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Investir nas pessoas aumenta a competitividade das empresas

Uma vez percebida a importância de se investir na qualificação dos colaboradores, o desafio é ir além da educação corporativa tradicional

Marina Brandão *

11/05/2018 às 6h59

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A
qualificação profissional e o investimento no capital humano têm
surgido como uma das principais tendências dentro do mercado nacional.
Despois de muito tempo sendo subvalorizado, esse investimento começa a
ganhar mais atenção uma vez que, conhecimento, habilidade e atitude são
os fatores de maior competitividade em um bom profissional. O
departamento de Recursos Humanos acaba sendo o principal responsável por
gerenciar esses investimentos e, do outro lado da mesa, o colaborador,
também tem sua parcela de responsabilidade em solicitar, aproveitar as
oportunidades e aplicar os conhecimentos adquiridos nas atividades do
dia a dia.

Uma pesquisa inédita realizada pela
Deloitte, com 126 empresas, retrata o cenário da educação corporativa
no Brasil e mostra o quanto o setor tem ganhado maturidade nos últimos
anos. De acordo com o estudo, 28% das empresas pesquisadas já
possuem universidade corporativa. Das 72% que não possuem, mais de um
quarto delas (28%) demonstra interesse em criar a estrutura. Ainda
observando os dados coletados, entre as empresas que investem em educação corporativa, a média de investimento é de 0,47% do faturamento anual.

O
fato é que aplicar recursos na educação corporativa aumenta a
qualificação profissional, prepara os colaboradores para o próximo passo
de suas carreiras e ainda auxilia em um dos maiores desafios das
empresas, a retenção de talentos. Apesar de parecer uma via de mão
única, onde apenas a empresa é responsável pelo aprimoramento dos
colaboradores, o profissional também tem sua parcela de responsabilidade
em se manter atualizado e buscar novos conhecimentos e competências
fora dos muros da organização.

Para
identificar de quem é a vez de investir, é importante entendermos o
papel de cada lado dessa equação. Cabe ao profissional desenhar os
objetivos de sua careira e o que pretende conquistar em sua vida
profissional. É papel da empresa oferecer oportunidades, dar feedback
sobre as competências a serem desenvolvidas e incentivar o profissional a
buscar essa melhoria. Quando o conhecimento é indispensável para a
necessidade interna, o RH tem como missão fornecer essas ferramentas,
mas quando é uma necessidade específica para a carreira de cada
colaborador, fica à cargo do profissional buscar esse recurso no
ambiente externo.

Para
as empresas, as principais vantagens de se investir em educação
corporativa são a maior competitividade no mercado, o ganho em
produtividade individual e coletiva, maior atração e retenção de
talentos, imagem e reputação para a marca, ganho na melhoria de
processos, mais inovação, além de muito mais criatividade dentro das
equipes.

Uma
coisa que acho importante ressaltar é que quando observamos o resultado
do investimento em treinamentos, precisamos estar cientes da curva de
aprendizagem. Em um primeiro momento, poderá haver uma queda nos
resultados, mas a tendência é que a curva cresça trazendo mais
benefícios para a empresa. É claro que todo investimento que não for
mensurado não vai se provar eficiente. Apesar de ser quase intangível
medir o conhecimento adquirido por uma pessoa, prestar atenção em
indicadores que comprovem o aumento da produtividade individual e
coletiva, uma menor incidência de erros e um maior cumprimento de prazos
são formas de identificar se a escolha valeu ou não a pena.

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Uma
vez percebida a importância de se investir na qualificação dos
colaboradores, o desafio é ir além da educação corporativa
tradicional. O que é relevante para cada organização muda de acordo com
sua atuação e mercado, mas, em um mundo onde as mudanças e quebras de
paradigmas acontecem quase que diariamente, apostar investimentos em
fatores que estejam ligados à cultura organizacional e ao novo contexto
de mundo, são aposta mais certeiras e confiáveis. 

Por fim, na minha opinião, é muito importante que as empresas incentivem
a troca de conhecimentos dentro do ambiente corporativo. Dar a
oportunidade de determinados profissionais propagarem a outros colegas
de seus times ou de outras equipes, o que aprendeu em um treinamento,
pós-graduação ou curso de extensão é uma contrapartida muito
interessante para reciclar constantemente os times, além de fazer com
que o próprio profissional que recebeu o benefício possa colocar todo
esse aprendizado em prática. Como diria a poetisa brasileira, Cora
Coralina, “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que
ensina”.

 

(*) Marina Brandão é headhunter da Yoctoo

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