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Eterno dilema: web no trabalho prejudica?

Especialistas dizem que dispersão é positiva. Você concorda?

ComputerWorld

09/10/2007 às 14h41

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Circule por qualquer escritório e você provavelmente ouvirá bipes referentes a mensagens instantâneas, games online e chats – tudo isso muitas vezes acompanhado de cliques frenéticos no mouse. Os funcionários até podem parecer ocupados, mas muitos estão passando o tempo.

Estudos ao redor do mundo sugerem que os funcionários gastam em média um quinto de seus turnos de trabalho diários envolvidos com atividades pessoais. A atração favorita? A internet. 

Patrícia Wallace, autora do livro “The Internet in the Workplace: How New Technology Is Transforming Work” – vendido no Brasil, mas sem tradução para o português – afirma que os funcionários sempre encontram formas de evitar trabalhos muito pesados.

“A questão é que agora existe algo genuinamente irresistível - e que é uma porta para o planeta inteiro -, bem ali em sua mesa. Além disso, é facilmente ignorada pelas pessoas que transitam ao redor”, afirma a escritora, também professora da Johns Hopkins University, em Baltimore.

Funcionários que têm surfado na internet no ambiente de trabalho têm passado boa parte do tempo enviando e-mails. E desse total, quase um terço das mensagens não foram relacionadas a trabalho, afirma James Philips, professor de psicologia da australiana Monash University.

Outras atrações típicas envolvem lojas ou bancos online, além de redes sociais como Facebook ou MySpace. Também não é incomum ver o status de vários usuários dessas comunidades como “no trabalho”.

Fenômeno conhecido
Companhias gastam milhões de dólares anualmente com acesso à internet, e algumas até já demitiram funcionários por abuso da internet e atividades inadequadas. No entanto, esconder essa prática de uso da internet por lazer tem se tornado cada vez mais fácil para os funcionários, como acessar a rede via telefone celular.

Filmes e programas de televisão têm também mostrado o fenômeno. O filme “Como enlouquecer seu chefe” – Office Space, em inglês –, datado de 1999, é um exemplo, assim como o seriado “The Office”, que mostra os personagens jogando um game no computador como parte das atividades diárias.

Websites dedicados a fomentar a cultura corporativa de uma forma divertida também têm crescido. Funcionários podem, por exemplo, ir ao www.overheardintheoffice.com e postar, por exemplo, comentários engraçados que foram ouvidos no ambiente de trabalho. Também é possível fazer brincar com colegas de trabalho e chefes no www.annoyingcoworker.com e enviar mensagens anônimas com comentários via e-mail.

Motivos para a distração
Em uma pesquisa recente realizada nos Estados Unidos pela consultoria Salary.com, cerca de seis em dez entrevistados reconheceram que perdem tempo no trabalho com atividades pessoais. Do total, 34% apontaram a internet como principal ferramenta para passar o tempo. Entre as razões para a dispersão, muitos indicaram tédio, cansaço por passar muito tempo no trabalho, baixa remuneração ou situação estagnada no trabalho.

Outra pesquisa mostra que quase um quinto dos entrevistados em uma pesquisa israelense, disseram que acessaram sites de sexo no ambiente corporativo. A IBM, por exemplo, demitiu certa vez um funcionário por visitar uma página de conteúdo adulto no trabalho. No ano passado, um funcionário da prefeitura de Nova York foi pego pelo prefeito Michael Bloomberg com um jogo de cartas em sua tela de computador.

Alguns especialistas dizem que o uso privado da internet no trabalho não afeta a produtividade e pode inclusive ser benéfico. “Navegar na internet para fazer compras virtuais, cuidar de suas finanças online, por exemplo, significa que o funcionário não precisará ter duas horas de almoço”, diz Wallace. “Nesses casos, acredito que a internet realmente está poupando tempo dos funcionários”.

E você? Acredita que a internet prejudica ou ajuda o rendimento dos funcionários de uma empresa? Comente abaixo.

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