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Cisco decide demitir Carlos Carnevali após escândalos

Executivo trouxe a companhia americana ao Brasil em 1994. Seu filho, diretor de vendas, está de licença remunerada desde a semana passada

Redação do COMPUTERWORLD

23/11/2007 às 12h31

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O executivo Carlos Carnevali, que trouxe a Cisco ao Brasil em 1994, não faz mais parte dos quadros da companhia. Segundo nota distribuída pela empresa há pouco (22/11), ele foi desligado do quadro de funcionários "devido à natureza das acusações criminais contra ele e também em virtude da auditoria interna promovida pela companhia, a qual encontrou uma falha no cumprimento do Código de Conduta de Negócios da Cisco".

O executivo brasileiro foi deslocado, em junho deste ano, da função de vice-presidente para América Latina - posto que passou a ser ocupado por Jaime Valdes - para ser uma espécie de conselheiro da empresa americana de equipamentos de rede.

Carnevali foi detido no dia 16 de outubro, quando a Polícia Federal e a Receita fizeram as primeiras apreensões e prisões da operação Persona, que investiga suposto esquema fraudulento de importação de equipamentos. Naquele dia, além de Carnevali também foram detidos outros três executivos da Cisco, mas estes foram liberados após o prazo de cinco dias.

Carnevali continuou preso e, em seguida, teve sua detenção alterada de temporária para preventiva, quando foi transferido para uma casa de detenção em Guarulhos (SP), onde permanece até hoje. Além da Cisco, a distribuidora Mude, responsável por mais de 50% dos negócios da Cisco no Brasil, também teve sócios e diretores detidos no esquema.

Hoje, o juiz federal substituto Luiz Renato Pacheco Chaves de Oliveira, da 4ª Vara Federal Criminal de São Paulo, aceitou a denúncia proposta pelo Ministério Público Federal da chamada "Operação Persona". Nove dos presos tornaram-se réus em dois processos conexos, inclusive Carnevali, que vai responder pelos crimes de descaminho (importação fraudulenta) e uso de documento ideologicamente falso.

No final da semana passada, depois da divulgação de escutas telefônicas que comprometiam executivos da Cisco em uma suposta doação ao Partido dos Trabalhadores (PT) em troca de benefícios em uma licitação da Caixa Econômica Federal, o filho de Carnevali, Carlos Carnevali Júnior - atual diretor de vendas - e a gerente de contas Sandra Tumelero foram colocados em licença remunerada.

Leia a íntegra da nota distribuída pela Cisco:
Carlos Carnevali foi desligado do quadro de funcionários da Cisco devido à natureza das acusações criminais contra ele e também em virtude da auditoria interna promovida pela companhia, a qual encontrou uma falha no cumprimento do Código de Conduta de Negócios da Cisco.

A Cisco continua a trabalhar diligentemente para cooperar com as autoridades e, através da auditoria interna, entender melhor todos os fatos sobre a situação no Brasil.

Nossa revisão preliminar assim como a informação trazida à nossa atenção pelas autoridades sugere, fortemente, que um funcionário da Cisco Brasil mantinha planos para benefício próprio. Esta atividade era totalmente distinta dos interesses da Cisco, suas práticas de negócio padrão, princípios éticos a treinamento e trouxe danos significativos para a companhia.

A Cisco continuará a revisar os fatos no Brasil e a tomar medidas disciplinares e corretivas apropriadas. Se for descoberto que outros funcionários violaram a lei brasileira ou o Código de Conduta de Negócios da Cisco, estas violações serão tratadas de modo severo. A cultura e a integridade de nossa empresa demandam isto.

 

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