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TI em alta velocidade

A Formula 1 é bem mais do que pilotos e carros em alta velocidade. Por trás das câmeras, há uma grande equipe de TI correndo para a escuderia ser campeã

Paolo Del Nibletto

27/09/2007 às 16h00

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A nova sensação da Fórmula 1, o inglês Lewis Hamilton, ganhou o Grand Prix do Canadá em Montreal. O fenômeno de 22 anos largou na pole position e foi 4,3 segundos mais rápido que o segundo colocado, no treino, Nick Heidfeld. Na terceira colocação naquele dia, estava Alexandre Wurz, da Williams. Ele completou a volta 70 apenas 5,3 segundos atrás de Hamilton. È possível argumentar que Wurz, conhecido por ser o corredor da Fórmula 1 com maior conhecimento técnico hoje, foi o mais rápido na corrida, já que largou 19 posições atrás de Hamilton. Apenas três outros corredores estavam atrás de Wurz na largada de Montreal.

Ter um piloto com bom conhecimento técnico como Wurz pode ser uma vantagem considerando a quantidade de dados que uma equipe como a Williams registra, armazena e analisa. O orçamento anual de TI da Williams está entre 2 e 3 milhões de libras (US$ 4,2 milhões a US$ 6,3 milhões) e cada centavo é gasto para ganhar corridas. 

Na cabeça dessa organização está Alex Burns, o COO, que dirige o negócio há cinco anos. Burns, na verdade, é também o CIO da Williams acompanhado de uma equipe de 15 pessoas. A Williams é uma complicada empresa de porte médio com mais de 500 funcionários em um campus tecnológico de 40 hectares, em Oxfordshire, no Reino Unido. Para ele, em vez de buscar o lucro, o principal objetivo da companhia é ser mais rápida na pista do que qualquer uma das nove equipes da Formula 1 este ano. Burns descreve a importância da computação nessa operação em uma palavra: "Imensa!".

"Em um nível, nós somos um negócio de porte razoável, somos internacionais e viajamos. O andar do negócio é muito rápido. A tomada de decisões é rápida e as pessoas precisam contactar umas as outras rapidamente, o que nos pressiona para sermos móveis. Além disso, nós somos uma empresa de desenvolvimento e engenharia. Nós trabalhamos no limite da tecnologia", diz Burns.

Uma vez que um carro é desenhado e construído, ele vai para uma série de cálculos e simulações em um túnel de vento. Então ele é enviado para muitos lugares ao redor do mundo. O carro não é somente estacionado na garagem, é também conectado a dois racks de servidores e onde os dados são coletados e enviados de volta ao Reino Unido. "Isto é central no que fazemos", diz Burns

A Williams é também uma equipe com um vasto histórico. Fundada em 1977 pelo Sr. Frank Williams e por Patrick Head, a equipe ganhou 16 torneios de Fórmula 1, o último conquistado pelo canadense Jacques Villeneuve, em 1997. A Williams está entre as quatro marcas mais conhecidas da Fórmula 1, junto com Ferrari, McLaren e Monaco.

No entanto, a Williams é também uma empresa em transição. Não é mais uma equipe industrial desde que a BMW saiu do negócio. Esse fato tem influenciado o orçamento de TI, mas não mudou o desempenho dos carros e pilotos na pista, afirma Burns. A Williams agora usa motores Toyota e Burns acha que trata-se uma mudança "diferente". "Agora nós temos um fornecedor remoto para os motores. Nós temos engenheiros e pessoal de suporte da Toyota durante os circuitos, algo muito similar ao que tínhamos com a BMW", complementa.

Apesar de não ter uma equipe industrial no circuito de Fórmula 1, os pontos sensíveis da empresa em tecnologia estão mais ligados à expectativa dos funcionários do que com o escopo da operação de TI. Segundo Burns, a equipe sempre quer mais: "Eles querem mais informática, computadores mais rápidos e a exigência do sistema, que já é alta, cresce sem freios".

A coleção de dados da Williams também está em uma escalada de crescimento. No GP do Canadá, por exemplo, em três dias os carros vão gerar 8 TB de dados, que serão armazenados numa garagem e enviados para o campus do Reino Unido.

Aproximadamente oito técnicos estão trabalhando em uma garagem, sob intenso calor, já que os boxes do Circuito Gilles Villeneuve é um dos menores da F1. Os boxes de apoio são desenvolvidos especialmente pela Lenovo, usando e um banco de dados Oracle.

A maior parte dos dados é recebida por telemetria, mas existem operações para chassis e para combustível. Cada piloto e carro têm uma engenharia e quatro mecânicos. Um notebook monitora os parâmetros do motor e pode reter informações enquanto o carro está a 19.000 RPMs. A Williams geralmente desenvolve seus próprios programas por conta da natureza específica do esporte. Mas Burns admite que, de tempos em tempos, o time de funcionários emprega soluções de outros fornecedores. 

Após cada uma das sessões de treino, Wurz e seu companheiro de equipe Nico Rosberg passam duas horas lendo os dados com engenheiros para trazerem sua perspectiva para os dados coletados, diz Sam Michael, o diretor técnico da Williams. "Existe uma linha fina entre a engenharia, o carro e a fábrica e todos estão checando os dados para fazer o carro ainda mais rápido e confiável. Nada nos desacelera do ponto de vista de TI", diz Michael.

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Ele acrescenta que os pilotos contemporâneos precisam entender de tecnologia para controlar o carro. No passado, um piloto como Heinz Harold Frentzen, enquanto corria a 330 HPH, olhava por conta própria para os pneus. Hoje os pilotos precisam compreender o sistema de tração, de freio e o mapa de bordo. Existem cerca de 400 sensores em um carro de corrida, que capturam os dados para os engenheiros da equipe.  

Isto gera um desafiador arquivo para a equipe avaliar sendo que a capacidade de memória para armazená-los está no patamar dos terabytes. "Armazenamento é algo muito requisitado. Pedidos por mais terabytes estão sempre na minha mesa, e a velocidade do trafego de dados também precisa ser melhorada de um ano para o outro. Eles precisam disso imediatamente, não em horas, e em alguns casos eles já têm o maior arquivo de dados do Reino Unido", diz Burns.

A Williams tem dois túneis de vento. Eles medem o sistema de aerodinâmica do carro. Para tornar o desafio ainda maior, as corridas são extremamente diferentes, dependendo do circuito. Em Mônaco, o circuito tem curvas fechadas e é mais lento do que o circuito de Montreal. "Nós temos partes feitas especificamente para Mônaco, e é aí que entra a importância do túnel de vento", diz Burns.

Durante a temporada, a Williams devota seu tempo ao desenvolvimento de novos carros e suas partes. Eles usam ERP, CAD e um sistema de gerenciamento do ciclo de vida dos materiais para configurá-los. A taxa de produtividade é acelerada. No último inverno, a Williams produziu quatro mil novas partes. Se comparada com outros negócios de 520 funcionários, eles estão muito acima da média.

O túnel de vendo é como uma caixa-preta. Ele tem as informações, mas não diz ao pessoal de TI o que fazer em seguida, diz Burns. Um programa chamado Computation Fueled Dynamics, ou CFD, é usado para, juntamente com o CAD, realizar a análise. "É um processo de 12 meses da concepção até a pista. O chassi é feito em nove meses. Há 15 anos, ele era feito em um processo de até três meses, mas não era refinado", ele diz. "O investimento em hardware da Lenovo para o sistema CFD possibilitou a Williams multiplicar isso por três".

Outra questão peculiar é replicar a estrutura de TI a cada dois meses para as corridas ao redor do mundo. Burns acredita que esse é o maior desafio da companhia. O equipamento da Lenovo precisa ser robusto. As oito workstations da garagem precisam ser ligadas, sem fio, aos computadores do painel do pit stop.

E essa é somente a parte da corrida. Muitas outras pessoas ainda estão com seus laptops no motor home e todos eles também precisam ser wireless e conectados ao mundo por meio de um outro parceiro da empresa, a AT&T.  Além das corridas, a Williams é um negócio de porte médio com vendas, marketing e marcas. Burns explica que a cultura da empresa no escritório é a mesma das pistas, tudo gira em torno da velocidade. A única diferença é que, em vez da linha de chegada, trata-se de aumentar a velocidade da Williams para o mercado. "Trata-se de parceiros e patrocinadores e de servir aos parceiros para que eles ganhem valor em troca do patrocínio", diz ele.

A Williams é uma companhia diferente das outras que fazem produtos e os vendem com alguma margem de lucro. O negócio da Williams é atrair patrocinadores e investir o dinheiro deles para sair-se bem nas pistas. "Nosso negócio é velocidade em oposição ao tempo do mercado. Nós fazemos as coisas o mais rápido possível da concepção às pistas e o que os outros negócios fazem em um mês, nós fazemos em uma semana. Essa é a razão para precisarmos de infra-estrutura técnica que pode ser compartilhada rapidamente para fazer todos seguirem em frente"

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