Home > Gestão

Inovação é saída para setor público reduzir custos e ser mais eficiente

CIOs do TCE-RJ e da Receita Federal contam como inovaram em 2018 e as novidades para este ano

Solange Calvo

28/02/2019 às 12h33

Foto: Shutterstock

O setor público, a cada dia mais pressionado a buscar caminhos para redução de custos e ganhos de eficiência, vem apostando na tecnologia para desenhar cenários mais promissores e em linha com as atuais exigências impostas pela turbulência econômica. Estudo da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação (Abep) indica que a cada R$ 1 investido em TIC, governos estaduais economizam, em média, R$ 9,79 no ano seguinte.

A TI, portanto, tem papel essencial para o desenvolvimento do sistema de governos, transformando os serviços públicos com tecnologias como Inteligência Artificial (AI) e Analytics que, segundo a consultoria global Gartner, serão chave para virar o jogo da máquina pública em 2019. A inovação, sem dúvida, traz impactos positivos tanto para servidores quanto para cidadãos, otimizando processos e criando serviços inovadores.

Lúcio Camilo, CIO do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), diz que iniciaram 2018 com a preocupação direcionada à transparência das informações para o cidadão. E um dos grandes feitos da área de TI foi a transmissão das sessões plenárias pelo Youtube. “Isso possibilitou ao cidadão eliminar a necessidade de se deslocar para ir até o tribunal, além da transparência à sociedade.”

Outros feitos em 2018 foram a digitalização e a organização de documentos (processos) de forma a facilitar a pesquisa que antes representava um calvário, especialmente para os advogados. Hoje, é possível varrer 3 milhões de documentos em apenas dez segundos, agilizando o andamento de processos e conclusões.

“Qualquer pessoa pode acessar o nosso buscador, no site do TCE-RJ, de qualquer lugar, a qualquer momento. A tecnologia, de fato, passou a ser exponencial e deixou de ser linear”, diz o CIO.

Antes, profissionais de municípios distantes precisavam se deslocar ao tribunal para realizar consultas, nem sempre eficazes, pois eram realizadas manualmente, relata. Sem contar com os custos desse deslocamento e o tempo gasto.

E tudo começa com o procedimento padrão de digitalização de documentos, livrando o servidor de tarefas repetitivas. “Agora, conseguimos liberar as pessoas para atividades mais estratégicas.”

Outro destaque do ano passado foi a implementação do Plenário Virtual, que possui robusto acervo processual e possibilita o julgamento virtual do processo. Essa aplicação foi desenvolvida internamente. De acordo com Camilo, a iniciativa acelerou sobremaneira os processos.

Hoje, essas sessões acontecem semanalmente, todas as quartas. Antes, eram realizadas nas terças e quintas. “É claro que há processos que precisam ser presenciais, mas eliminamos essa necessidade em grande parte.”

Na avaliação de Camilo, 2018 foi o ano em que o TCE-RJ aprimorou o acesso do cidadão às informações do seu interesse, de maneira simples, ágil e confiável. Dessa forma, ele destaca, o tribunal saltou do penúltimo lugar no índice de transparência e hoje figura entre os primeiros colocados no País.

Colaboração
O TCE-RJ trabalha em regime de colaboração com outros tribunais. As soluções desenvolvidas são compartilhadas, acelerando a modernização do setor. “Nessa rede, nossa evolução tecnológica ganhou destaque e então passamos a ser convidados para falar sobre o nosso trabalho, nos tornando referência. Em 2018, participamos de cinco eventos para expor nosso case de sucesso.”

O TCE-RJ cinta com um time de TI com 60 profissionais. “Considerando que o tribunal possui 1,4 mil funcionários, é um desafio manter o dia a dia de toda a estrutura funcionando. Temos de inovar, mas não podemos descuidar do essencial.”

Em 2019, Camilo adianta que irão mergulhar na Inteligência Artificial (IA). Na verdade, darão continuidade a uma estratégia iniciada no final de 2018. “Promovemos a Semana do Desenvolvimento, que teve como mote um desafio para iniciativas usando IA, ou seja: Como podemos aplicar IA para facilitar as decisões e outros processos importantes para o tribunal? Assim, teremos muitas ideias para trabalhar.”

E avisa: “Em 2019, o digital entra efetivamente no ciclo de evolução. E sabemos que essa preocupação e empenho não terão fim. Continuaremos empenhados nessa trilha”.

Receita Federal em evolução
Cláudia Maria de Andrade, coordenadora geral de Tecnologia e Segurança da Informação da Subsecretaria de Gestão Corporativa da Receita Federal, diz que nos 25 anos em que trabalha no órgão, pôde acompanhar e vivenciar a evolução dos serviços internos e aos prestados aos cidadãos por meio da tecnologia.

Formada em Letras e em Direito, dona de uma coleção de cursos voltados à TI e há nove anos no cargo, Cláudia destaca que 2018 foi o ano do blockchain na Receita Federal.

“Inovamos com essa tecnologia. Nós a estudamos ao longo de 2017, ouvindo especialistas, verificando casos de sucesso para que pudéssemos aplicá-la com mais segurança, buscando a assertividade. Não podemos desperdiçar recursos e nem tempo por aqui”, diz.

O empenho resultou no lançamento do BCPF em novembro de 2018.  Na primeira etapa, essa rede possibilitou o fornecimento de dados de CPFs para o Conselho de Justiça Federal (CJF). A meta é expandir a integração com outros órgãos.

“Foi nosso piloto, no sentido de verificarmos o produto em operação para realizarmos ajustes e aprimorá-lo. Em nossa base, temos mais de 800 convênios de dados cadastrais de diferentes ministérios”, relata a CIO, adiantando que em março deste ano, entrará em operação o BCNPJ, soluções de blockchain para Comércio Exterior, buscando variadas integrações como com o Mercosul.

No ano passado, também teve início a evolução do uso de Inteligência Artificial (IA), que antes era aplicada apenas a soluções de desenvolvimento interno em análise de risco e identificação de fraudes, passando a contemplar aplicações externas. “Ouvimos vários fornecedores, fizemos provas de conceito, para modernizarmos várias atividades como leitura de processos administrativos e propostas de elaboração de decisão.”

Avanço da nuvem
Outro projeto em 2018 foi a contratação de serviços na nuvem, em especial para arquivo de CNPJ, que irá evoluir neste ano para se integrar com outras empresas, por meio da conexão com variados data centers.

Em 2019, a Receita Federal vai avançar em disponibilidade de serviços em cloud, já amplamente oferecidos no site aos cidadãos, que podem ser acessados pelo celular, garantindo a mobilidade tão demandada atualmente.

“Há um bom tempo buscávamos certificação digital para smartphones e iniciamos um trabalho de regulamentação com certificação digital em nuvem, para ampliarmos a capacidade de disponibilidade de serviços mobile, pois há muitas operações que exigem autenticação. Agora, estamos prontos para lançarmos neste ano serviços diferenciados para smartphones, que poderemos autenticar pelo celular.”

O importante é não parar no tempo, diz Cláudia. Em 2018, segundo ela, foram realizados mais de 156 mil pontos de função para desenvolvimento e em 2019 darão continuidade a esse crescimento. “No final do primeiro semestre deste ano, todos os aplicativos da Receita Federal estarão em uma única plataforma e modernizados”, adianta a executiva.

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail