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10 formas de equilibrar vida pessoal e profissional

Acompanhe dez conselhos para conseguiur conciliar vida pessoal e trabalho sem culpa ou prejuízo para nenhum dos dois lados

19/12/2007 às 12h24

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Nina Buik sabe o quanto o pessoal de TI trabalha. Como presidente da Encompass, um grupo com 16 mil pessoas de usuários de negócios da Hewlett-Packard (HP), Buik tem contato com uma ampla gama de profissionais de tecnologia dos quais todos parecem ficar conectados  muito mais que as tradicionais 40 horas semanais de trabalho.

“Eu raramente converso com alguém que tenha ficado menos de 60 horas por semana em seus empregos”, diz ela, que também é vice-presidente sênior da MindIQ Corp., desenvolvedora de materiais para treinamento.

A própria Buik  tem tentado trilhar um caminho diferente. Ela levou ao conhecimento de sua equipe que, uma vez que ela encerre seu dia de trabalho, não deve mais ser incomodada. Eles não devem contatá-la para assuntos de rotina e só devem lhe enviar mensagens de texto no celular em caso de extrema emergência.

“Se nosso site tiver algum problema, eu preciso ser contatada porque toda a nossa corporação está baseada no site”, ela explica. “Mas se acontece uma simples queda de energia, temos backup, por isso eu não preciso ser avisada imediatamente”, complementou.

Na medida em que as companhias usam cada vez mais a tecnologia para ajudá-las a fazer mais com menos recursos, profissionais de TI como Buik e sua equipe, estão claramente sentindo a pressão. Trata-se de uma pressão que atinge todos os níveis.

Algumas posições em TI, como o de help desk, ainda tentam seguir a tendência de adotar uma jornada de oito horas, mas alguns deles são freqüentemente chamados à noite ou nos finais de semana, além de seu horário tradicional das 9 às 5 da tarde.

Ao mesmo tempo, gerentes dos mais altos níveis hierárquicos estão acumulando suas horas de trabalho na medida em que tentam atender prazos cada vez mais curtos para responder às demandas de suas companhias ou clientes.

Hoje, em todos os níveis, profissionais de TI começaram a dar voz ao seu desejo de ter algum tempo livre para sua vida pessoal. Em outras palavras, eles querem, pelo menos, alguma sombra do que seja um equilíbrio entre vida e trabalho.

Dada a natureza do trabalho em TI e da realidade econômica no mercado de trabalho, encontrar tal balanço pode ser uma tarefa difícil. “Os profissionais de TI realmente trabalham longas jornadas. 50 horas por semana é uma média”, diz Luly Mok, que analisa o equilíbrio entre vida e trabalho em TI no Gartner.

“O trabalho na área de tecnologia requer empregados que trabalhem em turnos diferentes para que possam receber chamadas 24 horas por dia, sete dias por semana. Especialmente nos últimos anos, quando as organizações de TI começam a se apoiar em atividades de downsizing e outsourcing, as pessoas são requisitadas a trabalhar cada vez mais e a assumir mais responsabilidades”.

De acordo com o Departamento de Estatísticas de Trabalho dos Estados Unidos, a média de jornada de trabalho naquele país é de 9,3 horas por dia. Equipes de TI trabalham consideravelmente mais que isso, segundo outras estatísticas.

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Segundo um deles, por exemplo, a média de jornada semanal para um programador, engenheiro ou técnico varia de 43 a 62 horas. Enquanto esses números parecem terríveis, desenvolvimentos recentes no nível corporativo contribuíram para melhorar a vida de alguns profissionais de TI uma vez que as companhias adicionam benefícios que atraiam novos talentos.

Jornadas de trabalho mais flexíveis, compartilhamento de trabalho, semanas mais condensadas e trabalho remoto são algumas das opções agora disponíveis para os profissionais de TI, diz Mok.

O pessoal de TI tem hoje um melhor equilíbrio entre vida e trabalho do que quando Leo Collins começou a atuar na área, 20 anos atrás. Collins, hoje CIO da Lions Gate Entertainment Corp., lembra, por exemplo, que os empregados nem sempre têm de estar fisicamente presentes no escritório para desempenhar suas funções hoje em dia.

Na verdade, um estudo divulgado em julho pela Robert Half Technology, companhia de recrutamento em TI, 44% dos CIOs pesquisados disseram que suas equipes atuam remotamente no mesmo patamar ou ainda maior que há cinco anos atrás.

Eles citaram maiores índices de retenção, melhor disposição e aumento da produtividade como os principais benefícios do trabalho à distância.

Enquanto esse parece ser um passo na direção certa, a indústria ainda tem um longo caminho a percorrer. Gerentes relutantes e uma cultura corporativa tirânica podem influenciar a forma como os benefícios de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho são implementados em uma organização e quanto os empregados estão dispostos a buscar isso, afirma Mok.

Collins admite que, diante de todo o progresso, os profissionais de TI ainda tendem a permanecer no trabalho longas horas extras. “A regra é entre 50 e 60 horas”, ele admite, “mas nem sempre você precisa estar fisicamente presente”, complementa.  De qualquer forma, “tentamos não adotar uma postura muito crítica”, ele diz. Por isso, se o funcionário precisa cuidar de assuntos pessoais, a empresa se dispõe a ajustar prioridades e distribuir tarefas entre a equipe, segundo ele.

Como você pode encontrar formas de equilibrar seu tempo pessoal e o de trabalho – mesmo se você está em uma companhia menos progressiva no assunto? Executivos de TI e profissionais de TI experientes dividem, a partir de agora, suas estratégias para encontrar a correta equação. Acompanhe estas 10 dicas:

1) Estabeleça e faça cumprir as suas prioridades
Muitas pessoas que querem promover mudanças em suas vidas falham porque primeiro refletem exatamente o que eles querem fazer de forma diferente, diz Kathie Lingle, diretor da Alliance for Work-Life Progress. Por isso, o passo número 1 deve sempre ser estabelecer as prioridades, segundo ela. “Tenha isso de forma clara em sua mente e, em seguida, trabalhe por elas”, sugere.

Se o seu objetivo é participar mais ativamente de sua comunidade ou dar mais atenção aos relacionamentos pessoais, você vai precisar obter tempo para essas prioridades limitando sua jornada de trabalho – mesmo que isso signifique dizer ‘não’ aos projetos extras ou a uma promoção.

Brian Schultz, que atua no Battelle Memorial Institute, tentou esse exercício quando trabalhou como gerente no gerenciamento de riscos na Arthur Andersen LLP. Ele não queria seguir a mesma rotina dos demais executivos que conhecia e que sacrificavam sua vida pessoal em jornadas de 60 horas semanais.

“Desde o princípio, eu estabeleci uma lista de prioridades: Deus, família, país, comunidade e companhia”, explica Schultz. “A companhia ficou por último. Se você leva isso a sério, é claro, vai acabar morando na rua. Por isso é importante que haja um balanceamento entre esses compromissos”, afirmou.

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Schultz deixou a Arthur Andersen em 2000 porque não queria se sujeitar a uma jornada de 14 horas diárias e finais de semana. Em vez disso, ele encontrou uma posição em outra companhia que oferecia um trabalho desafiante, mas permitia que ele respeitasse o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.

2) Comunique-se
Você estabeleceu suas prioridades. Agora deixe seus companheiros de trabalho saberem sobre eles. “Fronteiras são sempre invisíveis. Ninguém sabe que elas estão ali a não ser você. Se você não articulá-las, de que forma as outras pessoas vão saber que as estão atravessando?”, pergunta Lisa Martin, fundadora e presidente da companhia Briefcase Moms.

Isso é crucial para deixar claro o que você deseja, o que você pode fazer e o que você não pode, diz ela. Isso é também importante, claro, para levar a estratégia de trabalho para esse patamar, enfatiza. Encontre um tempo oportuno para discutir esses assuntos e utilize uma voz neutra para endereçar os erros.

Se, por exemplo, você negociou a possibilidade de deixar de trabalhar à noite por certo tempo, mas seu superior ainda mantém você até tarde na companhia, trate o problema de forma neutra (“esta é a sétima vez em dois meses em que trabalho até tarde nas noites de sexta-feira”) e relembre-o de seu propósito inicial (“nós concordamos com um determinado limite em horário”).

Para alguns empregados, esse passo pode não acontecer naturalmente, especialmente quando se trata de um supervisor, “mas você precisa tomar suas vitaminas de fronteiras”, aconselha Martin. “Você deve se manter fortificado sobre sua posição. Isso se torna mais fácil com a prática”, promete ela.

Lingle sugere compartilhar não somente suas prioridades, mas também selecionar detalhes de sua vida pessoal para dividir com companheiros de trabalho.

Esta foi uma estratégia que Bob Keefe, vice-presidente sênior da Mueller Co. adotou com sucesso. Quando ele trabalhava em outra companhia, sua equipe encontrou um erro sério em uma troca eletrônica de dados. O time tinha de contatar um colega para obter informações, mas sabia que ele estaria fora porque sua esposa iria fazer uma cirurgia.

“Ele era o tipo de pessoa que, se aquela ligação fosse feita, ele voltaria para o escritório. Por isso, decidimos dizer que era um problema menor, não sério o suficiente para fazê-lo retornar”, Keefe explicou. Como sabiam dessa situação pessoal antes (a cirurgia da esposa), a equipe cuidou para resolver a situação sem ter de incomodar o colega.

3) Construa um plano de negócios para tornar sua vida melhor
“Os profissionais mais experientes sempre anseiam por uma jornada de trabalho mais flexível como parte de pacotes de compensação quando recebem propostas de novos trabalhos”, afirma Mok.

Pessoas com habilidades especiais têm mais sucesso em obter esse tipo de tratamento especial”, afirma, mas isso não impede negociações à parte para férias adicionais, limitação de horas extras e jornadas flexíveis. Segundo ela, a mesma estratégia pode ser usada para negociar benefícios com seu atual empregador.

“Você precisa demonstrar, baseado no seu desempenho anterior, que conseguirá entregar os mesmos resultados em um número menor de horas”, Mok explica.

Se você quer trabalhar remotamente, por exemplo, deve explicar como consegue trabalhar bem sem a presença direta de um supervisor e como pode se comprometer com o trabalho mesmo sem visitas freqüentes ao escritório. Além disso, deve garantir que sua conexão em casa está alinhada ao plano de recuperação de desastres da companhia.

4) Tire vantagem das políticas e programas de sua corporação
Uma pesquisa conduzida no ano passado pela OfficeTeam descobriu que 53% dos trabalhadores e 45% dos executivos consideravam suas companhias “muito comprometidas” nos esforços para que os funcionários tivessem equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Outros 37% dos trabalhadores e 50% dos executivos disseram que suas empresas eram, “de alguma forma”, comprometidas.

Mas os benefícios para uma vida pessoal melhor, sejam creche para seus filhos ou horários flexíveis, não ajudam se você não pode usufruir deles. Estude os programas que sua empresa oferece e escolha aqueles que podem realmente beneficiá-lo para escolher bem, diz Mok.

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5) Procure um mentor
“Olhe para as pessoas que você considera que tenham um bom equilíbrio entre vida pessoal e trabalho e pergunte a elas como conseguiram”, aconselha Katherine Spencer Lee, diretora executiva da Robert Half Technology.

Brian Abeyta, vice-presidente de TI de uma seguradora, lembra de admirar uma supervisora que administrava tanto seu trabalho de alto executivo como sua vida como mãe.

“Isso me forçou a admirar um gerenciamento muito disciplinado do tempo”, diz ele, adicionando que sua supervisora era muito boa em dedicação seu time e foco nas atividades que estavam sob sua responsabilidade. “Ela traçava um cronograma e se comprometia com ele. Onde quer que ela estivesse, estava no lugar certo e não pensava no que teria de fazer depois”, observa.

Esse tipo de foco e disciplina ajudou a ele e à sua equipe a aprender como honrar suas próprias prioridades pessoais, em vez de simplesmente cumprir tarefas profissionais mecanicamente. “Isso nos mostrou que podíamos respeitar o tempo de cada um e que tínhamos de respeitar a vida um do outro”, disse Abeyta.

6) Trabalhe de forma mais eficiente
Profissionais de tecnologia mais experientes sabem quando eles precisam corre de volta para o escritório e quando podem apenas ligar e resolver o problema remotamente, diz Natalie Gahrmann, uma expert em carreira da NRG Coaching Associates.

Ela afirma que seu marido, um diretor de TI, é um exemplo com seus hábitos: ele recentemente conseguiu resolver um problema no bakup da companhia pelo site de New Jersey, em vez de ter de se deslocar até Manhattan, o que lhe poupou muitas horas de vida pessoal.

Outra forma de trabalhar com mais eficiência: divida tarefas com um grupo, sugere Buik. “Você se torna mais eficiente quando pode dividir atividades com os demais”, ela diz. “Isso significa menos tempo lidando com certos problemas e mais tempo para si”.

7) Compartilhe seus conhecimentos
É sempre uma satisfação ser um expert em um programa específico, mas Keefe alerta que é perigoso ser o único a conhecê-lo. “Nos casos em que você é de fato um expert, você deve formar uma equipe e treiná-los”, mesmo se isso exigir que você tome a iniciativa, explica ele. “Você precisa compartilhar esse conhecimenjto porque se você tiver uma estrutura muito apoiada só em você mesmo, terá de estar sempre disponível”.

8) Use seus dispositivos eletrônicos
Não há dúvida de que Keefe é um fã dos dispositivos eletrônicos porque ele, assim como muitos outros, pode usar esses aparelhos para continuar trabalhando onde quer que esteja a qualquer momento.

Além disso, diz ele, dispositivos móveis podem se conectar à rede corporativa, o que permite aos empregados não só receber mensagens sobre potenciais problemas na companhia, como também resolvê-los onde quer que esteja.

“Profissionais de TI inventaram de tudo para que as pessoas possam trabalhar a partir de qualquer lugar, de forma que ninguém nessa área precise ficar preso a um lugar em particular”, complementa Lingle.

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9) Use seus dispositivos eletrônicos de forma inteligente
Considere a afirmação: “Dispositivos como Blackberry acorrentam você ao trabalho mais do que o liberam”. Na pesquisa Digital Life América, divulgada em fevereiro de 2007 pela Solutions Research Group, um terço dos entrevistados concordou com a afirmação – e todos eram usuários de Blackberries, Palm Treos e outros smartphones.

Não é preciso que seja dessa forma, se você quiser estabelecer uma brecha em quanta atenção você dá a esse tipo de dispositivo. Quando Steve Davidek, uma administradora de sistemas, adquiriu um Blackberry um ano atrás, ele rapidamente se viu tendo de lidar com e-mails de todos os tipos e lugares.

Ele resolveu essa situação ao decidir parar de checar e-mails fora do horário de trabalho. Em vez disso, colegas conseguem achá-lo via telefone para transmitir problemas que realmente precisem de uma solução imediata. “Preciso de um celular, não de uma rédea curta”, afirmou.

10) Mantenha perspectivas
É fácil sentir se sua vida está livre de golpes quando a sombra de um deadline se aproxima ou o sistema principal da companhia sofre alguma pane. Antes de entrar em pânico ou jogar a toalha, respire fundo, os especialistas aconselham. “Você sempre vai lidar com apagões, é a vida”, Martin afirma.

Martin sugere que, em vez de focar em quão difícil é determinado momento – ou pior que isso, como é ter de tomar decisões difíceis com base em problemas de curto prazo – você deve ter uma perspectiva de longo prazo e considerar de que forma você está trabalhando para atingir suas metas profissionais e pessoais.

Ela lembra de liderar uma mãe que havia se esforçado para desenvolver habilidades altamente específicas que tinham alta demanda e, mesmo assim, ela se condenava todo o tempo e sentia que a única solução seria encontrar um novo trabalho.

Quando questionou essa profissional sobre o que ela gostaria para sua carreira, a profissional se deu conta de que gostava do emprego, só não gostava da jornada de trabalho.

No final, em vez de deixar um trabalho do qual ela gostava, a funcionária negociou uma semana de quatro dias que lhe permitiu ter tempo livre para cuidar da casa e dos filhos.

“Em alguns momentos isso é difícil”, diz Martin, “mas equilibrar vida pessoal e trabalho é algo que tem a ver com a definição de suas prioridades e como você as divulga”.

Mary K. Pratt- Computerworld, EUA

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