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2007: um ano de muitas reviravoltas

Confira os melhores momentos com base nos fatos que atingiram as empresas de TI

Vinicius Cherobino, do COMPUTERWORLD

08/01/2008 às 11h19

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Sem exageros, 2007 foi um belo ano para TI. Acordos milionários, novas parcerias sendo feitas e desfeitas, novos competidores, recuperação da lucratividade, grandes prejuízos, renúncias de CEOs, volta de fundadores para as empresas que criaram e – especialmente – diversas aquisições de bilhões de dólares. Também foi um bom ano no Brasil, graças ao momento estável da economia e do crescimento de médias e pequenas empresas que investiram mais em TI.

A equipe do COMPUTERWORLD selecionou algumas das corporações que viveram momentos especiais durante o ano de 2007. Mais do que tudo, o ano será lembrado como o ano do furacão no setor de BI, cujo processo de consolidação resultou nas compras da líder de mercado em faturamento, da terceira e da quinta colocada.

Dell
O ano de 2007 foi o primeiro passo da reestruturação da Dell. Depois do fundador Michael Dell voltar ao cargo de CEO no final de janeiro, a fabricante de PCs e servidores viu um aumento em faturamento, mas ainda não conseguiu reduzir seus custos. As repetidas derrotas para a HP no segmento de PCs, trimestre a trimestre, aumentam a pressão, assim como o crescimento da Acer (que depois da compra da Gateway teve alta de 68,8% no terceiro trimestre de 2007).

A oferta de storage para as pequenas e médias empresas e para o consumidor final, depois da compra da EqualLogic por 1,4 bilhão de dólares, está sendo apontada como uma das saídas, mas haverá conflito com as empresas do setor e mesmo com a parceira EMC.

VMware
Não seria exagero dizer que 2007 foi o ano da virtualização em tecnologia. E a VMware foi a empresa que mais lucrou com isso. O IPO (oferta pública de ações) de 10% dos seus papéis foi um dos maiores do ano e gerou 957 milhões de dólares para a empresa-mãe EMC, que a adquiriu em 2004 por 635 milhões de dólares. No primeiro dia de negociação, as ações tiveram valorização de 75%, fechando em 51 dólares, e valiam no início de dezembro pouco mais do que 80 dólares.

A VMware já ameaça se tornar maior do que a própria EMC. Os faturamentos ainda não se comparam, mas a percepção do mercado financeiro aproxima as duas. E aponta para um cenário no qual, em pouquíssimo tempo a VMware se tornará uma das potências de TI.

HP
Mesmo com os bons resultados da Hewlett-Packard (HP) em 2007, continua o processo de redução de custos iniciado com a chegada do novo CEO Mark Hurd em 2005, que na época culminou com a demissão de 14,5 mil funcionários. Desta vez foi eliminada a divisão de manufatura de máquinas fotográficas digitais e, agora, a empresa está buscando parceiros OEM.

Na outra ponta, o bom momento da divisão de PCs chamou a atenção. No terceiro trimestre do ano, a liderança da empresa sobre a Dell aumentou ainda mais, com a HP tendo alta de 32,7% e a Dell de 1,5%.

Sun
O desafio de tornar-se lucrativa continuou para a Sun Microsystems em 2007. Com pouco mais de um ano no cargo e diversas decisões polêmicas, Jonathan Schwartz viu, no terceiro trimestre do ano, a empresa ter faturamento apenas 1% maior do que o registrado no mesmo período do ano interior. Por outro lado, conseguiu ter lucro, registrando 89 milhões de dólares motivados pela redução de custos, revertendo o prejuízo de 56 milhões de dólares do mesmo período em 2006.

Foi o quarto trimestre consecutivo em que a empresa obteve lucros, ainda que pequenos, depois de vários anos com prejuízo. Além disso, a companhia mudou seu símbolo na bolsa de valores Nasdaq de “SUNW” para “JAVA”. “O número de pessoas que conhece Java supera o número de pessoas que conhecem a Sun”, justificou Schwartz em seu blog.

IBM
A IBM foi uma das responsáveis pelo maremoto no setor de Business Intelligence. Mesmo com o discurso antigo de que não tinha mais interesse em adquirir empresas de aplicações corporativas, a gigante fechou a aquisição da Cognos em novembro último por 5,5 bilhões de dólares e encerrou o acelerado movimento de consolidação do segmento de BI, pelo menos em 2007. Já para 2008, os poucos independentes que sobraram podem ser os próximos alvos de outros gigantes.

SAP
A maior aquisição no segmento de Business Intelligence foi da alemã SAP. Ao fechar a aquisição da líder de mercado Business Objects por 6,7 bilhões de dólares em agosto último, a gigante de ERP abriu mais um segmento de atuação, mas - na opinião de Cal Braunstein, CEO da consultoria Robert Frances Group (RFG) -, garantiu a possibilidade de se aproximar dos clientes de ERP Oracle que usam BI da Business Objects.

Oracle
Conhecida pelo ritmo incessante de aquisições, a Oracle deu início ao acelerado movimento de consolidação do setor de Business Intelligence. A compra da Hyperion por 3,3 bilhões de dólares em março foi o primeiro acorde de uma sinfonia que culminou com a diminuição dos fornecedores independentes do setor. A decisão no setor de BI contrasta com as dúvidas no segmento de middleware.

A oferta estimada em 6,7 bilhões de dólares pela BEA foi considerada pequena pelo conselho da empresa, que pediu um valor em torno dos 8,3 bilhões de dólares. Muitos analistas reagiram relembrando a aquisição hostil da PeopleSoft, mas - nos últimos dias de 2007 - a situação permaneceu no impasse.

Apple
Responsável pelo lançamento de tecnologia que causou mais comoção no ano, o iPhone, a Apple teve um ano memorável em 2007. Além da entrada no setor de telefones celulares, a empresa de Steve Jobs também lançou a nova versão de seu sistema operacional, o Leopard, e uma nova linha de iPods com modelos que usam a tecnologia touch screen.

Como ponto negativo fica a redução dos preços do iPhone de 8 GB em 200 dólares apenas dois meses depois do lançamento. Os fanáticos da Apple que enfrentaram fila e dormiram na rua não gostaram nada, reclamaram e acabaram com um prêmio de consolação: um iVale de 100 dólares para gastar nas lojas da maçã.

Yahoo
Foi um dos anos mais tumultuados da história do Yahoo. Depois de seis anos como CEO, Terry Semel se demitiu. Analistas apontaram a decisão como resposta às críticas que o executivo recebeu pela dificuldade da empresa em capitalizar em seus produtos. O cargo vago foi ocupado por Jerry Yang, um dos fundadores, e desde então a empresa de internet foi alvo de rumores de aquisição. Vários deles, inclusive, ligavam o Yahoo a Microsoft em uma suposta negociação de muitos bilhões de dólares.

Google
A maior aquisição do Google em 2007 está causando grandes discussões. Com a compra da DoubleClick por 3,3 bilhões de dólares, nasceram acusações de monopólio dos concorrentes e até investigação da Comissão Federal de Comércio dos EUA. O Google também foi para segurança, com a compra da Postini por 625 milhões de dólares, busca por fontes de energia alternativa e até o uso comercial da Lua.

Como se não bastasse, o Google quer criar o mercado de anúncios em celulares com a plataforma android - da mesma maneira que fez na internet com os links patrocinados. Este anúncio, especialmente, fez as ações da empresa passarem a barreira dos 700 dólares e analistas apontaram os 900 dólares como preço futuro.

Microsoft
Os rumos comerciais da Microsoft em 2007 foram em sentido ao mundo 2.0. Em uma das maiores negociações do ano, a empresa reforçou a sua atuação em marketing digital com a compra da agência aQuantive por 6 bilhões de dólares, além de outras empresas menores.

Logo após, a Microsoft enfrenta o Google em ‘leilão’ para ter participação no Facebook.
Por 240 milhões de dólares, a empresa de Bill Gates garantiu 1,6% de participação (o que faz a rede social ter um valor estimado de 15 bilhões
de dólares).

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