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Formar uma equipe preparada e ágil, capaz de garantir máxima disponibilidade de sistemas e entregar aplicações no tempo demandado pelo mercado. Este é o principal desafio dos líderes de tecnologia das instituições financeiras

Thais Aline Cerioni

10/09/2007 às 12h23

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“A questão é como você consegue apoiar o crescimento – com novos produtos, novos canais, novas tendências – e, ao mesmo tempo, garantir altíssima disponibilidade para os clientes.” Assim Gustavo Roxo, ex-CIO e atual COO (chief operation officer) do ABN Amro Real, define o principal desafio do líder de tecnologia da informação em instituições financeiras. A frase de Roxo pode ser considerada uma síntese do que preocupa e aflige líderes de tecnologia no setor.
Em um segmento em que os negócios são essencialmente virtuais, é natural que os desafios do líder de TI sejam os mesmos de toda a corporação. Manter os sistemas disponíveis o maior tempo possível, ter tecnologias e processos preparados para atender às demandas dos clientes internos e externos e, principalmente, ter pessoas comprometidas e preparadas compõem a lista repassada mentalmente todas as manhãs pelos executivos à frente do departamento de tecnologia de grandes empresas do setor financeiro. “Guardadas as proporções de cada época, os desafios principais hoje não são diferentes do que tinha aquele que liderava a área há 40 anos”, avalia Laércio Albino Cezar, vice-presidente-executivo para a área de TI do Bradesco.
Conhecida antiga de todo profissional de TI, a disponibilidade pode ser considerada, ainda, o ponto mais crítico para o segmento. Ter sistemas indisponíveis é desagradar o cliente externo e não cumprir a função básica da organização. Por isso, o ideal, conforme ensina Cezar, é estar apto a responder o mais rápido possível a problemas, já que eles certamente irão acontecer vez ou outra. “Trabalho em uma organização global e vejo preocupação com essa questão em todos os paises”, compara Roxo, do ABN, cuja opinião é de que a situação não deve mudar tão cedo. “Mais estabilidade regulatória e a evolução das telecomunicações devem melhorar o cenário, mas o problema não tem data para terminar”, prevê.
A agilidade apontada por Cezar, do Bradesco, como uma das principais armas contra a indisponibilidade deve ser também um dos grandes trunfos dos CIOs do mercado financeiro para colocar suas instituições à frente da concorrência. Estar atento às novas tecnologias e ter profissionais dedicados à avaliação das mesmas – e de seus possíveis impactos nos negócios da corporação – são fatores primordiais para o desenvolvimento e a entrega de novos produtos ao mercado no tempo necessário para que sejam diferenciais competitivos.
Ao mesmo tempo em que a inovação constitui um dos mais delicados desafios do executivo de TI do setor financeiro, ela ganha status e, em muitos casos, chega a ter uma área dedicada. “Tenho um grupo que está sempre olhando as tecnologias de mercado e que tem como objetivo pensar naquelas que podem trazer diferenciais alinhados às necessidades da empresa”, revela José Antonio Eirado Neto, diretor de sistemas e tecnologia da BM&F.
Apesar de sempre positiva, a inovação cria um novo desafio para os CIOs: a reestruturação de processos. Reinaldo D’Errico, CIO da Indiana Seguros, aponta, por exemplo, as aplicações da mobilidade como uma das prioridades na agenda dos executivos de TI hoje e nos próximos anos – e destaca seu impacto nos negócios da corporação. “A nova tecnologia faz com que a direção tenha de buscar novas formas de fazer negócio, porque altera os processos da empresa”, aponta. Segundo o executivo, situações como essa demandam revisão de todos os processos da companhia para se identificar oportunidades de melhorá-los em parceria com as unidades de negócio.
Julio Gomes, diretor de TI do Unibanco, concorda que os líderes de tecnologia devem envolver-se cada vez mais na questão dos processos. E vai além. “Como CIOs, temos de tomar a iniciativa para definir qual o modelo operacional do banco, tanto em relação a dados quanto em relação a processos”, afirma, explicando que somente com um modelo operacional claro e alinhados aos objetivos da companhia, torna-se viável criar uma estrutura de TI flexível o bastante para atender às demandas do negócio com agilidade e qualidade. “Definir a estratégia da companhia está longe da nossa alçada. Mas ter um desenho de processos nos faz entender como agir em TI em relação a cada negócio”, aponta.
Apesar de ser considerado mais maduro que os demais segmentos, o setor financeiro enfrenta alguns desafios universais dos líderes de TI. “O CIO tem uma função básica de educar a organização sobre o que é a área de tecnologia e acho que somos muito ruins nisto”, julga Gomes, do Unibanco. D’Errico, da Indiana, concorda que a habilidade de comunicação é uma deficiência da maior parte dos profissionais de TI e que é algo que deve ser trabalhado pelos mesmos. “Às vezes, vemos oportunidades serem perdidas porque não foram comunicadas corretamente”, explica o executivo da seguradora.
O desenvolvimento da equipe também constitui questão importante na visão dos CIOs. “O principal ativo que temos não é computador, são as pessoas. E são elas que temos de preparar para que possam responder a todos os desafios que estamos mencionando”, pondera o VP do Bradesco. Um dos melhores caminhos na visão dos executivos é garantir que os profissionais mantenham-se motivados e engajados, o que se consegue por meio de treinamentos, autonomia e confiança. “O desenvolvimento da área depende de talentos. Se o time é bom, a evolução vem”, ensina Roxo.

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