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Lições de engajamento e união da TI com os negócios

Liderança inclusiva inspira Renata Marques, CIO da Whirlpool, que detalha estratégia para a sintonia perfeita entre áreas

Guilherme Borini

24/01/2019 às 11h42

Foto: Divulgação

Feedback é um ato de amor. A definição de Renata Marques, CIO da Whirlpool para América Latina, resume claramente o tipo de liderança que ela tenta levar para o dia a dia. "Feedback é algo constante e tem de ser feito o tempo todo. Assim que acaba alguma reunião, já dou feedback para quem apresentou e para quem participou", contou a executiva à CIO Brasil.

Mais do que comentários sobre o desempenho dos funcionários em ações do cotidiano, Renata procura agendar sessões semanais individuais para escutar e ajudar da melhor forma possível no desenvolvimento dos profissionais da equipe. "Procuro desenvolver a escuta para entender o que está acontecendo e como gestora posso ajudar. O feedback contínuo desenvolve a confiança do time e essa confiança acaba acelerando muita coisa."

A preocupação com acompanhamento e feedback faz parte do que Renata classifica como "liderança inclusiva", com a missão principal de cuidar de pessoas. "Sempre incluindo ideias do meu time e das áreas de negócios. Se vou entrevistar alguém para meu time, peço também para alguém de negócio participar. É importante que a área cliente esteja presente e valorize", destacou.

Ela lembrou um caso recente da sua atuação participativa. Foi durante uma turbulência com o sistema de gestão da empresa, que ficou fora do ar durante uma madrugada e atrasou um projeto. "De duas em duas horas eu acordava, olhava o grupo no celular e perguntava se eles precisavam de algo. É fazer perguntas e oferecer ajuda ao time."

CIO do futuro

O perfil participativo e inclusivo que Renata coloca em prática no dia a dia vai ao encontro do que ela pensa ser o papel do CIO do futuro - ou do presente. E ela tem autoridade para falar a respeito. São praticamente 30 anos de carreira em Tecnologia da Informação (TI), setor que ingressou por incentivo do seu pai, que trabalhava na área financeira e acreditava em um futuro promissor em informática. Ele incentivou Renata e sua irmã do meio a fazerem um curso de programação básico, que foi o início da trajetória da executiva. Foram 23 anos na área de TI da Monsanto e, desde 2013, Renata lidera a TI da Whirlpool na América Latina.

"O CIO do futuro tem de ser uma pessoa integradora. Muito mais do que um mentor, mas uma pessoa que vai conectar as áreas. Precisa entender muito de negócios e conectar o que a tecnologia pode habilitar. Mas sem arrogância", disse a executiva, que ressalta que as áreas de negócios têm trazido importantes ideias e a TI deve evitar o papel de certa forma arrogante e considerar os insights.

Além disso, para Renata, o papel do CIO tem de envolver criatividade e mentalidade de sistemas multidisciplinares. "Nada monolítico, tudo mais diversificado. É preciso ter a mentalidade de inovação para testar e experimentar novas soluções." Por isso, ela defende a "cultura do erro" na companhia, como forma de aprendizado. "Tem de permitir que a equipe erre", afirma.

Mas tudo isso sem deixar de lado o conhecimento técnico. "É preciso ter o aprendizado contínuo para buscar novas soluções o tempo todo. Tem de estar sempre buscando coisas novas e não estar satisfeito para continuar evoluindo", defende.

Para se manter atualizada em meio ao turbilhão de informações do mundo digital, Renata conta que procura participar de grupos de discussão e eventos. "Além disso, procuro consultoria do Gartner e viagens. No ano passado, por exemplo, fui para o Vale do Silício (Califórnia, EUA) em um Leadership Forum para visitar empresas. Não é reinventar a roda, mas aprender com o outro. Fazer benchmark e atualizar o time", comenta.

Ela diz também que, seguindo a linha de inclusão, incentiva sua equipe e participar de eventos. Um exemplo é uma parte do time que foi recentemente para Israel para conhecer novas tecnologias. "Não tem limites de território. Às vezes não tem aqui no Brasil, então vamos para outro lugar buscar."

Na prática

Renata chegou à Whirlpool com a missão de colocar a casa em ordem para promover a transformação digital e modernizar os processos da companhia. Ela conta que, atualmente, a equipe de TI está integrada às outras áreas de negócios para definição dos projetos e ações.

"Criamos recentemente uma área de arquitetura, com um backbone para termos mais agilidade em eventuais integrações", explicou. Ainda, a executiva tem apostado em metodologias ágeis para acelerar o desenvolvimento de projetos. "Não chegamos a fazer squads, mas já usamos uma estrutura híbrida de squad com base nos projetos para trabalharmos de forma multifuncional", detalhou.

Outro foco é o desenvolvimento da chamada cultura de dados, com aplicações de Analytics. "Criamos uma área que cuida não só de BI e dados, mas também da camada analítica com cientistas de dados para termos insights. Estamos trabalhando de forma mais preditiva", comentou a executiva, destacando o tripé arquitetura, metodologia e analytics como base da "nova TI" da Whirlpool.

O que vem pela frente

Para este ano, Renata espera muitos projetos de digitalização na parte de serviços ao consumidor, seguindo a missão de digitalizar cada vez mais processos para entregar experiências diferenciadas.

Uma das iniciativas é a criação de um marketplace para o e-commerce Whirlpool. Ela explica que a empresa já conta com estrutura de comércio eletrônico, mas com uma atuação como revendedor em outros marketplaces. Agora a ideia é criar um dentro de casa.

Outro foco é fortalecer a parte de Analytics. "Estamos ainda em baby steps. A intenção é usar Advanced Analytics e inteligência artificial para poder tomar decisões. E aí envolve diversas áreas, como qualidade de produto, consumidor, distribuição e precificação", concluiu.

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