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25 perguntas que o CEO deve fazer sobre software – parte 2

Outras 15 perguntas sobre software corporativo que interessam aos executivos do C-level

Capers Jones*

26/09/2007 às 12h48

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Manter os softwares sob controle não tem sido tarefa fácil. Apesar de sua importância cada vez maior para as operações corporativas, continua sendo uma tecnologia complexa, que traz quase tantos problemas quanto benefícios.

Considerando-se que um grande número de CEOs agora está na faixa dos 40 a 60 anos, é possível imaginar que eles não sabem muito bem como lidar com software. O mesmo vale para vice-presidentes de unidades operacionais como manufatura, vendas, marketing e recursos humanos. Entretanto, todas as grandes empresa automatizaram boa parte das atividades de relatório financeiro, billing, marketing e manufatura. Ou seja, software é vital para entrega de muitos produtos novos e pode ser incorporado ao próprio produto. A ignorância, portanto, é perigosa.

Este artigo discute 25 aspectos importantes que os CEOs (e outros executivos do C-level) devem entender para garantir que o software do qual suas empresas dependem seja um ativo e não um passivo para a corporação que eles controlam. As perguntas estão classificadas em cinco áreas relevantes e as respostas, em geral, são de CIOs, vice-presidentes de tecnologia da informação, vice-presidentes de engenharia de software ou outro cargo equivalente.

Os dados contidos neste relatório foram fornecidos por muitos dos meus clientes, que abrangem cerca de 150 empresas Fortune 500, centenas de empresas menores e várias agências do governo e setores das forças armadas. Um panorama mais completo dos problemas e das melhores práticas de software está descrito no meu livro Software Assessments, Benchmarks,and Best Practices (Addison Wesley, 2000).

Leia aqui as dez primeiras questões

Perguntas sobre demografia e satisfação com funcionários

1. Qual é a nossa proporção atual de profissionais de software contratados e terceirizados?
2. De quantos precisaremos daqui a cinco anos?
3. Há escassez de alguma habilidade crítica que estamos tendo dificuldade para encontrar?
4. Quais as vantagens e desvantagens de terceirizar nosso software?
5. Quais são os prós e contras da terceirização offshore?

O porcentual de terceirização é muito variável. Na maioria das grandes empresas, está na faixa de 15% a 50% do total de profissionais de software. Nos Estados Unidos, de uma maneira geral, os profissionais de software representam aproximadamente 2,5% da força de trabalho total. O porcentual varia de acordo com a indústria: nos segmentos de bancos e seguradoras, por exemplo, 7% a 15% dos funcionários têm funções relacionadas a software.

Mais de 75 diferentes grupos de ocupações estão associados a software nas grandes corporações e agências do governo, incluindo programadores, especialistas em garantia de qualidade, administradores de banco de dados, especialistas em fatores humanos e muitos outros. Se sua empresa tem mais de mil profissionais de software e está com dificuldade para identificar quais grupos de ocupações são de funcionários fixos, então tem alguma coisa errada nos departamentos de software e recursos humanos.

As grandes empresas apostam na idéia de que os melhores resultados são alcançados com a utilização criteriosa de especialistas em software. Os especialistas em manutenção e os especialistas em teste estão entre os mais procurados, assim como os administradores de bancos de dados. Como a medicina e a engenharia, software é um campo vasto demais para que generalistas possam ser especialistas em todas as fases. Muitos especialistas em software se tornaram tão populares que já há escassez nos Estados Unidos. Às vezes é preciso até pagar “luvas", como recebem os atletas profissionais. Entre outros, estão escassos os especialistas em ERP, Web e medição e ponto de função. 

Todos os executivos deveriam ter dados atuais sobre um aspecto crítico: o número e o custo de projetos de software cancelados. Os projetos cancelados particularmente preocupantes são os que resultam de estouros de orçamento e cronograma, graves o bastante para reduzir o valor do software a níveis negativos.

Obviamente, existem muitas razões comerciais para cancelar um projeto de software, como a venda de parte de uma empresa. Mas a maioria dos cancelamentos se deve a atrasos e custos muito acima do previsto, que fazem com que os projetos de software deixem de ter valor. Esta talvez seja a principal queixa dos CEOs com relação a software: os grandes projetos, com freqüência, sofrem atraso ou ultrapassam o budget.

Pontos de função estão se tornando o padrão de fato para mensurar software. O International Function Point Users Group (IFPUG) é a maior associação de medição do mundo, com 3.000 membros de mais de 500 corporações e agências do governo. Um ponto de função é uma métrica sintética composta de totais ponderados de inputs, outputs, consultas, interfaces e arquivos que os usuários identificam como significativos em um software.

Tendo em vista que o software é importante, mas difícil de controlar, um número crescente de empresas está avaliando o outsourcing ou delegando o desenvolvimento e a manutenção de software a empresas especializadas. Entretanto, nem todo contrato de outsourcing é satisfatório. Com base nas minhas pesquisas, depois de 24 meses ambas as partes estão satisfeitas em 70% dos casos e 15% apontam “alguma insatisfação por parte do cliente ou fornecedor". Dos 15% restantes, um terço tem em mente algum litígio ou já está envolvido ativamente nele.

Dados extraídos de avaliações de processos e análises de projetos apontam que os outsourcers têm abordagens de produtividade e controle de qualidade ligeiramente acima da média em comparação às empresas e indústrias que contrataram estes outsourcers. Estes resultados dizem respeito a projetos de desenvolvimento. Para projetos de manutenção, dados preliminares mostram que o outsourcing de manutenção é entre 25% e 100% mais produtivo.

Para outsourcing internacional, os resultados são mais difíceis de equacionar. Porém, contratos de outsourcing na Índia, Ucrânia, Filipinas, Rússia e China parecem ter mais ou menos a mesma distribuição de resultados que os contratos de outsourcing nos Estados Unidos, embora a margem de erro seja bastante alta.

Perguntas sobre o impacto econômico do software

1. Qual é o custo de reposição do software que temos?
2. Quantos dos nossos projetos de software são cancelados e deixam de ser concluídos?
3. Quais são as principais razões para o cancelamento dos projetos?
4. Quanto gastamos com projetos cancelados nos últimos cinco anos?
5. Quantos dos nossos aplicativos precisam de reposição imediata?

A taxa de crescimento do portfolio de projetos corporativo demonstra um aumento anual de 5% a 7% de pontos de função novos e modificados. Não são números insignificantes. Uma grande empresa de manufatura multinacional pode ter mais de sete milhões de pontos de função em dúzias de locais e laboratórios de software. Uma pequena empresa de manufatura com menos de 500 funcionários pode ter até 375.000 pontos de função.

Normalmente, uma empresa de manufatura cria 40% dos pontos de função que utiliza, aluga 30% e compra 30%. Isso também varia de acordo com a indústria: bancos e seguradoras, por exemplo, podem alugar ou comprar mais de 50% de seus pontos de função e criar menos de 30% por causa da pronta disponibilidade dos pacotes comerciais para operações bancárias e de seguros. Empresas menores compram ou alugam muito mais software do que criam; empresas muito pequenas podem comprar todas as suas funções de software.

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Além disso, muitas empresas estão migrando para soluções de software integradas como SAP, Oracle e outros pacotes de ERP. Em muitas empresas, estas soluções podem substituir mais da metade dos aplicativos desenvolvidos internamente. Entretanto, a instalação e o ajuste de ERP são tarefas amedrontadoras e com alta taxa de fracasso. Os custos de reposição variam significativamente. Nos Estados Unidos, a troca de cada ponto de função normalmente fica na faixa de US$200 a US$3.500. Em 2007, a média está em torno de US$1.200. A substituição menos onerosa é a dos aplicativos MIS mais simples.

A expectativa de vida do software é proporcional ao seu volume. Sistemas com mais de 5.000 pontos de função, com freqüência, duram de 10 a 15 anos. Uma estratégia de reposição racional tem de basear-se tanto no negócio futuro de sua empresa quanto nas variações de  tamanho e de classe do portfólio existente.

Perguntas sobre análise competitiva

1. Na nossa indústria, quais são as empresas melhores em software?
2. Se gastarmos mais em software, em que devemos gastar?
3. A produtividade do nosso software se compara à da nossa concorrência?
4. Quantos dos nossos projetos de software atrasam ou ultrapassam o budget?
5. A qualidade do nosso software se compara à da concorrência?

Cada empresa deve conhecer seus concorrentes mais fortes em seu próprio mercado, apoiada em benchmarks formais que comparam os níveis de produtividade e qualidade dentro das indústrias. Historicamente, o desenvolvimento de software tem sido mal aproveitado. Na indústria de software, como em todas as outras, existe uma correlação direta entre investimento de capital e produtividade geral. Dados coletados pela Software Productivity Research no Japão, na Europa e nos Estados Unidos States deixam claro que o nível ótimo de investimento de capital por engenheiro de software é de US$ 5.000 a US$ 10.000 para uma workstation poderosa. Esta cifra é ainda maior para ferramentas de software e suporte: US$ 25.000.

A média de produtividade de software de TI nos EUA é de oito pontos de função por homem-mês. Grandes projetos com mais de mil pontos de função têm taxas muito mais baixas, em geral um a cinco pontos de função por homem-mês. Pequenos projetos, com menos de cem pontos de função, costumam ultrapassar taxas de 20 pontos de função por homem-mês. Os projetos ágeis têm, em média, cerca de 25 pontos de função por homem-mês, assim como os aplicativos Web. O número médio de defeitos por ponto de função nos Estados Unidos é de quatro a cinco, com talvez 75% a 85% destes defeitos detectados antes da entrega para os usuários. Na entrega, um software pode ter, em média, um defeito por ponto de função.

Software de sistema e software militar apresentam maior potencial de defeitos, mas também maior eficiência na eliminação destes defeitos. Em média, a eliminação de defeitos ultrapassa 90% em software de sistema e 95% em software militar. Se você almeja conquistar excelente reputação em qualidade de software, empenhe-se em manter potenciais defeitos abaixo de 2,5 por ponto de função e em alcançar eficiência de eliminação de defeitos acima de 97% para uma taxa de defeitos entregues inferior a 0,075 defeitos por ponto de função.

Existe uma forte correlação entre altos níveis de satisfação do usuário e baixos níveis de defeitos entregues, o que é de se esperar. Entretanto, também existe uma forte e surpreendente correlação entre baixos níveis de defeitos entregues e cronogramas curtos de desenvolvimento. Tendo em vista que a tarefa mais onerosa no desenvolvimento de software é detectar e corrigir bugs, empresas avançadas que utilizam combinações sofisticadas de técnicas de prevenção e remoção de defeitos podem ter cronogramas muito curtos e níveis de qualidade muito altos simultaneamente! Organizações que adotam métodos de controle de qualidade estado da arte estão mais aptas a lidar com cronogramas curtos. As tentativas de impor cronogramas curtos sem obter alta qualidade tendem a gerar graves problemas de usabilidade, litígio e, às vezes, fracasso total.

Assim com um médico não pode conversar com um paciente sobre uma enfermidade específica sem antes fazer um diagnóstico, não se pode conversar com um CEO sobre pontos fortes ou fracos específicos sem um estudo cuidadoso. Os pontos fortes de software comuns incluem níveis de experiência e capacidades da equipe, adequação de ferramentas básicas e uso de linguagem de alto nível e de métodos estruturados para desenvolvimento e aprimoramentos. Os pontos fracos de software comuns incluem pressão excessiva do cronograma, habilidades de gerenciamento inferior às habilidades da equipe técnica, não utilização de análises e inspeções pré-teste adequadas e níveis de equipamento de capital e suporte inferiores ao desejável.

Agora que as perguntas e respostas já são conhecidas, fica faltando um ponto final importante: se sua empresa tem uma grande população de software, mas está difícil ou mesmo impossível responder às perguntas que foram feitas, talvez você precise considerar o outsourcing ou a reestruturação do departamento de software para lidar com os tópicos abordados. No geral, empresas líderes já sabem as respostas para as perguntas porque adotam programas de medição sofisticados.
Se este tipo de informação não estiver facilmente disponível, talvez você queira considerar a criação de novos postos no nível executivo que reportem diretamente ao CEO e sejam capazes de comandar as funções de software na era moderna – por exemplo, vice-presidente de engenharia de software ou vice-presidente de garantia de qualidade.

*Capers Jones é cientista-chefe emérito da Software Productivity Research

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