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Deixe as metas e planos de negócio de lado

Eric Briys, professor da Universidade Livre de Bruxelas, ensina a ter sucesso na economia da era da inspiração

Marina Pita

08/11/2007 às 17h44

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O professor da Universidade Livre de Bruxelas, Eric Briys, entende que as empresas estão enganadas ao impor metas rígidas e acreditar em planos de negócio de cinco anos. Para ele, a maioria das empresas ainda não entendeu que, na nova economia, é preciso considerar a não linearidade dos eventos. Para ele, o exemplo de gestão que compreende a nova dinâmica é o Facebook, porque age integrando comunidades e não se fechando em números e métricas.

Respeitado economista, ex-diretor na Europa do Deutsch Bank , Merril Linch e Lehman Brothers, Briys explica que saímos da economia da transpiração, em que as regras para estabelecer o preço dos produtos e a margem do lucro funcionavam. Agora, vivemos a economia da inspiração, em que altos investimentos são necessários para formular apenas o primeiro produto para depois ele ser quase que somente copiado, praticamente sem custo adicional. Explica: “Hoje o maior custo de um produto é sua idealização e construção, como os softwares, que depois são simplesmente replicados”. Mas acha necessária uma ressalva, um tênis da Nike também segue a lógica da nova economia, que não está restrita às tecnologias. 

Para ele, a mudança de paradigma exige uma nova atitude dos gestores do negócio. Como certificar-se de que uma idéia nascerá? Mais ainda, como garantir que ela será um sucesso? Simplesmente aceitando a não linearidade dos negócios e entendendo que a comunicação e o contato com uma quantidade razoável de grupos organizados, comunidades, só pode ser benéfica. 

Brys exemplifica citando Scott Adams, autor do quadrinho Dilbert, que ganhava milhões por mês com o licenciamento de seu trabalho em diversos países. Um dia, no entanto, descontente, avisou seu empresário que a partir daquele momento gostaria que todas as suas tirinhas saíssem com seu e-mail. Ele imaginava que assim receberia feedbacks de seus leitores. Adams passou a receber elogios mas, principalmente, muitas idéias para novas tiras. “Gente que tinha preguiça de tornar aquilo um desenho, mas que captava a idéia do Dilbert”, diz. O resultado é que mais de 90% das idéias para seus quadrinhos são adaptações de idéias provenientes de sua comunicação com leitores. 

Segundo Erick, o gestor da nova economia deve ter um “comportamento adaptativo em vez de metas rígidas”. Segundo ele, é isso que empresas como Amazon e Google fazem. “Essas empresas, assim como a Facebook, se esforçam para entender o que seus clientes precisam. Pensam formas de se aproximarem deles, sem necessariamente ter o total controle das informações”, afirma. 

“A forma de gestão de negócios baseada em metas e planos rígidos engessa os profissionais e, além de impedirem a inspiração, estimulam também a trapaça”. Para ele, “muitas empresas esquecem que a margem de lucro é uma fração e que as frações são compostas de divisores e dividendos. Isso significa que os executivos podem simplesmente diminuir o dividendo e alcançar a meta sem criar valor para o negócio. Depois simplesmente mudam de corporação”.
 
Atualmente, Briys é presidente da Ciberlybris (www.cyberlybris.com), uma biblioteca virtual com 6000 volumes sobre administração, blogs, arquivos com material de empresas etc., que está hoje presente em mais de 25 escolas de negócios ao redor do mundo.
 

 

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