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13 tecnologias móveis que vão mudar a sua vida

Analistas, futuristas e executivos da indústria apontam as tecnologias de mobilidade que vão emergir em um futuro próximo

IDG News Service

31/10/2007 às 13h20

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Já é corriqueiro para muitos de nós hoje que possamos checar e-mail no telefone celular. Mas não muito tempo atrás, esta era uma tecnologia que rompia padrões, que mudou a forma como fazemos negócios e permanecemos em contato com as pessoas quando estamos longe de casa ou do escritório.

O que traz a seguinte questão: que novas tecnologias móveis vão emergir nos próximos anos que deverão mudar as nossas vidas? A questão foi colocada a um grupo de analistas da indústria, futuristas e executivos de fornecedores chave do mercado, um grupo calcado na realidade e não na fantasia.

Mesmo assim, eles sugeriram 13 tecnologias que irão fornecer um acesso móvel amplamente melhorado, além de melhores dispositivos e aplicações. Algumas dessas tecnologias capazes de mudar a nossa vida estão bem próximas, enquanto outras são para um futuro mais distante.

Elas não são tecnologias isoladas. Pelo contrário. A maior parte delas está interligada de forma que uma não será possível antes que a outra esteja amplamente disponível. Mas todas elas, à sua maneira, vão ampliar significativamente a forma como os indivíduos e as empresas usam seu telefone móvel. Vejamos o que o futuro nos reserva.

1) WiMax móvel
A Sprint Nextel disse que vai lancer o serviço móvel Xohm WiMax comercialmente em uma série de cidades em abril do próximo ano, além de pretender ampliar o escopo de cobertura para novos municípios ao longo dos próximos dois anos, até 2009. Isso tem o potencial de ser um divisor de águas no mercado, segundo os experts.

“Se você olha para 2009 ou 2010, WiMax vai ser alguma coisa revolucionária em termos de banda larga sem fio”, disse Brian Clark, executivo da  M/C Venture Partners. “Isso começa a se equiparar a uma oferta DSL”, acrescentou.

A Sprint afirma que a velocidade típica do Xohm vai ser entre 2 Mbps e 4Mbps. Enquanto a operadora ainda não deu detalhes de preço, ela já deixou claro que pretende oferecê-lo em patamares competitivos com o DSL e o acesso por cabo, que são significativamente mais baratos que a conexão por 3G.

Mais radical ainda, pelo menos para uma companhia mais conhecida como operadora de celular, a Sprint não vai impor contratos de longo prazo aos clientes, mas, em vez disso, vai criar um modelo de assinatura.

A Verizon Wireless disse que vai implantar uma tecnologia concorrente chamada LTE (long-term evolution),, que vai permitir velocidades de conexão similares ao Xohm da Sprint. No entanto, muitos observadores acreditam que a LTE e outras tecnologias semelhantes não estarão disponíveis antes de 2011. Naquele período, os fornecedores acreditam que o WiMax já terá chegado a velocidades potenciais de 1 Gbps.

Por que é importante: muitas das demais tecnologias inovadoras discutidas aqui requerem acesso rápido e a um preço acessível.

2) Redes Multihop
Alguns pesquisadores e futuristas acreditam que as redes de transmissão multihop irão, eventualmente, suplantar tecnologias como WiMax e LTE. Com essas redes, sinais sem fio irão rotear-se através de uma série de pontos de acesso. Como a própria internet, o roteamento dos dados é variável, de acordo com as condições.

“A rede vai encontrar o melhor roteamento e a melhor maneira de transmissão”, diz Wen Tong, diretor do laboratório de tecnologia sem fio da Nortel Networks. “Eu vejo uma implantação embrionária em três anos”, completou.

Uma variação de uma rede multihop chamada de ad hoc networks poderá surgir daqui a algum tempo. “Ad hoc” é uma expressão em latim que significa “com este propósito”. Com essa tecnologia, os dados poderão ser transmitidos em cadeia dentro dos próprios aparelhos. Em outras palavras, seu telefone móvel será também um ponto de acesso móvel.

“A definição da qualidade de uma ad hoc network é que ela não tem infra-estrutura”, disse Anthony Ephremides, professor de engenharia elétrica e computacional da Universidade de Maryland. “Eu imagino se ela estará pronta em um período de cinco a 10 anos”, acrescentou.

Por que é importante: Essas redes vão estender o acesso para lugares onde hoje não há nenhuma tecnologia disponível, sem a necessidade de implantar uma infra-estrutura. Por isso, essas redes estão imunes a catástrofes. Isso explica porque, diz Ephremides, as Forças Armadas estão patrocinando uma série de pesquisas em ad hoc networks.

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3 e 4) Femtocells e convergência fixo-móvel
Ambas as tecnologias permitem que você tenha um único aparelho e uma linha com os quais podem se comunicar virtualmente a partir de qualquer lugar.

Uma femtocell – inicialmente chamada de Access Point Base Station - se parece um pouco com um roteador WiFi, mas ele desempenha a mesma função em casa ou no escritório na medida em que as estações radiobase instaladas em prédios na base das torres de celular.

Eles se comunicam diretamente com seu celular e carregam o sinal para uma rede mais ampla através de uma linha de banda larga como DSL ou cabo.

“Operadoras irão oferecer femtocells da forma como as operadoras de cabo oferecem cable modems”, disse Paul Callahan, vice-presidente de desenvolvimento de negócios de femtocell da Airvana. “Elas lhe darão cinco barras em casa”.

Isso significa que você terá a possibilidade de cavar sua própria linha e usar seu celular em qualquer lugar. A Sprint oferece femtocells, em testes piloto, para clientes de Denver e Indianápolis, no mercado americano. Ela cobra 15 dólares por mês por pessoa e 30 dólares para uma família. Os assinantes podem fazer quantas chamadas locais e nacionais quiserem.

A T-Mobile USA lançou seu programa de convergência fixo-móvel Hotspot@home no mês de junho, o que exige um telefone celular que suporte tanto o padrão WiFi como acesso a rede de telefonia móvel.

Dentro do aparelho está um software que permite que, por exemplo, você caminhe dentro de sua casa ou escritório enquanto fala no celular e tenha a chamada feita por voz sobre IP ou rede WiFi. A T-Mobile cobra 30 dólares por mês para chamadas locais e nacionais ilimitadas.

Por que é importante: Ter um único aparelho e uma única linha telefônica é uma grande conveniência e oportunidade de economia de recursos. Além disso, algumas das aplicações que serão discutidas mais tarde dependem da habilidade de encontrá-lo, onde quer que você esteja. Usar apenas um celular torna isso mais viável.

5) Minúsculos chips, que consomem menos energia
Os fornecedores de chips têm falado há muito tempo muito sobre chips menores e mais potentes, que ao mesmo tempo consomem cada vez menos energia. Agora, entretanto, o desenvolvimento de tais chips parece ter se acelerado.

“Companhias como Intel têm dedicado esforços em colocar mais transistores em um único chip e tornar seus produtos mais potentes”, diz Anthony Townsend, diretor de pesquisas do Instituto para o Futuro. O rápido crescimento dos dispositivos móveis tem acelerado essa tendência, segundo ele.

Ao ser de menor tamanho e mais eficiente energeticamente, os chips móveis do futuro também irão combinar múltiplas tecnologias como WiFi, 3G e WiMax em um único hardware, segundo os especialistas.

Por que é importante: Menores e mais potentes chips significam aparelhos e aplicações mais poderosas. Combinados com acessos mais rápidos e que permitem conexão em qualquer lugar, isso significa aparelhos que possam ser costurados com a roupa, colocados sem entraves nos ouvidos ou até implantados em seus dentes.

6) USB sem fio e com banda ultra larga
Esta substituição de tecnologia de cabo por padrões sem fio começa a se tornar viável. Reconhecidamente, elas já perderam o fator surpresa, mas eventualmente vão tornar as vidas dos usuários móveis muito mais fáceis.

Por que é importante: Pelo menos em um primeiro momento, será agradável sincronizar os dados entre os dispositivos e os desktops sem fio. Mas o real benefício será usar essas tecnologias com dispositivos móveis finos, de acordo com Derek Kerton, diretor da Kerton Group.

“Se tivermos minúsculos telefones, eles poderão usar USB sem fio ou de banda ultra larga para se conectar a um teclado”, diz Kerton. “Ou pode-se usar aparelhos finos que projetem o teclado em mesas ou paredes”, completou.

7) Reconhecimento da fala quase sem falhas
Outra aplicação móvel no horizonte é o reconhecimento da fala aperfeiçoado, que era possível com chips mais potentes.

“O reconhecimento da fala acabou não decolando porque tinha uma precisão de apenas 98% ou 99%”, diz Burrus. “Mesmo com esse nível de precisão, muitos de nós descobria que era mais fácil digitar. Boa parte dos problemas tem a ver com o poder de processamento – o reconhecimento da fala precisa de grande quantidade.

Processadores móveis mais potentes vão resolver esse problema, prevê Burrus. E a velocidade de reprodução vai soar mais natural, adicionou. Em outras palavras, tudo o que você fizer no seu teclado você estará hábil a fazer com comandos de voz se você estiver em movimento.

Por que é importante: Se você tem um celular fino que está entrando em sua orelha, comandos de voz aperfeiçoados podem significar que você não precise do teclado ou do display. Você poderá executar funções complexas como buscas na internet ou fazer compras na web só usando a voz.

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8) Displays dobráveis e e-paper
Fornecedores como Philips e Fujitsu já mostraram publicamente displays dobráveis e papel eletrônico (e-paper) em dispositivos móveis. Ambas as iniciativas vão permitir que dispositivos de espessura fina possam apresentar dados de forma clara e facilmente organizar telas.

"Você pode manter a imagem sem nenhum gasto de energia”, diz Paul Moore, diretor de marketing da Fujitsu. “Assim, eu pego um pequeno rolo de e-paper do meu bolso, desdobro-o e lá está o “New York Times”. Eu posso usar o mesmo e-paper para o jornal de amanhã.

O e-paper vai ter um dramático efeito nos laptops, prediz Moore. Isso porque quando ele estiver aperfeiçoado o suficiente vai poder suportar imagens em movimento constantemente, e não apenas imagens estáticas, o que vai lhe dar o poder de substituir laptops com telas de LCD. Com isso, o peso e o consumo de energia do laptop também serão reduzidos, afirma Morre.

Além disso, a japonesa NTT DoCoMo está testando o e-paper para substituir chaves e ícones nos telefones. Com o papel eletrônico, essas chaves e ícones podem mudar a cada aplicação e passar, por exemplo, do modo voz para modo playback.

Por que é importante: Com as telas dobráveis e o e-paper podemos facilmente ter grandes telas em nossos minúsculos aparelhos móveis.

9) Armazenamento centralizado
Acessos rápidos e ubíquos vão permitir o armazenamento centralizado em servidores remotos, o que terá uma série de efeitos, segundo Burrus.
“Você não precisa de grande capacidade em um aparelho se você puder carregar os arquivos e outras funções em um servidor centralizado”, diz Burrus.

Kerton concorda. “Que sentido faz armazenar um álbum específico de jazz em seu aparelho celular”, questiona. “Se todos fizerem isso, trata-se de um armazenamento exagerado que não faz o menor sentido”.

Por que é importante: Depois dos chips móveis mais rápidos, menores e mais potentes, as conexões ubíquas e melhores métodos de input-output, o storage centralizado é o passo final para liberar completamente os dispositivos móveis e os que os utilizam.

10) Comunicações unificadas
Grandes players de tecnologia, como Microsoft e Cisco, tomaram para si a função de unir todas as formas de comunicação, com fio e sem fio.

Um dos futurísticos ingredientes das comunicações unificadas é algo chamado de “superpresença”, que é como uma versão sobrecarregada de troca de mensagens instantâneas que deixa você saber se qualquer companheiro está online.

Neste caso, a superpresença também pode fornecer informações como o melhor método de, em um dado momento, se comunicar com uma pessoa ou ainda estimar quando ela chegará em um determinado local. Usuários vão criar regras que possam dizer, por exemplo, se eles podem ser interrompidos por sua esposa ou seu chefe, mas não por outros, por exemplo.

Outra parte dessa estratégia inclui tecnologias já mencionadas, como a convergência fixo-móvel, porque elas tornam mais fácil localizar e se comunicar com as pessoas. Outros dois ingredientes  são a habilidade de rotear comunicações de forma transparente de um indivíduo através de redes diferentes e a habilidade de compartilhar aplicações em tempo real com essas diferentes redes.

Por que é importante: Uma palavra descreve a razão: produtividade. Por exemplo, times de trabalho distantes uns dos outros podem interagir de forma muito mais eficiente e trocar idéias e outras informações de missão crítica.

11) Comércio móvel
No Japão, os usuários de telefones celulares passaram a usar tecnologias que transformam seus aparelhos em terminais de pontos de venda para comprar coisas.

A novidade chegou ao Ocidente, também, e empresas de cartão de crédito e fornecedores de celular estão promovendo testes. As companhias afirmam que esta tecnologia tem outras funções.

Por exemplo, você pode usar seu celular próximo do cartaz de um show para fazer download com informações do espetáculo e comprar os ingressos. Também pode usar o aparelho nas proximidades de um quiosque e ganhar descontos digitais.

Por que é importante: Absoluta simplicidade. E você ainda pode facilmente dividir as informações com seu sistema de controle de contas instalado no desktop.

12) Segurança móvel
Com certeza, a segurança é necessária no comércio móvel e em muitas outras gerações de aplicações que virão. Burrus afirma que não apenas os celulares do futuro serão seguros, mas ainda serão usados em outros contextos para assegurar a segurança.

“Teremos novos níveis de biometria”, diz ele. “Se o seu telefone está em seu ouvido e cada pessoa tem um canal auditivo diferente, o celular pode identificar seu dono. Essa é uma forma de biometria. Da mesma forma, todas as pessoas têm timbres de voz diferentes. Ou o telefone pode distinguir o conjunto de vasos sanguíneos em meu ouvido”.

Também existe o reconhecimento das impressões digitais, já comum em laptops. O melhor desses recursos, no entanto, é que a segurança pode ser checada automaticamente, tornando cada transação segura mais fácil e rápida.

Por que é importante: Além de proteger suas transações e seus dados, você estará apto a usar seu aparelho móvel para garantir a entrada em áreas seguras da companhia e mesmo no aeroporto.

13) Realidade multiplicada
Imagine olhar para algo no mundo real, como, por exemplo, um prédio, através de seu telefone móvel. Em seguida, coloque uma camada virtual sobre isso. Soa como um jogo, mas isso potencialmente envolve aplicações bastante reais, de acordo com Townsend.

“Isso pode ser útil em qualquer aplicação em que se queira simular algo, como um arquiteto que trabalhe em um site de construção ou um bombeiro que queira visualizar os próximos 10 passos de sua rota”, afirma. Outra possibilidade: um cirurgião em um procedimento cirúrgico complicado.

Por que é importante: a realidade multiplicada pode nos ajudar a entender o desconhecido no tempo real. Isso vai levar a uma maior segurança, maior flexibilidade e melhores cuidados com a saúde.

David Haskin-Computerworld, EUA

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