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Internet das Coisas: Prepare-se para uma onda de novas oportunidades

Há diversas áreas em que a IoT será disruptiva para as empresas. Pense em como catapultar negócios atuais, encontrar sinergias e complementaridade com o que já dá certo, ou viabilizar modelos até então inviáveis

Flávio Stecca *

20/04/2018 às 8h18

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Foto:

Quando
o Google comprou a empresa de termostatos conectados à internet Nest
por US$ 3.2 bilhões e a Amazon lançou a caixa de som inteligente Echo,
em 2014, o mundo passou a conhecer uma expressão até então restrita aos
laboratórios do Vale do Silício: a 'Internet das Coisas'. Era uma forma
de designar toda uma geração de dispositivos ligados à Internet, de uma
geladeira que avisa quando falta leite ao chaveiro que emite sinais de
localização para ajudar seu 'dono' que perdeu as chaves. Apesar da IoT comercial ter nascido com foco nos aparelhos de uso
doméstico, essa revolução já derrubou as paredes das casas inteligentes e
está se espalhando rapidamente por todas as áreas de negócios.

Trazendo para a perspectiva atual, basta ver a
rápida evolução conceitual e tecnológica do próprio Amazon Echo: se em
sua primeira versão o dispositivo respondia a simples comandos de voz
por meio de sua assistente pessoal, a simpática Alexa. Hoje, com a ajuda
de algoritmos de inteligência artificial, o aparelho executa tarefas de
complexidade bem maior. Quer comprar um ingresso para o show da sua
banda favorita? A Alexa pode fazer isso antes mesmo de você verbalizar o
desejo, ao saber que a sua banda favorita tocará na sua cidade. Vai
receber um casal de amigos para um jantar? A Alexa pode se conectar ao
serviço de delivery do seu restaurante favorito e fazer o pedido.

Se
as possibilidades de novos serviços e produtos que surgem com a
sofisticação da Alexa já são impressionantes, imagine quando essa
tecnologia atingir todo o resto da economia, presente em muito mais
objetos e equipamentos conectados à internet. Basta imaginar que hoje,
de acordo com a Internet World Stats, temos 3,8 bilhões de pessoas
conectadas à internet, cerca de 51% da população mundial. O número de
aparelhos conectados crescerá bem mais rápido e em progressão
geométrica: a previsão é que em 2020 tenhamos mais de 20 bilhões desses
objetos conectados. E com a tecnologia conhecida como 'Machine Learning', essas coisas estarão 'pensando' suas próprias ideias,
baseando seu aprendizado em análises de dados e no comportamento de seus
usuários.

As
empresas que levarão vantagem sobre a concorrência serão aquelas que
conseguirem não apenas reunir todos esses dados coletados por suas
máquinas inteligentes, mas analisá-los e processá-los para oferecer
serviços que melhorem a vida de seus usuários. Dados coletados e
analisados sob um o contexto correto podem fornecer possibilidades
surpreendentes. Além de casas inteligentes, já temos lojas inteligentes,
estoques inteligentes, linhas de montagem inteligentes, supply chains
inteligentes. É por isso que temos que estar preparados: produtos mais
inteligentes, segmentados, customizados tornam consumidores mais
exigentes com o anseio de atendimento eficiente e personalizado.


diversas áreas em que a IoT será disruptiva para as empresas. Vai
melhorar o processo de tomada de decisões, que passará a ser mais
baseada em dados objetivos 'colhidos' pelos próprios produtos, desde a
sua elaboração na linha de montagem até à forma com que seus
consumidores os utilizam. Isso terá impacto direto também na melhoria da
gestão das empresas, reduzindo custos operacionais e otimizando os
gastos.

E quais empresas vão conseguir fazer isso bem e surfar essa onda de oportunidades?

Na
Movile, nos esforçamos muito para enxergar as disrupções causadas pela
tecnologia como oportunidade de crescimento e aprendizagem. Porém, não é
somente com uma visão de futuro que se cria uma empresa inovadora.
Fomentamos a cultura de errar e aprender rápido, por isso trabalhamos
desenvolvendo centenas de pilotos sempre com propósito de fazer a vida
de um bilhão de pessoas melhor. Acreditamos que se aprendermos um pouco
sobre nossos usuários em cada piloto e trabalharmos duro para
resolvermos os problemas e corrigirmos os erros, vamos construir algo
que agrega valor na vida das pessoas.

Um exemplo disso é o recém-lançado
assistente de voz da PlayKids para o Google Home e dispositivos
Android. A nossa ideia ao lançar essa feature é oferecer mais uma
possibilidade de interação para as crianças. Hoje, a PlayKids é uma
plataforma educativa na qual elas interagem com jogos, músicas, vídeos,
livros seja pelo tablet ou smart tv's. Com o assistente de voz do
Google, agora elas passam a interagir com a música em um outro formato
ainda mais intuitivo.

Além da PlayKids, outro serviço é o Rapiddo Click, desenvolvido pela Rapiddo Entregas:
por meio de um botão, é possível convocar motoboys cadastrados com uma
economia de até 98% do tempo. A novidade tem como foco os restaurantes e serviços de delivery com grande demanda, mas o maior beneficiário será mesmo o cliente final, que receberá sua entrega com mais rapidez. O iFood
também apresentou uma solução semelhante para facilitar a vida dos seus
usuários: já é possível pedir o delivery do seu prato favorito
apertando apenas um simples botão.

IoT

Na minha opinião, uma das maiores oportunidades está em pensar em como
catapultar negócios atuais, como encontrar sinergias e complementaridade
com o que já dá certo hoje, ou como viabilizar modelos até então
inviáveis anteriormente por limitações tecnológicas.

A
IoT evoluirá de maneira tão surpreendente que assistiremos a uma
revolução dentro da revolução. As coisas não apenas poderão trocar
informações entre si, mas realizar transações entre elas. Como isso vai
mudar a criação de novos produtos? E a legislação? E a publicidade?
Teremos que criar campanhas de marketing específicas para máquinas?
Veremos objetos comprando outros objetos, criando uma economia paralela
totalmente nova?

As possibilidades que a Internet das Coisas abre são gigantescas e animadoras! Aqui no Brasil, o
estudo contratado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES), para embasar o Plano Nacional da Internet das Coisas,
estima que essas tecnologias poderão gerar entre U$ 50 e U$ 200 bilhões
por ano
, até 2025.

Depois
de derrubar as paredes das casas inteligentes, prepare-se para a
Internet das Coisas bater à porta da sua empresa. Pode ser um mensageiro
com uma notícia ruim, ou uma oportunidade pela qual você esperou a vida
toda.

 

 

(*) Flávio
Stecca é  CTO da Movile

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