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5 passos para uma boa mudança de emprego

Administrar o estresse que acompanha a nova posição e conquistar entrosamento são fundamentais para o sucesso

Susan Cramm

11/10/2007 às 12h02

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O simples fato de começar um trabalho novo atrapalha as chances de uma transição bem-sucedida ou, pelo menos, sem traumas. Justamente quando você precisa estar em sua melhor forma, uma imensa ansiedade o invade — uma ansiedade que bloqueia seu julgamento e suas habilidades sociais. 

Sua ansiedade é justificável porque você está consciente dos riscos. Estudos apontam que as taxas de fracasso dos novos executivos ficam entre 40% e 50%. Há muito o que aprender e muitas expectativas não-explicitadas, tornando o processo de transição estressante. 

A pesquisa comprova o que já sabemos intuitivamente: fracassos ou reveses durante a transição ocorrem porque líderes recém-nomeados não conseguem fazer progressos enquanto estão mergulhados tentando fazer o trabalho. O conselho de aproveitar as primeiras semanas para perguntar, ouvir e aprender é bom, mas difícil de seguir. Os executivos, com freqüência, acham que esta não é uma fase de tolerância porque sentem que seus novos colegas respondem com uma impaciência velada.

Eu tinha um cliente chamado Philip que insistia em querer ajuda para desempenhar uma nova função, mas não conseguia fazer progressos nas tarefas do treinamento. Seu comportamento, apesar de irracional, era compreensível. Ele sentia que estava sendo afogado por ondas de prazos, reorganizações, problemas interpessoais e desafios de alocação de pessoal. Tive de ameaçar deixá-lo – uma verdadeira terapia de choque – para fazê-lo pensar racionalmente sobre suas prioridades.

Múltiplas demandas inerentes à mudança de emprego contribuem para aumentar a ansiedade. Daniel Goleman, em seu livro Social Intelligence, define um estado neural chamado "exaustão". Neste estado de estresse, as pessoas tornam-se muito voltadas para si próprias e têm dificuldade para se concentrar, pensar com clareza e estabelecer uma ligação com os outros. O desafio da mudança de emprego é administrar o estresse de tal forma que você possa dar o máximo tanto em termos cognitivos quanto interpessoais.

E a chave para administrar o estresse é assumir o controle, traçando um plano de transição e inserindo-o na sua agenda. Para começar, determine o que você precisa aprender – e com quem – durante a primeira semana no cargo. Depois, identifique as partes interessadas e programe reuniões com elas nas semanas seguintes. Estas reuniões têm três finalidades: estabelecer uma ligação com as partes interessadas, entender o que é importante para elas e o que você pode fazer para despertar credibilidade e transmitir seus valores e seu estilo de trabalho.

Para estabelecer uma boa comunicação, a dica são reuniões pessoais em lugares onde ambas as partes estejam relaxadas. Café e almoço são fantásticos, mas o tempo passado juntos em aviões é ainda melhor. Como bônus, o pessoal de vendas e operacional vai apreciar seu interesse em sair em campo e descobrir, por experiência própria, como é a linha de frente do negócio.

O passo seguinte é entender o que as partes interessadas consideram importante. Entretanto, tenho clientes que se sentem intimidados em relação ao que perguntar e como se comportar nestas reuniões. Digo aos meus clientes que, ao fim da reunião, eles devem ter entendido quais são os principais objetivos, iniciativas e preocupações da parte interessada, como apoiar seus interesses e quem mais eles devem conhecer.
Deixe que a parte interessada fale a maior parte do tempo, mas esteja preparado para mostrar seus pontos de vista. Seja amistoso e respeitoso, olhe-a nos olhos e revele, com clareza, o objetivo do encontro. Ao término da reunião, agradeça e diga que você vai voltar para confirmar seu entendimento e rever o esboço do seu road map estratégico após colher mais informações. Posteriormente, demonstre seu compromisso tomando alguma atitude inesperada e relevante em prol da parte interessada – por exemplo, fazendo o acompanhamento de um problema. Este tipo de atitude transmite seus valores e seu estilo de trabalho.

Depois de ter passado por metade destas reuniões (há um mês no emprego, aproximadamente), você está preparado para formular seu plano estratégico. Ele deve incluir uma avaliação da situação, objetivos, estratégias e iniciativas. Deve consistir de fases de seis, 12 e 24 meses com medições de sucesso, principais problemas e mitigações e os próximos passos.

Talvez que você não se sinta à vontade fazendo isso com as principais partes interessadas tão cedo em seu novo emprego. Uma alternativa é esboçar o road map junto com seus reportados diretos e depois analisar os resultados com as partes interessadas externas. Novamente, use sua agenda para assumir o controle marcando estas reuniões de retorno antes de criar o planejamento.

Graças a este processo simples, Philip recuperou o controle sobre seu trabalho e ao mesmo tempo garantiu o apoio e o compromisso dos que o cercam. Na realidade, este processo deveria fazer parte do repertório de planejamento de todos os líderes. Recuperar o foco é fundamental para combater a exaustão e assegurar que a dedicação a realizar o trabalho não o impeça de fazer progressos.

Susan Cramm é fundadora e presidente da Valuedance, empresa de coaching executivo na Califórnia.

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