centers conectados à Discovery, agilizando as tomadas de decisão
nos clientes com o principal objetivo de romper com a forma tradicional
e evoluindo para a nova era. O maior impacto que proporciona, segundo
Camargo, é a tomada de decisão em real time, em razão da visibilidade da
análise dos dados que proporciona.

“Nossa plataforma está
conquistando cada vez mais clientes que desejam trabalhar no modelo
omnichannel. E nosso primeiro passo é o Raio X do negócio. Eliminamos
processos manuais para extração de dados, agilizando as tomadas de
decisão em tempo real.”

bigdata

A ebulição de dados, em evolução
Para Rafael Albuquerque,
CEO da UnitFour, empresa atuante no mercado de dados, big data ainda
precisa evoluir muito. Segundo ele, alguns segmentos continuam operando
de forma antiga e ainda enfrentam a falta de profissionais qualificados,
como estatísticos, matemáticos e desenvolvedores.

Na
avaliação de Albuquerque, bancos que nasceram no berço digital, por
exemplo, trabalham melhor o big data e também construtoras e montadoras
de veículos. Ele cita como exemplo uma empresa da indústria automotiva,
que possui mais de 200 robôs para a captura de dados. De posse do
histórico de veículos de uma pessoa, é possível verificar que ele está
vendendo o seu carro em um site. “Essa informação revela o momento desse
potencial cliente para a compra de um novo carro. É uma probabilidade
altamente valiosa para montadoras e seguradoras, não?”, questiona.

Por
isso, segundo ele, a qualificação dos dados é muito importante porque
gera lucro inevitável em todos os sentidos, tornando as campanhas de
marketing mais assertivas ao identificar o momento propício para a venda
e sua consequente efetivação, aumentando as chances de sucesso. “As
campanhas com a tecnologia, em média, aumentam a efetivação entre 30% e
40%, por meio do mapeamento do público”, garante.

Na avaliação do
executivo, empresas que trabalham no mercado de cobrança, por exemplo,
informações estratégicas como essas são valiosas para aumentar a taxa de
recuperação de crédito, obtidas por meio de recursos de Machine Learning.

Para proporcionar essas vantagens competitivas por meio
da qualificação de dados e visibilidade, a empresa conta com um time de
profissionais composto também por estatísticos e matemáticos, que
realizam uma parte muito importante do big data: a captura de dados.

“Eles
extraem o ouro da massa de dados, separam o joio do trigo. E o ponto
crítico hoje ainda é a cultura nessa qualificação de dados e temos de
caminhar muito nesse sentido. Estamos nessa jornada de excelência”,
garante Albuquerque e alerta: “Quando se trabalha de maneira inteligente
com os dados, os tornando qualificados, é possível revolucionar o
modelo de negócio, e o retorno do investimento acontece muito rápido”.

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail