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Internet das Coisas: das origens ao futuro

Hoje já se fala também em IoE (Internet of Everything – Internet de Todas as Coisas) e WoT (Web of Things - Web das Coisas)

Adriano Lucas Balaguer *

29/10/2014 às 7h14

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A IoT (Internet of Things ou Internet das Coisas) é a buzzword do momento. Mas o movimento em torno da tecnologia já vem acontecendo desde 2009 e deve perdurar. Segundo o IDC, o número de dispositivos conectados ao universo IoT será da ordem de 30 bilhões em 2020 e se prevê um mercado potencial estimado em 7,3 bilhões de dólares já em 2017.

A origem do nome Internet das Coisas é atribuída a Kevin Ashton. O termo foi usado em uma apresentação feita por ele em 1999 na empresa Procter & Gamble (P&G). Dez anos depois, em um artigo publicado através do RFID Journal, ele referencia a apresentação e cita o que é tido por muitos como a definição de IoT.

Segundo Ashton, “se tivéssemos computadores que soubessem tudo o que há para saber sobre coisas, usando dados colhidos sem qualquer interação humana, seríamos capazes de monitorar e mensurar tudo, reduzindo o desperdício, as perdas e o custo. Poderíamos de saber quando as coisas precisarão de substituição, reparação ou atualização, e se eles estão na vanguarda ou se tornaram obsoletas”.

Desde então IoT vêm se desenvolvendo e sofrendo mutações com o uso de redes convergentes (principalmente wireless), sistemas microeletromecânicos (Micro-Electro-Mechanical Systems) e a Internet.

As “Coisas” podem ser um monitor cardíaco, um chip transmissor, um localizador, um termômetro, uma câmera de segurança, uma porta, sensores no motor de um carro, um tubarão, enfim qualquer coisa natural ou construída por mãos humanas que possa enviar e/ou receber dados através de uma rede sem fios ou cabeada.

Hoje já se fala também em IoE (Internet of Everything – Internet de Todas as Coisas) e WoT (Web of Things - Web das Coisas).

Academicamente, poderíamos entender IoT e IoE como sendo relacionado à máquinas, sensores, “coisas” que se comunicam e trocam informações entre si através de dispositivos de uma rede de dados (seja ela cabeada ou não), enquanto a WoT referencia softwares, aplicativos e web sites fornecendo e consumindo recursos e informações entre si.

Mas é importante lembrarmos da “definição original”, pois aponta para um componente importantíssimo e que separa o que é e o que não é Internet das Coisas. Ashton usa a frase “sem qualquer interação humana” e é aí que vemos a maior parte dos erros quando dizemos que algo é ou não Internet das Coisas.

Quando me aproximo de casa com meu carro e meu celular com um endereço IP associado se comunica com a porta da garagem e, automaticamente, ela se abre, eu estou em um ambiente de Internet das Coisas.

Quando, ao entrar em casa, o ar condicionado percebe a minha presença e liga automaticamente, inclusive percebendo qual é a temperatura externa para deixar a casa com uma temperatura ambiente agradável, isso também é Internet das Coisas. E, se ainda sem qualquer interação humana, meu aparelho de som ou minha TV são acionados automaticamente, temos a Internet das Coisas.

Mas podemos ir além. Os sensores do ar condicionado podem aprender com meus hábitos e horários e, uma vez sabendo a hora que chegarei em casa do trabalho e a temperatura que mais me agrada, poderia se autoacionar um pouco antes da minha chegada, para que, quando eu chegasse, os cômodos já estivessem na temperatura ideal.

Da mesma forma, o sistema de som poderia aprender que às terças, quintas e sábados eu escuto blues e jazz. Nos outros dias, gosto de escutar clássicos do rock. Aos domingos ele não se acionaria sozinho. A TV, por exemplo, seria o dispositivo que seria acionado aos domingos, inclusive com alertas enviados ao meu celular como lembretes sobre o horário de exibição dos meus programas favoritos.

Saindo do contexto pessoal, o uso da IoT no ambiente empresarial também promove inúmeras facilidades. Imaginem um ambiente com um computador realizando um processamento (um cálculo com números de alta grandeza) sobre plataformas de petróleo. O cálculo levaria um determinado tempo. Bastaria que eu colocasse, por exemplo, um laptop ao lado deste computador e, as máquinas conversariam entre si. Mais ou menos assim:

- Oi! Sou a máquina XYZ e estou fazendo um cálculo. Seu processador está ocioso? Preciso de mais poder de processamento para realização de um cálculo.

Ao que a outra responderia:

- Oi! Sou a máquina ABC. Sim, está ocioso e a partir deste momento estou liberando o uso do meu processador e trabalharemos em cluster para reduzir o tempo de resposta do cálculo solicitado.

E o compartilhamento de recursos de processamento iniciaria automaticamente.

Isso é Internet das Coisas! Um mundo de possibilidades de avanço tecnológico nas mais diversas áreas, tais como médica, automotiva, petrolífera e de serviços, entre outras com uma previsão de crescimento em dispositivos e receita que despertam nosso interesse e ativam nossa imaginação.

 

(*) Adriano Lucas Balaguer é senior business consultant da GFT Brasil

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