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Um lugar no board

Há uma nova tendência: é cada vez maior o número de executivos de TI que estão ingressando nos boards das empresas

Martha Heller

12/09/2007 às 14h28

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Ao passar os dias rastreando os CIOs e as movimentações de suas carreiras, estou começando a perceber uma nova tendência: é cada vez maior o número de executivos de TI que estão ingressando nos boards das empresas. Mas isso não é de se estranhar, na opinião de Doreen Wright, CIO da Campbell Soup Company que já fez parte de vários boards nos últimos 15 anos.
"Se você observa a idade média das pessoas que compõem os boards, a maioria está na faixa dos 60”, diz. "Esta geração não é particularmente versada em tecnologia, e hoje não se faz nada sem TI.” Mas, antes de dar a largada rumo à sala do conselho, você deve assegurar-se de que o tempo e o esforço envolvidos valem a pena. Quais são os benefícios de se juntar ao board?

Desenvolvimento de liderança para executivos do nível C. "Quando você atinge um determinado nível na organização, suas próprias oportunidades de desenvolvimento se estreitam ligeiramente", aponta Elizabeth Hackenson, CIO da Alcatel-Lucent. Em junho de 2006, ela foi convidada a tomar parte no board da Serena, uma empresa de software empresarial.
"Entrei no board porque queria expandir minhas habilidades ao pensar de maneira diferente sobre uma empresa. Quando você ocupa um lugar no board, aprende a influenciar a estratégia sem controlar diretamente as operações. É radicalmente diferente do que faço no dia-a-dia."
É o que também pensa John Halamka, CIO da Harvard Medical School e do Beth Israel Hospital e membro do board da Epocrates, fornecedora de software de handheld para médicos. "Trabalho em ambientes sem fins lucrativos. Será que sei as coisas mais importantes sobre  venture capital ou como é feito um underwriting em um IPO? Existe todo um conjunto de processos de negócio que eu não encontraria em outro lugar", justifica. "Talvez um dia o hospital queira criar uma empresa e, então, eu terei todo este conhecimento."

Maior visibilidade para sua empresa. Se sua empresa ainda não é uma “celebridade”, sua atuação no board de outra organização estenderá sua marca para uma nova rede de executivos, ensina Moti Vyas, CIO da Viejas Enterprises e atualmente no board do San Diego Data Processing Center, que fornece serviços de TI para a cidade.
"Sempre que possível, realizo reuniões do board no meu escritório e peço ao presidente do board para fazer uma apresentação para meu CEO", conta Vyas. "Além de ganhar tempo, coloco meu CEO em contato com o board e diante do fato de que estou trabalhando para promover nossas metas corporativas."

Novas redes de executivos. Fazer parte do board ajuda a expandir seu círculo de potenciais conselheiros. "No board, você interage com acadêmicos e engenheiros brilhantes, e grandes VCs", diz Halamka. "Tenho acesso a este maravilhoso grupo de executivos e posso perguntar-lhes como lidariam, em sua indústria, com um problema espinhoso que estou enfrentando na minha." Agora que você está salivando com os benefícios suculentos de participar do board, vamos a alguns conselhos práticos. A maioria das nomeações para o board em grandes empresas de capital aberto é feita através de um convite. Você não pode “pedir” para fazer parte do board. Se ao longo de sua carreira você se destacou como um líder da indústria em uma empresa Fortune 500, pode comentar que está interessado em participar de um board. Os recrutadores vão começar a telefonar. Caso ainda não tenha atingido este estágio na sua carreira, precisa se esforçar um pouco mais.

Comece pequeno. "Se você não tiver nenhuma relação com os recrutadores que estão colocando diretores em grandes empresas, talvez deva começar pequeno", orienta Wright. "Muitas empresas de tecnologia e de consultoria em TI de pequeno porte receberiam com prazer a colaboração de um CIO."
Em uma pequena empresa de tecnologia, além de ter mais chance de usar suas relações para proteger um assento no board, você aprende muito antes de passar para questões maiores . "Há poucas coisas operacionais e procedurais que podem derrubá-lo", diz Wright. "Uma empresa menor é um bom lugar para aprender."

Crie relações diretas com o atual board. Existem duas maneiras de entrar em um board, segundo Halamka. A primeira é se firmar como um especialista ao longo dos anos através de publicações e palestras. Mas isso pode levar tempo. Se você pretende se unir a um board o quanto antes, "estabeleça relações com membros do board ou a gerência sênior da empresa", sugere Halamka Como a maioria dos grandes progressos na carreira, a nomeação para o board tem tudo a ver com suas relações.

Participe de grupos da indústria. Vyas fazia parte de um fórum de CIOs em San Diego. Durante uma reunião, fez uma palestra sobre segurança de TI. "Um dos presentes era o CEO da San Diego Data Processing Corp.", conta. "Ele gostou do que eu disse e estabelecemos um relacionamento baseado em um interesse mútuo no assunto. Um ano depois, me chamou para o board."
Depois de receber o convite e confabular com a assessoria jurídica e o CEO de sua empresa e com sua cara metade (que vai querer se preparar para o tempo considerável que você terá de dedicar à nova função), você está pronto para ingressar no board. Quem já esteve lá dá as seguintes sugestões para que você tenha êxito ao ocupar o assento que lhe foi designado.

 
Não se limite ao jargão técnico. Os CIOs recém-chegados no board se defrontam com um paradoxo: eles foram convidados por causa de seu conhecimento tecnológico, mas não querem ficar presos ao rótulo de “techies”. "Você não quer ser visto como alguém que só contribui para o road map do produto", diz Hackenson. "Embora sua zona de conforto seja a tecnologia, você precisa ser ativo em todas as discussões e participar de comitês que nada têm a ver com esta área específica de expertise."

Seja estratégico. "Como CIOs, somos totalmente voltados para suporte a aplicativos 24/7, alta disponibilidade e outras questões operacionais", explica Halamka. "Como membro do board, assumo outra postura e enfoco a trajetória futura da empresa. Você vai enlouquecer a gerência se tentar se intrometer no dia-a-dia."

Se é para se engajar, engaje-se. Todos os membros do board com os quais conversei partilham do mesmo sentimento: o board consome mais tempo do que o previsto. Entre viajar para participar de quatro reuniões por ano, ler os documentos preparatórios para as reuniões e trabalhar em comitês, são três a quatro semanas de serviço no board por ano.
Independente das outras demandas de seu tempo, "participe de todas as reuniões", aconselha Vyas. "Parece básico, mas muita gente não faz isso. Se na hora do segundo mandato os membros decidirem que você não está engajado, não será convidado a voltar."

Martha Heller é managing director de Prática de Liderança de TI na empresa de recrutamento de executivos ZRG.

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