Home > Carreira

Os cowboys da tecnologia

CIO, com esta denominação, ainda é figura rara no campo. Porém, pouco a pouco, os gerentes de TI vão assumindo um papel mais executivo nas usinas

Cláudia Zucare Boscoli

24/09/2007 às 12h46

Foto:

Junto com o mercado, os salários no campo também avançam a passos largos, com alguns cargos tendo sido valorizados em até 50% no último ano. Mesmo assim, é difícil encontrar a figura do CIO nas usinas. Ao menos, não com este título. "O CIO ainda é, essencialmente, um técnico. Nos projetos da empresa, a TI é vista como mantenedora do sistema e não como geradora de soluções. Eu diria que é uma questão cultural", afirma Mascarenhas, da Usinas Itamarati. Ele conta que sentiu na pele a resistência financeira à modernização ao apresentar suas propostas: "Era muito difícil justificar o orçamento. Mas, com a profissionalização da gestão, pouco a pouco foram canalizando mais recursos".
 Gennaro, da Ernst & Young, aposta em uma mudança rápida do perfil técnico para o executivo. "Em um mercado de commodities, em que as margens são baixas, gerenciar custos de maneira inadequada significa prejuízos enormes. Se a tecnologia se torna condicionante para a gestão, cada vez mais ter um executivo será fundamental".
 Para aqueles que encaram o campo como um novo oeste, vale um alerta. O setor exige muita especialização e, por conta disso, costuma ser um clube fechado. "Não tem muito espaço para gente nova, porque o tempo que se leva para conhecer o negócio não é curto", diz Alves, da Trust.
 Mais à frente nesta discussão, o Grupo São Martinho tem uma equipe de 14 funcionários de TI encarregados de acompanhar o mercado e as necessidades das usinas para levar propostas às reuniões de diretoria. Mas, por ser uma empresa de capital aberto, a palavra final é sempre dada pelo conselho administrativo. "TI é caro, é verdade, mas entendemos que ela pode substituir um monte de trabalho que faríamos com mão-de-obra nossa ou terceirizada e com equipamentos antigos, defasados", pondera o CFO. Ele revela que, hoje, TI representa cerca de 25% do orçamento, mas que este valor deve cair nos próximos anos, já que todas as usinas estarão devidamente equipadas. "Com a total automação, a produção será maior sem que os custos administrativos cresçam", diz.

Leia mais a respeito dos investimentos das usinas de álcool em ferramentas tecnológicas em Energia produtiva

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail