Home > Tendências

Volume de ágio na 3G surpreende Anatel

Agência espera que maior parte das operadoras opte por pagar à vista, em janeiro, recursos que podem superar os R$ 7 bilhões ao Tesouro

Taís Fuoco, do COMPUTERWORLD

19/12/2007 às 12h30

Foto:

No balanço do primeiro dia de leilões da terceira geração de celular, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) considerou que o processo tem sido "um sucesso" até agora, nas palavras do superintendente de assuntos privados do órgão, Jarbas Valente.

Segundo ele, a agência esperava "um ágio muito menor", de cerca de 50% do preço mínimo, mas o que se viu no primeiro dia foram ágios superiores a 160%, em média. A arrecadação mínima dos quatro lotes era de 736,5 milhões de reais, mas as operadoras vencedoras vão pagar 1,91 bilhão de reais.

O volume de ágio, no entanto, lembrou ele, ainda está muito abaixo da própria licitação feita no Brasil para a privatização de telefonia móvel. Só a BCP, por exemplo, pagou pela licença na capital paulista um ágio de 366% ao oferecer 2,8 bilhões de dólares pela região.

O "sucesso", na opinião de Valente, se deveu à modelagem adotada pela Anatel nesse leilão, que misturou áreas nobres com outras menos nobres, e a ordem estipulada para a licitação. Os primeiros lotes foram da região que engloba Rio, Espírito Santo, Bahia e Sergipe, enquanto o segundo - interrompido na noite desta terça-feira (18/12) - envolve a região da Brasil Telecom.

Em seguida, serão vendidos os lotes de São Paulo - capital e interior - que estão atrelados a licenças nas regiões Norte e Nordeste -, seguidos por região Centro-Oeste, municípios de Minas Gerais e cidades do Paraná.

Valente afirmou esperar que a região de São Paulo atraia índices de ágio ainda maiores que os vistos neste primeiro dia. "Pode chegar a 150%", arriscou opinar o superintendente.

Além disso, ele previu que os preços da banda larga no Brasil, com a chegada da opção móvel de conexão no celular, caiam cerca de 50% "já no próximo ano", afirmou aos jornalistas. Em relação ao preço do minuto das chamadas de voz, "a queda pode ser ainda maior, já que vai virar uma commodity", ressaltou.

El explicou que, apesar de as operadoras vencedoras terem a opção de parcelar o pagamento das licenças, pagando 10% na assinatura do contrato e o restanto em 10 anos, depois de três de carência, ele espera que a maior parte pague à vista.

"O parcelamento envolve IGP-DI mais juros, mas muitas delas conseguem captar recursos no exterior a custos mais baixos. Por isso, as experiências anteriores mostraram que elas preferem pagar à vista", explicou.

Como a agência prevê a assinatura dos contratos em janeiro, é nesse momento que esses recursos deverão entrar nos cofres do Tesouro. Enquanto o preço mínimo das licenças chega a 2,8 bilhões de reais, com o ágio que se viu no primeiro dia a arrecadação pode chegar a 7,5 bilhões de reais.

 

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail