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Negócios seguros

A abertura do mercado de resseguros, o surgimento de novos canais de venda e a redução de juros levam as áreas de TI do segmento a investir em ferramentas de colaboração e web services

Murillo Martino

20/12/2007 às 13h03

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Não bastasse a pressão em busca de inovações nos negócios e soluções que proporcionem diferenciais competitivos, os executivos de TI do setor de seguros enfrentam hoje três desafios: o aumento da concorrência, motivado pela abertura do mercado de resseguros; o surgimento de novos canais de venda de seguros, impulsionado principalmente pela entrada de grandes redes de varejo nesse segmento, e a redução de juros no mercado brasileiro, que exige maior controle dos recursos financeiros das instituições. Esses temas foram o foco de boa parte das conversas entre os executivos de TI que participaram da terceira edição do Insurance IT Meeting, realizado pela Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização (Fenaseg).
Apesar da preocupação em comum, a busca por soluções seguem caminhos diferentes. Na Aliança do Brasil, braço do Banco do Brasil na área de seguros, a aposta é em ferramentas de padronização para troca de dados e de colaboração. “A abertura do mercado de resseguros vai exigir uma troca maior de informações entre as instituições e isto exige uma padronização”, comenta Sidney Dias da Silva, diretor de TI da Aliança do Brasil e presidente da Comissão de Processos e Tecnologia da Informação da Fenaseg. Na opinião de Silva, o padrão adotado deverá ser o XML e a Aliança está investindo em uma solução própria para atender as necessidades das áreas de negócios da companhia.
O diretor de TI da Aliança Seguros trabalha também na modernização do ambiente corporativo da empresa, de olho em algumas tendências do mercado de seguros e em uma maior flexibilidade para as áreas de negócio. “Os seguros personalizados, por exemplo, são tendência para os próximos anos. Precisamos estar preparados para atender aos nossos clientes”, comenta Dias. Para responder a essa necessidade e à flexibilização, a área de TI da Aliança Seguros trabalha no desenvolvimento de sistemas que facilitem a projeção de regras e a composição dinâmica de documentos. O caminho adotado pela empresa é a adoção de web services. Eles também são a arma escolhida para dar mais agilidade aos canais de venda para combater a entrada de empresas de varejo e seguradoras virtuais no setor.
Outro foco de investimento da área de TI do setor consiste nas ferramentas de colaboração. O objetivo é usar o conceito da Web 2.0 para gerenciar e disseminar o conhecimento corporativo. “Estamos trabalhando na construção de uma wikipedia interna integrando as áreas administrativa e de operações”, comenta Dias. O projeto teve início no primeiro semestre deste ano e está baseado no software SharePoint, da Microsoft. “Estamos criando um portal onde o usuário pode participar”, diz o executivo da Aliança Seguros.

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Mobilidade para a equipe
Com quase 50% da receita alavancada em seguros de automóveis, a estratégia na Marítima Seguros é melhorar a qualidade dos serviços e aumentar a eficiência operacional. Para isso a empresa está investindo em Service-Oriented Architecture (SOA) ou, em português, arquitetura orientada a serviços. “Vamos explorar SOA para agilizar os processos de cálculo e devolução de proposta de seguros”, conta Erico Tadashi Yamamoto, superintendente de TI. O projeto teve início no meio deste ano com a compra do WebSphere Message Broker, uma solução IBM que permite a manipulação de altos volumes de mensagens e distribui informações de eventos de negócios de origens diversas, em tempo real, em uma rede de pontos de acesso ou um broker centralizado.
Mobilidade é outro foco da companhia. No final deste ano a Marítima coloca nas mãos de sua equipe de vistoria notebooks para agilizar a solicitação de peças e gerenciar melhor o estoque. “Tudo isso também está sendo construído em web services”, diz o direto de TI da seguradora.
Na Indiana Seguros, que desde outubro faz parte do grupo Liberty, mobilidade e web services andam de mãos dadas. Segundo o superintendente de TI e processos, Reinaldo D’Errico, os web services são a base de uma revolução batizada de Anywhere, Anyservice, Anydevice que está sendo construída dentro da companhia. “A idéia é transformar o celular em central de captação, renovação e autorização de pagamento de seguros”, diz D’Errico. Em outras palavras, o plano é colocar nas mãos dos 3.500 corretores da Indiana a possibilidade de eles fazerem cotações e renovações das apólices e do segurado efetuar o pagamento da primeira parcela via um telefone móvel.
Estratégias a parte, a busca por respostas às demandas das áreas negócios e aos novos desafios está criando um denominador comum nas áreas de TI das companhias de seguro: explorar melhor as ferramentas de Business Intelligence. Resultados preliminares da pesquisa anual realizada pela Fenaseg revela que as empresas utilizam mais de uma solução de BI, sendo que boa parte delas ainda conta com uma solução caseira.  “O BI e indicadores, como balanced scorecard, são ferramentas importantes para uma boa governança”, comenta Dias, da Aliança Seguros. 

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