Home > Tendências

Internet das Coisas: foco agora é na padronização

Só assim a capacidade de criação humana será capaz de engendrar uma nova tecnologia que trará profundas transformações no estilo de vida das pessoas e na maneira de se relacionar com a internet e a própria existência

Dane Avanzi *

30/08/2017 às 7h32

IoT_701864317.jpg
Foto:

A Internet das Coisas, nome dado a futura geração de eletroeletrônicos,
veículos automotores e qualquer outro tipo de dispositivo capaz de se
comunicar via TCP/IP, compartilhando informações e interagindo com
outros dispositivos, é literalmente a "bola da vez" no planejamento
estratégico de grandes e pequenas empresas em todo o mundo.

O
Google, por exemplo, que já tem investido pesado há anos no projeto do
automóvel sem condutor guiado por GPS, comprou recentemente a Nest
empresa de termostato por US$ 3,2 bilhões. Dentre outras inovações e
interações a próxima versão do sistema operacional do smartphone da
Apple, o iOS 8, permitirá que você para controlar dispositivos
smart-casa a partir de seu iPhone.

Com
a possibilidade de integrar o protocolo TCP/IP a dispositivos dos mais
comuns, aos mais sofisticados, desde uma cafeteira a um automóvel, a Internet das Coisas (ou simplesmente IoT, na sigla em inglês) pode criar diferenciais competitivos para todos os
tipos de indústrias. Nesse contexto, muitas empresas estão se unindo
para padronizar o padrão tecnológico e alinhar aspectos técnicos que
deverão ser comuns a todos os dispositivos.

Para
tanto, mais de 40 organizações incluindo, British Telecom, IBM, Google,
uma série de startups e universidades, estão trabalhando conjuntamente
para permitir que sensores e dispositivos possam compartilhar dados
automaticamente com muito mais facilidade, e viabilizar a popularização e
disseminação da IoT.

Eles
apelidaram tal projeto de HyperCat. O grupo espera poder incentivar uma
Internet das coisas com base em padrões abertos que possibilite o
acesso de pequenos "players" ao invés de um modelo, no qual todos os
dados estarão limitados por padrões e aplicativos ligado a produtos de
grandes empresas. Grandes empresas, geralmente usam a estratégia de
criar sistemas operacionais, protocolos e padrões próprios, que não se
comunicam com o de concorrentes. Exemplo clássico, Windows e Apple.

O
projeto HyperCat formou oito equipes com foco em diferentes mercados no
qual a Internet das Coisas poderiam trazer benefícios, tais como
educação, veículos, aeroportos e cidades inteligentes. Os grupos
utilizaram a especificação HyperCat para criar interoperabilidade dentro
de seu cluster e, em seguida, entre os clusters. O projeto já trouxe
resultados tangíveis com redução de custos de energia e geração de
outras informações, incluindo a disponibilização de dados que outros
possam usar.

No
entanto, padronização de protocolos é apenas um dos desafios dessa nova
tecnologia. Estamos hoje na transição do IPV4 para o IPV6, sistema que
gerencia a quantidade de IP's existentes em toda a internet hoje. Com a Internet das Coisas a quantidade de endereços IP's crescerá
exponencialmente, pois cada dispositivo terá um endereço na rede. Outro
desafio, esse bem mais difícil de suplantar é que todos os dispositivos
utilizarão o espectro radioelétrico para se comunicar. Ocorre que o
espaço radioelétrico é um recurso natural finito, escasso e não
renovável. Hoje a situação já é bem crítica.

IoT

Seja
como for, esse não é o primeiro desafio de padronização de tecnologia
do homem no que tange a evolução das telecomunicações. O primeiro da
história, que coincide com a criação da UIT - União Internacional das
Telecomunicações, em 1854, (Agência da ONU para o assunto até hoje)
ocorreu por ocasião da padronização das linhas telegráficas. Na época
cada país tinha uma codificação e um padrão de telégrafo.

Recentemente a
própria Internet, só alcançou abrangência global quando fabricantes de
produtos de informática e telecomunicações, padronizaram o protocolo
TCP/IP, pois inicialmente a grande variedade de protocolos não
possibilitavam a interoperabilidade entre dispositivos. Dessa vez, não
será diferente, não obstante as dificuldades, a capacidade de criação
humana engendrará uma nova tecnologia que trará profundas transformações
no estilo de vida das pessoas e na maneira de se relacionar com a
internet e a própria existência.


 

(*) Dane Avanzi é empresário e advogado especialista em telecomunicações

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail