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Você é mais esperto que o Gerente de TI?

Possuir laptops e câmeras digitais passou a fazer com que muitos usuários se digam conhecedores de tecnologia e questionem as decisões do pessoal de TI

Computerworld, Canadá

17/12/2007 às 12h11

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As corporações estão lidando com um número crescente de usuários que se autodenominam “conhecedores de tecnologia”, de acordo com uma pesquisa divulgada recentemente pela empresa de pesquisa Harris/Décima e patrocinada pela Intel Canada.

A pesquisa apontou que 10% dos 503 entrevistados (selecionados em Vancouver, Calgary, Toronto e Montreal) se consideram conhecedores de tecnologia. Possuir laptops e câmeras digitais contribuiu para os consumidores se sentirem mais familiarizados com a tecnologia.

A adoção de tecnologia em casa será útil na corporação, segundo Doug Cooper, country manager da Intel Canada. “Assim tudo ficará mais fácil - quem usa tecnologia em casa usará tecnologia com maior competência no trabalho”, acredita Cooper.

Ele aponta as habilidades relacionadas às aplicações Web 2.0 que foram se infiltrando lentamente na corporação, como postagem em sites da internet, redes sociais populares do tipo Facebook e mensagem instantânea. “Estas ferramentas podem ser ajustadas para um ambiente corporativo”, observa Cooper.

Por outro lado, um excesso de confiança pode causar problemas para as equipes de TI chamadas a ajudar usuários de tecnologia. Durante mais de dois anos, Brendan Leddy trabalhou no help desk da Universidade de Victoria enquanto estudava ciência da computação e acompanhou a mudança no modo como os alunos – e futuros funcionários de empresas – interagem com tecnologia.

“Está ficando complicado. As pessoas estão muito teimosas”, explica. “Elas acham que já ‘conhecem’ o problema e o que aconteceu não é culpa delas. É culpa sua.”

Os gerentes de TI têm que ser flexíveis em relação a estas novas tecnologias e saber trabalhar com a postura “conhecedor de tecnologia” que as acompanha, ensina Cooper. “O grande problema é que a gerência de TI precisa ajustar suas expectativas”, diz Cooper.

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Os diferentes modos de se comunicar e trabalhar inerentes a estas tecnologias precisam ser integrados a estratégias de negócio, e não combatidos. Um funcionário proibido de usar o Facebook no trabalho, por exemplo, pode estar perdendo oportunidades em networking.

Aprender com o exemplo também é útil. Os profissionais e a gerência de TI podem tentar se manter na dianteira da Web 2.0 prestando atenção ao que funciona e ao que não funciona. Cooper comparou essa iniciativa à curva de aprendizado da etiqueta para e-mail.

A prevalência de interfaces baseadas na Web – até mesmo nas aplicações corporativas mais profundas – também deve facilitar a curva de aprendizado para estes funcionários, avalia Cooper. Deve ajudar a disseminar desde sistemas de gestão de relacionamento com o cliente (customer relationship management, o CRM) a sistemas ERP, em todos os níveis da corporação.

Leddy, que atualmente é desenvolvedor no setor privado, concorda. “É mais fácil para eles utilizar interfaces com este tipo de conhecimento abstrato, o que também é útil em sistemas.”

Uma maneira de auxiliar indivíduos no local de trabalho que não se consideram conhecedores de tecnologia é pedir aos que se consideram para atuarem como uma espécie de “embaixadores”, isto é, ajudar a implementar tecnologias mais avançadas e dar suporte à aqueles que talvez se sintam amedrontados por elas.

Isso também poderia ser útil porque a equipe de TI talvez não esteja treinada para lidar com os funcionários mais “presunçosos”. Durante seu treinamento em ciência da computação na universidade, conta Leddy, havia pouquíssima ênfase em lidar com pessoas. “Muitos estudantes de Ciência da Computação se beneficiariam de mais habilidades relacionadas a pessoas”, conclui.

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