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Interrupções passadas no supply chain oferecem lições para a crise da Covid-19

Para Fórum Econômico Mundial, soluções aprendidas incluem compartilhamento de dados e redes confiáveis

Da Redação

30/03/2020 às 8h00

Foto: Shutterstock

Governos em todo o mundo lutam para gerar respostas comerciais à crise gerada pela pandemia. Uma das primeiras respostas para diminuir a propagação da doença e manter o controle foi o fechamento de diferentes atividades, limitando assim a circulação dos trabalhadores. Essas medidas interferem, consequentemente, na circulação de funcionários essenciais e impedem que cadeias críticas de suprimentos, como a cadeia de suprimentos médicos, funcionem efetivamente. Para o Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum), interrupções da cadeia que aconteceram no passado, como terremotos e tsunamis, trouxeram lições importantes para a atual crise.

Uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial de 2012, feita com profissionais da cadeia de suprimentos, classificou as interrupções com maior probabilidade de provocar efeitos significativos e sistêmicos nas redes de supply chain. A lista incluía pandemias, desastres naturais, condições climáticas extremas, conflitos, choques de demanda, avarias nas TIC e restrições de exportação/importação. Além de outros eventos que fogem do controle do homem e da economia.

Adaptações

O artigo ressalta as implementações de contingência, em mais de 50 países, que restringem a exportação de certos suprimentos médicos. Além disso, com a restrição de voos e transportes públicos, com a diminuição de viagens e o fechamento de hotéis, consequentemente, trabalhadores da cadeia de suprimentos, como cientistas, engenheiros e pilotos de carga, ficaram impedidos de operar com eficiência.

A organização diz que, no curto prazo, as empresas precisarão se adaptar. “As empresas também precisam de flexibilidade para adaptar a produção à fabricação de bens críticos; o financiamento da cadeia de suprimentos para manter os fornecedores trabalhando e a adaptabilidade legal para lidar com problemas práticos, como aceitar assinaturas digitais para minimizar o contato humano”. O artigo enfatiza que as “mercadorias críticas não devem ficar paradas por dias esperando para passar pela alfândega”.

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Já a longo prazo, a organização afirma que é necessário dar “visibilidade dos dados da cadeia de suprimentos e a capacidade de fornecer serviços digitalmente além-fronteiras, seja para a saúde ou educação”.

Segundo a organização, a crise traz à luz riscos inerentes às estruturas atuais da cadeia de suprimentos, testadas por regiões inteiras que já enfrentaram abalos como o grande terremoto e tsunami no leste do Japão, as inundações na Tailândia, o surto de vegetais infectados por e-coli etc. Entretanto, eventos que rompem com a cadeia são difíceis de prever e por vezes fora do controle. “A robustez das redes é fundamental para garantir que a demanda possa ser atendida com a oferta, mesmo em momentos extraordinários”.

A covid-19 e as respostas relacionadas estão provocando um choque extraordinário na economia global, tanto do lado da oferta quanto da demanda. A experiência do passado, aponta a organização, ressalta um elemento crítico à estrutura da cadeia de suprimentos: a informação. A mesma pesquisa mostrou que quatro das cinco principais vulnerabilidades da cadeia de suprimentos global estão relacionadas à visibilidade em longas redes de suprimentos.

Para a organização, o setor progrediu a partir da diminuição da fragilidade exposta em eventos anteriores. A partir dessa experiência, o Fórum Econômico Mundial apresenta cinco estratégias prioritárias designadas pelos gerentes de risco para melhorarem ainda mais: quantificação de riscos, planejamento de cenários, compartilhamento de dados, redes confiáveis e entrada de várias partes interessadas na legislação. E lembra, ainda, cinco recomendações de choques anteriores do supply chain que podem auxiliar na crise atual ou em futuras interrupções:

  • Melhorar a compatibilidade internacional e interagências dos padrões e programas de resiliência;
  • Garantir que os riscos da cadeia de suprimentos e transporte sejam avaliados como parte dos processos de compras, gerenciamento e governança;
  • Desenvolva redes confiáveis, compostas por fornecedores, clientes, concorrentes e funcionários do governo, focados no gerenciamento de riscos;
  • Melhore a visibilidade dos riscos da rede por meio do compartilhamento de informações e do desenvolvimento de ferramentas padronizadas de avaliação e quantificação de riscos;
  • Melhore a comunicação de riscos antes e depois das interrupções para criar uma discussão mais equilibrada dos setores público e privado.

Com a crise atingindo o mundo inteiro, a organização ressalta a importância do segmento ser resiliente e sem fronteiras, sobretudo devido à dependência de países em desenvolvimento de suprimentos e equipamentos médicos de países mais desenvolvidos.

“Como a demanda e o suprimento de equipamentos médicos são mais incompatíveis nos países em desenvolvimento, eles sofrerão o impacto das quebras da cadeia de suprimentos. Precisamos evitar agravar isso por meio de restrições comerciais ou de investimento. Comunicações e flexibilidade são necessárias a curto prazo para resposta a crises”.

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