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Dispersão de projetos: a vilã de uma boa governança de TI

Para CEO da consultoria de origem holandesa Quint, a não integração de projetos é um dos principais erros atuais que podem levar a uma governança de TI não eficiente

Camila Fusco, do COMPUTERWORLD

14/11/2007 às 11h26

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Não é de hoje que uma sopa de letrinhas relacionadas a governança de TI faz parte do cardápio dos gestores de tecnologia. ITIL, CMMI, Cobit, ISO são só algumas das metodologias ou frameworks seguidos por diversas companhias ao redor do mundo. E não são poucas que já afirmam tirar vantagem delas: melhor entrega de serviços, aprimoramento no processo de desenvolvimento de software e melhorias na gestão de problemas são só alguns exemplos.

Mas mesmo com tais metodologias disponíveis no mercado há algum tempo – e já com atualizações como no caso do ITIL 3.0 e do Cobit 4.1 –, muitas companhias não têm tirado o máximo de aproveitamento de cada uma delas como poderiam. Tudo isso em virtude de não estabelecerem uma relação proveitosa entre os projetos que envolvem esses frameworks, no famoso esquema “muito se fala e pouco se integra”.

Essa dispersão de iniciativas é, na avaliação de Hans van Herwaarden, CEO da consultoria de origem holandesa Quint Wellington Redwood, um dos principais erros das companhias atuais em governança de TI. “Geralmente esses projetos não são conectados o que impede que as companhias extraiam mais valor de cada framework que vão implantar”, assinala. Para Herwaarden, os frameworks e disciplinas devem ser apenas parte de um esquema maior a ser integrado e com objetivos claros.

Na prática, não deveria existir um projeto único de ITIL isolado de um focado em Cobit, por exemplo. A arquitetura de algum tipo de integração como no modelo matricial é, na avaliação do executivo, o melhor caminho para o bom aproveitamento de todas as metodologias envolvidas.

Nesse sentido é que a companhia defende o modelo batizado de IPW Frameworks. Trata-se de um grande guarda-chuva capaz de abrigar melhores práticas de ITIL, CMMI, Cobit e até da lei fiscal norte-americana Sarbanes-Oxley e das diversas divisões de ISO. “É um grande apanhado de conceitos que servem para as empresas começarem  a compreender cada um deles e analisar a viabilidade da implementação. É como se fossem peças de um grande quebra-cabeça”, pontua Herwaarden.

O executivo afirma ainda que o modelo não prevê necessariamente a implantação completa de todos os frameworks ou normas, mas sim o aprofundamento só daquilo que efetivamente viabilizar transformações positivas nos negócios – o que será deduzido após a análise dos benefícios e desafios de cada um deles.

Da mesma forma, nem todas as certificações relacionadas são necessárias. As vantagens dessa abordagem, diz, estão especialmente no fato de as companhias poderem conhecer os princípios das metodologias, adotar as disciplinas que mais lhes interessem e trabalhar diretamente em um projeto para integrar processos de cada um deles.

Entretanto, como em todo bom projeto de governança de TI, o executivo ressalta a necessidade de se ter objetivos claros em termos de resultado, o famoso “saber onde quer chegar”. Isso porque, segundo Herwaarden, um erro comum, na avaliação de Herwaarden, está em as empresas embarcar na idéia de gerenciamento de serviços sem colocar os negócios no centro do projeto. “É comum as empresas colocarem muito foco em infra-estrutura de TI e deixarem de lado as discussões sobre como fazer os negócios terem melhor desempenho. É outro grande risco desses projetos”, comenta.

Tal abordagem proposta pela Quint vem ganhando diversos adeptos em todo o mundo. Segundo o executivo, só nos últimos meses foram 300 grandes projetos realizados globalmente nessa linha.

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Diferenças regionais
Embora a abordagem de múltiplas metodologias têm agradado, existem diferenças regionais significativas em relação ao aprofundamento de cada uma delas, segundo o executivo. Na Ásia, por exemplo, treinamento e projetos de consultoria em ISO 20.000 se sobressaem, enquanto na Europa, berço do ITIL, o modelo se destaca em termos de maturidade.

Na América do Norte, especialmente Estados Unidos, em virtude dos escândalos fiscais ocorridos recentemente, treinamentos e projetos de consultoria relacionados a Sarbanes-Oxley se sobressaem, mesmo entre empresas que não necessariamente estejam submetidas a essas regulações. Muitas optam por conhecer princípios de transparência e até mesmo em aprofundá-los para melhorar seus processos internos.

Em outro ângulo, ITIL também ganha destaque, embora não com o mesmo fôlego do Canadá – já bastante avançado nessa área. “Os Estados Unidos são um tanto mais resistentes a coisas que vêm de fora, como o ITIL, criado na Europa, mas mesmo assim ainda existe um índice grande de adoção”, comenta.

Já a América Latina é considerada um dos mercados de maior potencial na área de governança de TI para a Quint, em virtude da abertura e disposição para implantar novos conceitos, especialmente da biblioteca britânica. Segundo dados da EXIM, órgão certificador, só no ano passado o Brasil representou 5% do volume mundial de ITIL Foundation, com 8 mil certificados. “Particularmente a região da América do Sul é sempre receptiva a novas tendências em governança procedentes de outros países”, diz.

Preferências por metodologias à parte, a tendência é que a procura por consultoria e apoio em projetos de governança de TI cresça gradualmente em todo o mundo, chegando a superar a fase atual de disseminação de conceitos. Herwaarden destaca que hoje a procura por treinamento em frameworks quase empata com a demanda por consultoria e implantação de projetos, o que denota fase de amadurecimento da governança de TI nas corporações globais. No entanto, à medida que esse ciclo de aprendizagem se completa, devem aumentar os serviços relacionados a projetos efetivamente.

Hoje projetos de consultoria representam cerca de 55% da receita da Quint no mundo e os de educação, os 45% restantes. Já nos próximos anos a previsão é de chegar à proporção de 75% consultoria frente a 25% de treinamento, segundo o CEO. “Nessa fase de amadurecimento acredito que as empresas vão perceber os benefícios de se ter projetos integrando diversas metodologias, dará ainda mais inteligência ao controle da TI”, resume.

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