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Inovação segundo a campeã do FINEP

Conheça a fórmula da Sanepar, empresa que ganhou o prêmio de inovação de processos, para estimular novas idéias

Marina Pita

18/01/2008 às 12h30

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O Brasil lança cerca de 24 bilhões de litros de esgoto não tratado por dia em seus rios e mares. Não é a toa que a Sanepar, companhia de saneamento do Paraná, recebeu o prêmio FINEP 2007 de melhor inovação em processo por seu projeto de reaproveitamento do lodo do esgoto para a agricultura que beneficia mais de 200 pequenos produtores rurais.

O especialista em pesquisa e desenvolvimento Cleverson Andreoli, gerente da área na Sanepar, explica sua visão sobre como fomentar a inovação nas empresas através, por exemplo, de mais comunicação e relação das áreas de negócio com os desenvolvedores.

“Todas as pesquisas são valiosas. Há muita coisa ‘arroz com feijão’, elementar, tão importante quanto aquelas de alta complexidade,” inicia Andreoli. O gerente exemplifica: “Uma das pesquisas importantes que fizemos na Sanepar foi o estudo da composição do lodo no Brasil e no Paraná. Algo simples, mas que pode afetar todo o desempenho de um projeto de reutilização do lodo. Nos Estados Unidos, por exemplo, não existe padrão de número de ovos de homintos (parasitas intestinais), porque a realidade sanitária norte-americana é diferente da brasileira. Aqui o índice de parasitoses ainda é muito alto. Isso significa que se não for feita a higienização adequada, a reutilização do lodo pode contaminar os consumidores”.

De acordo com Andreoli, outro ponto importante para que uma idéia inovadora seja bem executada é a importância de se avaliar se os padrões (no caso de tecnologia adquirida) são adequados à realidade/ambiente onde serão aplicados/implantados. “Nos EUA existe um padrão aceitável de metais pesados, mas, por conta da diferença de acidez do solo, a simples importação do padrão causaria impactos graves aqui,” garante.

Para o levantamento das necessidades tecnológicas, o departamento de pesquisa está dividido em dois. Um grupo se dedica a contatar as diferentes áreas de negócio e levantar as necessidades de cada uma delas. Outro é responsável por levantar o que há de novo em tratamento de esgoto e saneamento no resto do País - e do mundo - e a validade e possibilidade de trazer ao Brasil as novidades. “Algumas vezes, não existe demanda por algo, até que surja. Por isso estamos atentos para o que está sendo feito no setor nos demais lugares do mundo,” afirma o gerente.

O banco de idéias na intranet é outro recurso importante para a área de pesquisa da Sanepar manter contato com o que as diversas áreas de negócio e departamentos da companhia estão fazendo, destaca Andreoli. “É muito importante aproveitar o conhecimento da área operacional. Estimulamos os funcionários a colocarem as soluções adotadas nos respectivos departamentos. Fazemos avaliações técnicas e replicamos as melhores práticas e idéias inovadoras”, garante ele.

Outra forma da empresa valorizar o conhecimento prático é incluindo um técnico em cada projeto de pesquisa acadêmica. “Garantimos a aproximação do resultado da pesquisa com as necessidades para sua aplicabilidade prática através da associação entre pesquisadores acadêmicos e profissionais com experiência operacional, prática”, detalha o entrevistado, que complementa, “assim melhoramos o nível técnico do pesquisador e o nível teórico do profissional”.

Por falta de verba - algo muito comum no Brasil - o grupo de pesquisas interno da Sanepar é pequeno, composto por apenas 14 profissionais. A forma encontrada de aumentar e qualificar a equipe foram as parcerias com Universidades e entidades de pesquisa por todo o Brasil e até no exterior.

No entanto, esse recurso pode resultar no descolamento das pesquisas de as necessidades da empresa. Para evitar esse tipo de coisa, a Companhia de Saneamento do Paraná mantém um procedimento padrão: pelo menos um gerente de negócio da empresa se compromete com cada projeto de pesquisa, quando iniciado. “O gerente assume que, caso os resultados da pesquisa sejam satisfatórios, ele irá aplicá-los em sua área”, afirma Andreoli, “um forma de impor aderência das pesquisas às reais necessidades da empresa”.

Como muitas das pesquisas, porém, são frustradas, a Sanepar insiste na idéia de que as teses infundadas são tão importantes quanto as comprovadas. “Assim paramos de bater na mesma tecla, se vierem nos oferecer aquela solução, não compramos”, diz.

 Por mais interação 
No segundo semestre, Andreoli e o departamento de Pesquisa e Desenvolvimento farão o primeiro seminário de boas práticas e inovações tecnológicas da Sanepar. Para isso, farão levantamentos sistemáticos, por meio de cada gerência. de projetos que poderiam ser inscritos em todas as áreas. Um comitê interdisciplinar irá avaliá-los.

“A partir daí faremos seminários de chão de fábrica. Aquele que inventou algo terá espaço para apresentar a idéia a outros operadores, estimulando a cooperação horizontal e valorizando quem tem experiência prática. Faremos atas dessas conversas. Recomendação técnica para utilização por toda a companhia. Além disso, pretendemos criar um prêmio para reconhecer a iniciativa. Talvez a participação em um congresso, não necessariamente remuneração financeira”, conclui Andreoli.

 

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