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Pesquisadores ganham Nobel de Física com projeto de nanotecnologia

Albert Fert e Peter Grünberg dividem prêmio de US$ 1,5 milhão pela criação do sistema que permitiu a miniaturização de HDs

IDGNow

10/10/2007 às 14h20

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O Prêmio Nobel de Física 2007 foi concedido nesta terça-feira (09/10) aos pesquisadores Albert Fert e Peter Grünberg. Os pesquisadores dividirão o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (1,54 milhão de dólares) por pesquisas independentes que levaram à descoberta de um novo efeito físico, a "magneto-resistência gigante", ou Giant Magnetoresistance (GMR). O sistema permitiu a miniaturização de discos rígidos nos últimos anos e é considerado o primeiro caso real no campo da nanotecnologia.

Em 1988, o francês Fert e o alemão Grünberg descrobriram o efeito GMR em pesquisas separadas. Mudanças magnéticas muito leves geram grandes modificações na resistêncis elétrica de um GMR, que é o sistema perfeito para a leitura de dados em discos rígidos, onde a informação registrada magneticamente tem de ser convertida em corrente elétrica.

Logo, pesquisadores e engenheiros começaram a trabalhar para permitir o uso deste efeito nas cabeças de leitura. Em 1997, a primeira leitora baseada no efeito GMR foi lançada e logo tornou-se um padrão tecnológico. Mesmo as mais recentes tecnologias de leitura se baseiam em desenvolvimentos do sistema GMR.

O disco rígido armazena infomações em microscópicas áreas magnetizadas em diferentes direções. A informação é obtida por um leitor que varre o disco e registra as alterações magnéticas. Quanto menos e mais compacto o disco, menos e mais estreitas são as áreas magnéticas. Sendo assim, a leitura requer cabeças mais sensíveis para captar os dados gravados de forma mais densa no disco.

Uma cabeça de leitura baseada no efeito GMR é capaz de converter alterações magnéticas muito pequenas em alterações na resistência elétrica. O sinal da corrente elétrica e suas diferentes intensidades representam sequências de números 1 e 0.
Atualmente, cabeças de leitura bastante sensíveis são necessárias para permitir a captação de dados em HDs compactos usados atualmente em notebooks e tocadores de músicas digitais, por exemplo.

A descoberta também conta com a atuação de um brasileiro, o professor e pesquisador Mário Norberto Baibich, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que trabalhava na equipe liderada por Fert, em um laboratório em Orsay, na França.

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