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Planos de expansão

Empresas do setor industrial têm como foco o crescimento dos negócios. À área de TI cabe o desafio de estar preparada para suportar, com presteza e qualidade, qualquer decisão estratégica

Thais Aline Cerioni

10/09/2007 às 12h26

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Os indicadores econômicos apontam o momento atual como uma das melhores fases para o desenvolvimento dos negócios brasileiros. Um dos segmentos mais beneficiados pela situação favorável é a indústria, que observa taxas de crescimento da ordem de 4,8%. Para os departamentos de tecnologia dessas companhias, o momento é de garantir que sistemas e infra-estrutura estejam preparados para apoiar a expansão dos negócios, ou seja, com organização, padronização e agilidade.
A visão de que a TI é menos estratégicas no setor de manufatura ficou para trás – ao menos entre as maiores companhias do País. Ao contrário, os profissionais da área são, cada vez mais, cobrados para que assumam posturas mais engajadas ao negócio. “Líderes de TI têm de ter algumas características para que a área seja percebida como geradora de valor. As principais são liderança, empreendedorismo, compreensão da estratégia de negócios, visão sistêmica, ser um bom gestor de recursos financeiros e humanos”, resume Fábio Faria, vice-presidente de tecnologia da informação da Votorantim Industrial, que engloba todos os negócios industriais do grupo.
A companhia é exemplo de como a TI pode efetivamente criar um alicerce para o crescimento dos negócios – e de como isto pode ser um enorme desafio para o CIO. Por 30 meses, Faria e uma equipe multidisciplinar dedicaram-se não apenas à implementação do ERP único para o grupo, mas também à reestruturação dos processos.“Nossa missão era redesenhar a Votorantim”, conta o executivo.
Os resultados foram uma base de dados integrada e uma plataforma única, que deram ao grupo mais facilidade na replicação do modelo – e, com isso, base tecnológica para alcançar a (ousada) meta corporativa de triplicar o valor da companhia até 2010 . “Compramos uma empresa no Peru e, em quatro meses, conseguimos colocar o sistema de gestão já padronizado. Não foi apenas a instalação do software. Os processos utilizados no Brasil foram replicados lá, com as adaptações necessárias”, explica. Assim, segundo Faria, tornou-se mais fácil que empresas adquiridas ficassem com a “cara Votorantim”.
Na Vale do Rio Doce, palavras como ‘crescimento’ e ‘internacionalização’ também dão o tom dos trabalhos do departamento de tecnologia. Para tornar mais efetiva a atuação da área no apoio e viabilização dos objetivos de negócio, foi criada recentemente uma ‘TI global’, focada em estratégia, arquitetura, metodologias e desempenho global; enquanto a parte transacional ficou sob responsabilidade de outra equipe, com gestão própria, mas prestação de serviços por terceiros. “O objetivo dessa nova área, pela qual sou responsável, consiste em alinhar as ações de TI às da Vale, além de criar estratégias de TI para a companhia em todo o mundo, desenhar road maps etc”, explica Adriana Ferreira, CIO da companhia.
A atitude segue a tendência do setor em direção à terceirização das áreas operacionais da TI – o que deixa ainda mais claro o status estratégico da tecnologia no segmento industrial e, principalmente, realça a necessidade de os profissionais que ficam nos departamentos de TI dessas corporações desenvolverem suas habilidades de negócios. “O perfil de pessoas que vou reter como Philips está mudando. Ficaram fortes em nossa agenda itens como processos e gestão de projetos, porque nossos profissionais estão, cada vez mais, envolvidos em discussões que estão uma ou duas camadas acima da tecnologia pura”, alerta Luis Carlos Heiti-Tomita, CIO da Philips para a América Latina.
A mudança citada por Heiti deve-se à evolução da estrutura de TI da companhia para, também, aproveitar mais oportunidades de terceirização. A intenção da empresa é manter o modelo de serviços compartilhados, mas apenas com as definições de estratégia e arquitetura internamente, e execução via parceiros. “Nosso foco é usar o que temos dos fornecedores e nos concentrarmos em processos-chave e aplicações que nos interessam”, justifica.
O ar sisudo de departamentos de TI muito focados em governança e estruturação de processos não deve enganar. Na indústria, estar atento às novidades tecnológicas e ser um dos catalizadores da inovação corporativa também são desafios dos líderes de TI. Exatamente por isto, temas como SOA, mobilidade e web 2.0 já estão não apenas na pauta, mas no dia-a-dia dos executivos de TI. “Não da mais para pensar em empresa que requer agilidade e flexibilidade sem pensar em arquitetura orientada a serviços”, considera Adriana, da Vale, que garante que sua equipe já vem avaliando o conceito há muito tempo. A SOA também já realidade na Aracruz, que está realizando o upgrade em seu ERP com base no conceito. “Integração de sistemas e plataformas é um caminho sem volta”, justifica o CIO, Mário Dobal.
Na Philips, a necessidade de tornar o ambiente de tecnologia mais ágil foi resolvida com a simplificação da infra-estrutura. Na prática, a idéia pode ser traduzida, por exemplo, pela criação de uma estrutura de comunicações que combina redes dedicadas e internet ou pela utilização de e-mail como serviço. “Acredito que o ambiente que temos em casa tende a mesclar com o ambiente corporativo. As paredes que a gente coloca hoje vão deixar de existir e a divisão irá se tornar mais cinza”, prevê Heiti.
A intersecção entre os ambientes doméstico e corporativo, entre vida pessoal e profissional, surge também quando se fala em mobilidade – assunto apontando de forma unânime pelas companhias entrevistadas como uma das de maior impacto nos negócios do setor. Dobal, da Aracruz, alerta, entretanto, para a necessidade de se avaliar os efeitos colaterais das tecnologias móveis no dia-a-dia dos profissionais. E destaca a responsabilidade dos CIOs de, ao lado do departamento de recursos humanos, trabalhar a questão comportamental. “Temos muitos exemplos de executivos que respondem e-mails de madrugada. Mas será que aquilo é tão urgente mesmo?”, questiona.

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