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Inovação versus eficiência

O importante é entender as ameaças e oportunidades do novo mundo e que a estrutura tradicional não está preparada para lidar com elas

Domingos Monteiro *

31/07/2018 às 8h40

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A tecnologia virou commodity. Ferramentas e algoritmos que há poucos anos pareciam obra de ficção científica, agora estão disponíveis a qualquer um que esteja disposto a explorá-los. Através destas tecnologias habilitadoras, que hoje demandam baixo investimento, e com um modelo de negócio acertado, é possível alcançar uma enormidade de mercados com uma infinidade de soluções.

O surgimento de novos gigantes “do dia para a noite” habilitados por estas novas tecnologias tem servido de exemplo e de inspiração também para empresas de todos os portes, ramos e idades. A ordem parece ser quase que unanime para todas: é preciso inovar! Este é o mote da disrupção, termo abrasileirado do inglês disrup que descreve inovações que oferecem produtos diferenciados e criam um novo modo de alcançar os consumidores, desestabilizando empresas até então líderes em seus segmentos.

O processo disruptivo atinge a todos os setores e, impulsionado pelas novas tecnologias, acontece muito rápido. Esta nova era do compartilhamento parece ser um jogo onde o ganhador leva tudo e não há muita chance para muitos players. Quem não se atentar para este momento e não estiver disposto a fazer bom uso das ferramentas tecnológicas vai perder mercado para outros. É o que ocorre no varejo, com a presença da Amazon, nos transportes, com o Uber, ou na hotelaria, com o AIRBNB. O campo desta batalha é global.

Os consumidores são os habilitadores da mudança e a tecnologia é a base. As pessoas têm supercomputadores nos bolsos e se habituaram às facilidades advindas deles advindas. Elas esperam que seus fornecedores tenham uma solução adequada para o que necessitam. Ao mesmo tempo, os dados crescem exponencialmente em todo o mundo e estão disponíveis, o que permite que cada vez mais as empresas entendam e surpreendam positivamente seus clientes. Então, neste novo mundo, a questão chave é saber como usar os dados para entender o consumidor.

Apesar de a maioria dos empresários entender o momento atual, poucos se mostram preparados para realizarem as mudanças no ritmo necessário. Existe uma ignorância – no sentido real da palavra – sobre como inovar. Cada um tenta fazer do seu jeito e, em geral, isso não funciona. A disrupção, portanto, precisa começar na estrutura da organização. A mentalidade eficiência operacional, tão importante para a sobrevivência e para o crescimento de qualquer negócio, pode ser um dos assassinos da inovação. Quando se tenta inovar em uma estrutura completamente focada em eficiência, o que se vê é uma mescla entre as áreas de inovação, de projetos e operacional, o que gera conflitos entre a adoção de novas tecnologias e a eficiência. Neste sentido, em muitos casos, o primeiro incêndio na operação draga todos os recursos da inovação e destrói todos os esforços naquela linha.

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É preciso ter a inovação conectada sim, porém autônoma, a fim de que não haja cobrança por resultados imediatos e onde o fracasso de algumas iniciativas seja encarado como aprendizado para as próximas tentativas. Quando ocorre de fato, a inovação é patrocinada por alguém importante, como um líder visionário ou até mesmo o próprio presidente da empresa. Quando se fala de tecnologia disruptiva, fala-se em tentativa e erro e em uma empresa focada em eficiência a qualquer custo, não existe tolerância ao erro (ou ela é muito baixa). É aí que, geralmente, a administração da companhia sufoca esta área.

O importante é entender as ameaças e oportunidades do novo mundo e que a estrutura tradicional não está preparada para lidar com elas. A mudança ocorre mais rápido do que o esperado e é preciso se preparar para isso. Quase toda empresa surge de uma oportunidade onde a inovação é necessária ou fará a diferença. Em geral, quando estas empresas crescem, precisam focar-se em eficiência. É neste momento que muitas acabam perdendo a habilidade de inovar. Isso ocorre de forma incremental e quase imperceptível, pois o desconforto original que levou à busca pela inovação se transforma em um desconforto operacional em busca de eficiência. Ocorre que neste novo mundo não é apenas a eficiência que vai garantir a sustentabilidade, a rentabilidade e a perenidade dos negócios no futuro.

 

(*) Domingos Monteiro é CEO da Neurotech

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