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Faltam boas maneiras no trabalho

Pesquisas mostram que boa educação influencia escolha de funcionários e crescimento na carreira

05/10/2007 às 18h39

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O trabalho poderia ser muito mais agradável para todos se as pessoas adotassem práticas de boas maneiras no escritório, se ninguém esquecesse de dizer “por favor” e “obrigada” e esperassem a vez para falar.

Apenas um terço dos alto-executivos e gerentes acreditam que as pessoas de seus departamentos ou de suas organizações usam práticas de boas maneiras sempre, de acordo com uma pesquisa global da NFI Research.

Essa não é uma boa notícia para aqueles que não usam boas maneiras, porque a grande maioria dos líderes de negócio diz que isto é fundamental para uma carreira avançar.

“Dizer ‘por favor’ e ‘obrigada’, saber apertar a mão de alguém e usar os talheres adequadamente em um jantar tornaram-se tarefas ainda mais importantes nos últimos cinco anos”, de acordo com uma resposta dos inquiridos. “Não são coisas que se aprende na escola, por isso uma pessoa com essas habilidades ganha destaque.”

“A maior parte do nosso pessoal tem menos de 35 anos, o que significa que eles foram ensinados apenas pelos pais e pela escola”. Mas se as boas maneiras ainda não foram ensinadas a um gerente durante seu desenvolvimento, é pouco provável que ele irá aprendê-las com a pressão do atual ambiente de trabalho.

Boas maneiras são mais uma coisa perdida na era do faça-mais-com-menos. “A educação e a cortesia são as primeiras a sofrer em épocas de pressão e estresse”, foi a resposta de um dos questionados. “As pessoas atendem a celulares no meio de reuniões, escrevem no Blackberry e geralmente comportam-se de maneira rude”. Há a crença de que o estresse e a pressão são desculpas válidas para esse tipo de comportamento, e quando adotado por pessoas em posição superior ou de autoridade, há muita relutância em corrigi-las ou desafiá-las.

Algumas das posturas de boas maneiras não estão relacionadas com o ambiente de trabalho, mas sim com a criação.

Práticas comuns de má educação
A falta de boa educação manifesta-se de várias maneiras, algumas pequenas e sutis, outras significantes e óbvias.

“Muitos de nós trabalhamos remotamente”, diz um gerente, “sou contra aqueles colegas que comem batatas fritas durante uma conference call. Eles se desculpam, mas continuam mastigando.” Interromper os outros é outro problema comum, nota esse gerente. No entanto, se o falante estiver no viva-voz, o problema oposto ocorre. As pessoas ignoram interrupções. “Ninguém pode interromper para perguntar algo.”

Outro entrevistado: “Me surpreende que vocabulário rude esteja tornando-se cada vez mais comum no ambiente de trabalho. Cortesias passam longe. O simples fato de estar muito ocupado não é desculpa.”

Enquanto isso, e-mails são um veículo para os indivíduos ofenderem seus colegas em massa. “E-mail é o pior exemplo da falta de etiqueta comumente praticada”, diz outro entrevistado. E-mail é como gritar em um auditório. Algumas práticas de boa educação não são facilmente transferidas por esse meio. Um exemplo é o ‘obrigado’, que perde seu significado e torna-se um aborrecimento quando enviado por e-mail, principalmente em uma lista de contatos.

Boa educação é caráter
“Nós geralmente rimos do fato de dizermos ‘obrigado’ pelo menos umas 100 vezes ao dia e como é óbvio quando alguém não se importa em dizê-lo”, afirma um entrevistado. Porque isso importa: os gerentes pensam que as práticas de boas maneiras no ambiente de trabalho devem ser as mesmas praticadas fora dele.

“Educação é uma indicação de caráter”, diz um executivo. “A maneira dos funcionários tratarem uns aos outros é uma boa indicação de como eles tratarão um cliente em uma situação estressante.” No final, o uso de boas maneiras é um sinal de respeito pelo outro e, sem respeito mútuo, é difícil trabalhar de forma eficiente em equipe.

Nos negócios, boas maneiras são parte importante da imagem profissional que uma empresa quer passar para seus clientes. Elas mostram classe, independente da posição ou do seu status.

Enquanto a escalada em uma organização é baseada em desempenho e resultados, é difícil checar como um indivíduo interage com outros. “É imperativo que um bom executivo se dê bem com os colegas de trabalho, e a boa educação é o principal ingrediente,” diz um respondente.

Então, somado à competência e performance, educação deveria ser adicionada aos ingredientes necessários para o sucesso profissional.

Chuck Martin é autor de SMARTS (Are We Hardwired for Sucess?), recém-publicado. Ele pode ser contactado em chuck@nfiresearch.com

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