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90 dias com o iPhone

Um especilista em dispositivos móveis descreve sua experiência com o iPhone e escolhe as três melhores e as três piores coisas do aparelho

Al Sacco

15/10/2007 às 18h41

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Hugh Scott ama seu iPhone. Scott, VP de IS para a divisão de atacado da Direct Energy, uma revendedora de energia que fatura anualmente US$ 8 bilhões, é um profundo conhecedor de dispositivos móveis: seu pessoal de TI controla cerca de 500 smartphones.

Mas mesmo Scott, que há sete meses se auto-classificou como “um fã incondicional do Blackberry,” não espera a perfeição do iPhone, especialmente para os negócios. Scott conversou com o repórter da CIO Al Sacco sobre as razões que o levaram a comprar o dispositivo; quais são as melhores e piores atributos, e porque a Direct Energy não pretende adotá-lo:

Eu adoro e desejo novidades tecnológicas. Prefiro ainda mais aquelas que ninguém possui. Então, quando ouvi sobre o iPhone, decidi comprá-lo imediatamente. Em primeiro lugar, ele é fantástico. Devo confessar, eu era um fã da Apple muito antes dos rumores sobre o iPhone surgirem. Tenho três iMacs e três iPods. Amo as interfaces intuitivas, e amo a aparência deles, desde a tela fina e articulável do iMac do meu home office até a pulsação do iBook da minha esposa, na mesa da cozinha.

Alguns poucos fatores me fizeram pensar que deveria esperar para adquirir o iPhone: não é um dispositivo 3G, a câmera tem apenas 2 megapixels e a Apple inevitavelmente reduziria seu preço antes da festas de final de ano. Mas, assim que vi o primeiro iPhone ao vivo, corri e comprei a versão de 8GB. (Por que eu ia querer algo a menos?) Isso foi no dia 2 de julho, menos de uma semana depois se seu lançamento nos Estados Unidos. Como todos que aguardaram ansiosamente o lançamento do iPhone, minhas expectativas eram altas. O aparelho correspondeu? Definitivamente.

No começo, achei o iPhone muito caro – obviamente não o suficiente para me fazer deixar de gastar US$ 599  - mas desde que a Apple anunciou o reembolso, penso que o preço do aparelho é justo. Sendo um usuário anterior a isso, fiquei um pouco decepcionado quando o CEO da Apple, Steve Jobs, anunciou a redução do preço. Agora entendo que ele me fez um favor: Posso usar o crédito de US$ 100 em um iPod nano para o presente de aniversário da minha esposa!

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Uso o BlackBerry 8700c como celular desde que eu me lembro, de forma que o iPhone promoveu uma verdadeira despedida. Como já sabia que o parelho não é 3G, imaginei que a velocidade de transmissão de dados seria inferior a de smart phones mais poderosos. Mas eu sou um cliente Cingular há algum tempo, e estou acostumado a sua nem tão incrível velocidade na rede de dados. Então, quando a AT&T comprou a Cingular e resolveu investir em sua rede – pouco antes do lançamento do iPhone – eu realmente notei uma melhora, de forma que não estava realmente preocupado.

Quanto à qualidade de voz, tanto meu BlackBerry quanto o iPhone usam a rede AT&T e não notei nenhuma diferença nas ligações. No entanto, somente o iPhone dispões de um botão lateral que me permite alternar entre os modos silencioso e normal. Outra legal: quando estou ouvindo uma música com o fone de ouvido e alguém liga, o volume da música baixa lentamente e começa o toque do telefone.

E-mails precisam funcionar, música não
Acessar e-mails pelo iPhone é fácil, apesar de a única forma de puxá-los é por meio de uma conta de e-mail do Yahoo, que eu possuo. Pra outras contas como AOL ou Gmail, o iPhone checa o servidor POP a cada minuto ou dois e entrega as novas mensagens. Esse sistema pode ser inviável para uso profissional – e por essa razão, a RIM e outras companhias que oferecem tais serviços de mensagens estão na cola da Apple.

A duração da bateria do iPhone não é a mesma do meu BlackBerry, mas não fui surpreendido por isso. Uso ele em uma série de vôos transatlânticos, para áudio e vídeo, muito mais do que como telefone no resto do dia. Então, contanto que eu o carregue todas as noites, a duração da bateria não é um problema.

O tamanho do dispositivo é impressionante; muito mais fino que meu BlackBerry. Carrego o último em um estojo, mas posso simplesmente escorregar o iPhone para meu bolso sem causar nenhum desconforto ou estranheza. Isso significa que eu posso carregar ambos sem recorrer a múltiplos estojos ou ter de lidar com bolsos sobrecarregados.

As três coisas que eu mais gosto no meu iPhone são a interface baseada na tela sensível ao toque, suporte Wi-Fi e media player de ótima qualidade que elimina a necessidade de carregar um iPod.

A Apple fez um ótimo trabalho ao criar uma interface intuitiva e de fácil utilização. A tela touch é simples e divertida. E, apesar de não acessar e-mails de forma tão eficiente quanto no BlackBerry, posso navegar em diversos sites e acessar aplicações de uma forma inimaginável antes dele.

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Por ser Wi-Fi, não preciso me preocupar com a velocidade da rede de dados da AT&T já que estou cercado de hotspots: Wi-Fi pode ser muito mais rápido do que a velocidade média da rede EDGE de 100 Kbps. Usar Wi-Fi reduz significativamente a vida útil da bateria do iPhone, mas quando existe uma rede de força próxima, essa não é realmente uma questão.

No passado, eu garregava um iPod para onde quer que eu quisesse um media player. Agora meu iPod está no meu telefone e é ainda mais divertido de usar por conta da tela sensível ao toque. Para melhorar, ainda posso baixar as músicas de Bob Dylan e do KT Tunstall sempre pela rede Wi-Fi.

O que eu mudaria
Se pudesse mudar três coisas no meu iPhone, eu faria ele 3G, adicionaria as funções corte e cole e um gravador de vídeo.

Adoraria que o iPhone fosse 3G, assim eu navegaria nas páginas da web e baixaria conteúdo na rede UMTS/HSPDA da AT&T em velocidades superiores a 700Kpbs, comparado com a média de 100Kpbs oferecida na EDGE. O que você faria com a velocidade extra, você pergunta? Para ser honesto, não sei, mas isso não significa que eu não queira o telefone mais rápido do mercado. Tenho certeza que encontraria uma utilidade.

O aparelho certamente requer os comandos cortar e colar e isso é problemático para mim. Quando quero enviar partes de um e-mail ou documento, não há como transferir esse conteúdo em uma nova mensagem a não ser redigitando.  Essas são funções encontradas na maioria dos smartphones hoje, de forma que intui que estivesse ali, até que não pude usá-las.

Apesar da câmera digital de 2 megapixels, o iPhone não oferece nenhuma funcionalidade para gravar vídeos. Essa função me parece óbvia para constar em um aparelho tão interessante, e foi uma das coisas com a qual me surpreendi.  Novamente, o meu desejo pelo gravador é em manter o aparelho como acessório para meu estilo de vida. Provavelmente usaria somente para eventos familiares como os jogos de futebol do meu filho, mas ainda assim desejo um gravador de vídeo.

Continuo a usar meu Blackberry como telefone para os negócios, mas o iPhone passou a ser meu telefone pessoal. Não o uso para negócios, apesar de acessar os recursos de mídia durante os percursos que realizo por conta do trabalho. Os dois aparelhos provêm soluções para partes diferentes da minha vida: trabalho e vida pessoal.

Não acredito que o iPhone seja um tipo de exterminador do Blackberry. Eles são feitos para diferentes fins. Por enquanto, não posso depender dos meus e-mails no iPhone como no BlackBerry, mas também não posso checar os resultados das partidas de futebol com a mesma facilidade, ou assistir ao último vídeo da moda do YouTube no meu BlackBerry como no iPhone.

Não na minha empresa
Nós não trabalhamos com o iPhone na Direct Energy. Na verdade, não trabalhamos com nenhum smartphone além do BlackBerry, já que fizemos investimentos significativos nesse sistema e em medidas de segurança para ele e confiamos que a ferramenta de acesso é confiável e segura. Ainda resta saber se existe algum problema de segurança associado com o iPhone. Acho que a Apple fez um bom trabalho ao lidar com os problemas noticiados oferecendo pequenas modificações no sistema.

Acho que o iPhone poderia ser usado nos negócios, mas provavelmente se encaixaria melhor em corporações cujo ambiente é composto por computadores. Assim, os usuários poderiam facilmente sincronizá-lo com calendários, etc. Para que o iPhone seja encarado como um aparelho para negócios, a Apple precisa aproximar-se da RIM e oferecer uma solução para puxar e-mails fácil de integrar com o ambiente da maioria das corporações, ou seja, da Microsoft.

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