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Quais certificações valem o seu tempo?

As certificações em gerenciamento de projeto estão na moda, as certificações técnicas nem tanto, mas segurança e armazenamento têm influência

Network World (EUA)

10/12/2007 às 11h59

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Durante anos, o primeiro e mais importante passo para iniciar uma carreira de profissional de rede foi obter uma certificação Cisco, Microsoft ou outra certificação técnica qualquer. Agora, porém, a demanda por certificações focadas em hardware e software está diminuindo, dizem CIOs, recrutadores de TI e especialistas em remuneração.

As empresas estão em busca de profissionais de TI com certificações voltadas ao negócio em áreas como gerenciamento de projeto e Six Sigma, uma técnica estatística para melhoria de qualidade que está sendo adotada por um número crescente de corporações de TI.

“A certificação do Project Management Institute (PMI) é a mais importante para nós”, afirma Jack Harrington, co-fundador e diretor da Atlantic Associates, empresa de recursos humanos em TI.

“Vemos alguma demanda por Six Sigma, mas não tanto quanto por PMI. Se eu tivesse uma recomendação a fazer a funcionários de TI sobre crescimento profissional, seria obter uma certificação PMI porque ajuda a desenvolver habilidades amplas, que podem ser aplicadas a tecnologias e indústrias verticais.”

A maioria das certificações técnicas está perdendo valor em termos de remuneração, observa David Foote, presidente da Foote Partners, que conduz pesquisas sobre salários em TI ao redor dos Estados Unidos. A Foote rastreia regularmente 159 habilidades certificadas e 156 habilidades não certificadas para ver quais afetam mais os salários.

“As certificações de rede perderam 4,1% do seu valor no ano passado e 9% nos últimos dois anos. Isso é terrível. É ainda pior do que a perda média de todas as certificações de TI”, lamenta Foote. “O valor das habilidades de rede e comunicação não certificadas aumentou 2,8% no ano passado.”

Segundo Foote, a tendência é de uma grande reviravolta. “Durante um tempo, os funcionários com certificações ganharam mais do que aqueles que possuíam habilidades não certificadas”, diz Foote. “A última vez que as habilidades não certificadas se mostraram mais valorizadas do que as certificações foi no terceiro trimestre de 2001.”

Os especialistas concordam que algumas certificações técnicas ainda merecem investimento de tempo e esforço. Isso inclui Cisco Certified Internetwork Expert (CCIE), EMC Technology Architect e certificações em SAN (storage-area network) de empresas como a Brocade.

“Em termos de rede, um dos segmentos mais importantes é o de storage-area network”, afirma Foote. “As empresas não estão demandando certificações em SAN, mas querem pessoas que conheçam SAN e o papel que ela desempenha na corporação.”

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As certificações em segurança estão em alta, principalmente Certified Information Systems Security Professional (CISSP) e Certified Information Systems Auditor (CISA).

“Segurança certamente é uma área quente”, enfatiza Matt Colarusso, gerente de sucursal da Sapphire National Recruiting. “Nossos clientes estão em busca de pessoal técnico prático que conheça firewalls, setups VPN e controles de roteador.”

Investindo em certificação técnica
As certificações técnicas continuam valiosas o suficiente para a maioria dos CIOs reembolsar os funcionários que as obtêm.

Jeff Ton, vice-presidente de processos, informação e tecnologia corporativos do Lauth Property Group, iniciou recentemente um programa de certificação para sua instalação de TI composta de 25 pessoas.

“Para engenheiros de sistemas e técnicos de desktop, é um meio de crescimento pessoal”, revela Ton. “Ajudamos a pagar as certificações. Se eles obtêm a certificação, ganham um bônus. Isso é importante porque valorizamos o funcionário.”

Na Blue Shield da Califórnia, 25% da verba para treinamento em TI é gasta com certificações técnicas, diz Bob Veeneman, diretor de planejamento integrado de TI.

“Investimos pesado nisso”, conta Veeneman. “É bom para nós e contribuímos para que as pessoas desenvolvam seu conhecimento e sua capacidade.”

De olho no futuro, a Blue Shield da Califórnia está enfocando certificações voltadas ao negócio. A empresa está treinando 50 dos seus diretores e gerentes no modelo de processo de negócio Information Technology Infrastructure Library (ITIL) versão 3.0.

Durante sete anos, a Blue Shield da Califórnia exigiu certificações PMI para todos os seus gerentes e diretores de projeto. “A certificação orientada ao negócio é um adendo -- não um substituto -- à certificação técnica”, ressalta Veeneman.

As certificações técnicas são mais úteis para posições entry-level e juniores, acreditam os especialistas. Nos postos mid-level e seniores, a experiência prática no emprego sobrepuja as certificações, apontam os especialistas.

 “A maioria dos empregadores diria que as certificações se comparam a um ótimo histórico acadêmico: você é notado e vai para a pequena pilha de currículos que estão sendo cogitados, mas será contratado em função dos papéis que desempenhou e do trabalho que realizou em seus empregos anteriores”, explica Colarusso.

As certificações técnicas podem ajudar você a ser contratado, mas a “experiência é mais importante”, sentencia Henry Eckstein, vice-presidente sênior e CIO do York Insurance Services Group.

“As pessoas podem se esforçar e obter suas certificações. Mas o que importa não são simplesmente as certificações, e sim há quanto tempo estas pessoas têm as certificações e como as utilizaram. As certificações técnicas têm menos valor do que a experiência.”

Foote conclui que “na hora da contratação, se você tem todo o resto, isto é, experiência com clientes, experiência funcional, e não é certificado, quem liga? Muita gente nunca foi atrás de uma certificação porque estava ocupada demais com implementações”.

Carolyn Duffy Marsan-Network World, EUA

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