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O que há de errado com o Windows Vista?

Um ano após o lançamento da versão corporativa, sistema operacional ainda não despertou onda migratória expressiva nas empresas

Redação do COMPUTERWORLD

30/11/2007 às 11h51

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Foram cinco longos anos de desenvolvimento e expectativa. Mas enfim, depois de diversas datas de lançamento adiadas, a Microsoft fez em 30 de novembro de 2006 o début de seu aguardado Windows Vista para o mercado corporativo.

A ocasião celebrou o que a companhia considerou um de seus melhores trabalhos de concepção em segurança e inovação. Tudo indicava que as migrações para o Vista não seriam uma questão de “se”, mas de “quando”. E um “quando” relativamente breve.

Um ano após a estréia, entretanto, o que se vê não é nem de longe um frenesi de migrações em torno do novo sistema operacional no mercado corporativo, que ainda concentra usuários cativos do Windows XP. Ao contrário, a maioria das companhias está na espreita para avaliar se mudar faz sentido neste momento. O que aconteceu então com aquela expectativa que há tempos rondava o Vista?

Decepção, talvez, não seja a palavra mais exata para definir a postura da maior parte das corporações. Cautela seria a mais adequada. Muitas entendem que o novo sistema operacional traz atributos capazes de fazer diferença na produtividade e na forma de gerenciar certos requisitos de segurança.

No entanto, o Vista não coincidiu com o cronograma de substituição do parque instalado. E implantar o peso-pesado – que exige máquinas bem robustas a partir de 1 GB de memória para a versão Business, por exemplo – não faria sentido nos PCs existentes e mais modestos.

Os freqüentes atrasos no lançamento do sistema acabaram saindo do ritmo do mercado. Com isto, muitas empresas compraram máquinas novas, porém não tão robustas quanto necessário.

Além dessas corporações que aguardam a próxima troca de parque para migrar, existem aquelas que ainda são usuárias satisfeitas com o XP e que não estão dispostas a tolerar falhas do novo sistema operacional.

Embora a Microsoft tente minimizar os problemas, não são poucas as críticas que circulam em blogs e na própria mídia sobre desempenho, compatibilidade e estabilidade. Em um relatório de agosto deste ano, o Gartner considera que as migrações para o Vista não são tão diferentes de outras grandes atualizações anteriores de Windows.

A experiência de atualização não mudou, mas sim, as expectativas do usuário, que está cada vez menos disposto a tolerar “dores” causadas pelos novos softwares.

“Embora as expectativas dos clientes tenham mudado, a insistência da Microsoft em divulgar o Vista em novembro de 2006 – antes da maior parte de fornecedores de hardware ter drivers e quando relativamente poucas aplicações estavam prontas para suportá-lo – não ajudou”, relata o documento.

Além disso, ao olhar minucioso de muitas companhias, as vantagens do Vista sobre o XP ainda não foram suficientemente exibidas, o que torna o lançamento menos atrativo. De acordo com a consultoria, a Microsoft foi mais eficiente em explicar, por exemplo, as funcionalidades do Windows 95 sobre o Windows 3.1 e na ocasião do Windows XP sobre o Windows Millenium Edition.

Em relação à estabilidade do sistema, acredita-se que outra leva de empresas pode começar a considerar as implantações na prática a partir do começo do ano que vem, quando a Microsoft promete divulgar o pacote de correções Windows Vista Service Pack.

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Vista azul
Ao mesmo tempo em que são claras as evidências de que o setor corporativo ainda está mais para fase de namoro do que de casamento com o Windows Vista, a Microsoft se empenha em dizer que a aceitação do sistema é boa e que tudo corre absolutamente normal. No âmbito do varejo e pequenas empresas, a companhia chegou a divulgar, na última semana de outubro, a marca de 88 milhões de cópias comercializadas, quase o dobro do que atingiu o Windows XP em um mesmo intervalo de tempo.

“Existem empresas que usam a tecnologia como diferencial competitivo e que naturalmente adotam antes. De outro lado, existem outras empresas mais conservadoras. No caso do Vista, vejo isso de uma forma bastante natural e digo que ele está indo muito bem”, destaca Alexandre Leite, gerente geral da divisão de Windows da Microsoft Brasil.

Segundo o executivo, é natural que a migração em massa demore um pouco mais no ambiente corporativo especialmente em virtude da adequação de máquinas para o sistema. “Estamos na fase de mostrar para esse cliente as vantagens de ter uma nova tecnologia.

Uma vez decidida a substituição, temos a missão de mostrar qual a melhor forma de fazer isso. Mas de maneira geral, acho que a migração para o Vista deva acontecer mais rapidamente do que aconteceu com o XP em virtude das inovações que são mais representativas”, ressalta.

A Brasoftware, fornecedora de software para o varejo e também para o mercado corporativo, tem registrado grande procura pelo novo sistema operacional, embora reconheça que uma migração em massa não está tão próxima

“É realmente um trabalho de médio e longo prazos. Máquinas e aplicações são as questões pendentes em determinadas empresas, e que demandam projetos de testes mais complexos. Mas mesmo assim, não acho que o Vista não deslanchou”, comenta Eduardo Sukarie, diretor comercial da empresa.

Hoje, a Brasoftware está trabalhando em três grandes projetos corporativos – em uma empresa com mil máquinas, outra com 1,5 mil PCs e uma terceira companhia com 2,7 mil computadores.

Entre alguns fabricantes de PCs, a procura corporativa por máquinas com Windows Vista é expressiva. A HP, por exemplo, afirma que 90% de sua lista de preços atual já é composta por equipamentos com o novo sistema operacional da Microsoft.  No entanto, muitos dos que compram optam por levar também o CD com a versão do Windows XP, para fazer um downgrade caso necessário.

Lenovo, Dell e Positivo, procuradas pela reportagem, não se manifestaram sobre o assunto.“Estamos respeitando a decisão da empresa de migrar de XP Pro para Vista de forma gradual, para que a empresa tenha confiança no que é novo”, atesta Augusto Rosa, gerente de produtos da HP para Computação Pessoal em Empresas.

Leite, da Microsoft, ressalta que a possibilidade de downgrade já é algo que acontece desde a atualização do Windows 98 para o XP e que a Microsoft tem por prática ajustar suas políticas dependendo do retorno dado pelos clientes.

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Na ponta dos dedos
“Minhas aplicações vão rodar no Windows Vista? Meus fornecedores vão oferecer suporte às suas aplicações se eu trocar de sistema operacional?” Essas são duas das perguntas que mais têm atormentado os usuários corporativos no momento em que precisam colocar na balança a decisão de substituir ou não o software.

Segundo o Gartner, quando está em jogo uma aplicação de missão crítica, mesmo que a resposta para a primeira questão seja “sim”, um “não” à segunda pergunta pode ser o suficiente para adiar a implementação.

Da mesma forma, o suporte do fornecedor para um novo sistema operacional também não acontece do dia para noite. Só em 2003, por exemplo, alguns usuários de aplicações verticais conseguiram suporte de seu fornecedor para aplicações sobre o Windows 2000. Leia-se apenas três anos depois do lançamento do sistema operacional.

Essas duas perguntas, além do questionamento sobre a estabilidade do sistema e segurança têm influenciado na decisão da maior parte dos CIOs brasileiros sobre a migração.

O COMPUTERWORLD entrevistou alguns executivos de TI logo no lançamento do Vista corporativo, em novembro do ano passado, e praticamente todos não tinham planos de trocar a estabilidade atual pelo novo Vista. E, ao que tudo indica, essa intenção de não substituir o que consideram certo pelo duvidoso, ainda permanece.

A desenvolvedora de software BRQ é um exemplo, tendo optado pelo XP na aquisição de algumas de suas novas máquinas. “A evolução sempre existe, mas ainda somos conservadores em relação ao sistema operacional. Ele ainda não está estabilizado para o usuário corporativo, além de ter uma grande demanda por hardware”, comenta José Carlos Magno, diretor de TI da empresa.

Na Spaipa, companhia que produz e distribui os produtos da Coca-Cola, Kaiser e Vittalev, a migração para o Vista só deverá acontecer – se ocorrer mesmo – em 2009, conforme aponta o CIO Cláudio Antonio Fontes.

“Em 2008 não teremos nenhuma movimentação sobre o Vista, já que é necessário, em primeiro lugar, fazer um treinamento de usuários e também em função de uma série de outros projetos prioritários. Entendemos que a migração para o Vista não era o de maior valia”, ressalta.

Hoje, a companhia tem 700 máquinas com XP e a migração, caso validada, deve começar em torno de 400 a 500 delas, segundo o executivo.

Em outros casos, porém, é a decisão mundial que acaba sendo a determinante para a migração, como no caso da Yara Fertilizantes, apesar das questões pendentes sobre compatibilidade de aplicações.

A matriz da Yara tomou uma decisão estratégica no final de agosto de que vai fazer a substituição do parque mundialmente para Windows Vista. Esse projeto está sendo conduzido pela IBM e deve acontecer no Brasil em março de 2008 com 700 máquinas.

“Criamos um ambiente de testes com Windows Vista Business e percebemos que apesar de termos garantia da Microsoft quanto às aplicações, estamos verificando quais vão de fato rodar nesse ambiente.

Alguns fornecedores ainda não têm produtos homologados para o Vista e devem acontecer alguns problemas operacionais”, destaca. Neste momento a empresa está realizando o trabalho de negociação com fornecedores para reduzir questões pendentes nesse sentido.

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Cronograma em aberto
Até agora o Windows Vista ganhou bastante espaço na mídia, blogs e fóruns de discussão, tanto para o bem quanto para o mal e não está sendo nenhum fenômeno de aceitação. Entretanto, considera o Gartner, até o momento a maioria das empresas não está pronta para implantá-lo.

Todas devem passar por um processo de preparação que leva de 12 a 18 meses. E, para conforto de muitos, a aposta é que até essas empresas estarem preparadas, a maioria dos problemas tende a estar solucionada.

Colocando o sistema operacional na balança, a avaliação é que apesar de alguns bugs remanescentes, o Vista melhorou de forma considerável desde o lançamento em novembro de 2006, tanto em termos de estabilidade quando de compatibilidade.

A Microsoft tem se tornado, segundo os especialistas, mais eficiente em distribuir patches automaticamente por meio do Windows Update e Microsoft Update, e deverá continuar nesse caminho a cada mês.

Os blogs com histórias de horror deverão diminuir gradualmente e até o final de 2007 o Windows Vista deverá ser tão estável quanto o XP. Previsão otimista demais? É esperar para ver. Mas o prazo está bem curto.

Estudo da Forrester mostra início da adoção
Um estudo recente da Forrester Research, datado de 31 de outubro de 2007, mostra que a adoção do Vista já começou entre as “early adopters” e ambientes de testes. O levantamento entrevistou 565 executivos na América do Norte e na Europa entre os meses de abril e junho e, desse total, 2% já indicam movimentações nesse sentido.

Segundo a Forrester, a adoção começou cautelosa ao longo dos seis a oito meses do lançamento oficial. As empresas norte-americanas e aquelas pertencentes ao ranking das duas mil maiores corporações globais estão liderando a adoção, com 3% delas executando o Vista.

Na Europa, entretanto, o compasso está mais lento. Muitas afirmaram aguardar o lançamento do Service Pack 1 (SP1) para tomar uma decisão nesse sentido, o que deve acontecer no primeiro trimestre de 2008.

Além disso, a padronização na plataforma Windows XP continua imbatível, passando de 67% no ano passado para 84% em 2007. E essa é uma tendência registrada mundialmente.

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