Home > Carreira

A maneira correta de demitir

Conceito de demissão responsável chega por aqui e apresenta vantagens à imagem das empresas

Cláudia Zucare Boscoli

29/08/2007 às 12h43

failure_int.jpg
Foto:

Antes de demitir, a empresa deve traçar um plano de carreira para o futuro ex-funcionário. Ao senso comum, a afirmação pode parecer bem estranha. Afinal, qual o interesse de uma companhia em colaborar com alguém que não vai mais prestar serviços a ela? A questão é puramente de imagem, explica o consultor Humberto Guimarães, diretor do Grupo BPI.
Batizado de Demissão Responsável ou Plano Social, o conceito que Guimarães divulga por aqui vem da França, onde é lei ajudar um ex-funcionário a se recolocar no mercado. Este caminho, ele explica, além de deixar a notícia menos pesada para o funcionário e para a opinião pública, pode diminuir consideravelmente o volume das causas trabalhistas e ainda aumentar a segurança de dados privilegiados. Fácil entender: alguém demitido sem maiores explicações, que se sente injustiçado e desamparado, tende mais facilmente a querer "vingar-se" contra a antiga empresa. E se área em que ele trabalha é tecnologia da informação, então, o risco é ainda maior. "O conhecimento é o principal ativo de uma empresa e ele não pode ser levado por qualquer funcionário", defende. Confira a entrevista.

CIO - O que é, exatamente, o conceito de demissão responsável?
Guimarães - Muitas vezes, uma empresa se vê obrigada a reestruturar e demitir profissionais, sendo que eles não têm culpa disso. Por exemplo, quando uma fábrica tem de fechar. Isto repercute de maneira ruim em toda a sociedade. A economia local como um todo vai sentir as conseqüências porque, dependendo das proporções desta cidade, grande parte da renda pode vir da fábrica. O impacto à região pode ser drástico e o nome da empresa pode ir para a lama. Na França, isto é lei. Por aqui, é um conceito para as empresas que se preocupam com os funcionários.

CIO - Quais as vantagens para empresas brasileiras?
Guimarães - Ter uma boa imagem, junto ao funcionário e à sociedade. O trabalhador sai com dignidade, com um plano de carreira e uma recolocação em vias de acontecer. 

CIO - Em TI, especificamente, os funcionários lidam com dados de segurança, com informações sigilosas. Seria uma saída também para evitar fraudes, ataques ou ameaças?
Guimarães -
Sim, com certeza. Ao se preocupar com quem ela demite, a empresa diminui os possíveis impactos legais e também éticos. Se o funcionário teve uma experiência negativa, saiu com baixa auto-estima, menosprezado, a chance de ele querer processar ou prejudicar de alguma forma esta empresa é muito maior. 

CIO - E como a empresa deve agir?
Guimarães - Deve sempre prezar pela comunicação. Deve haver um projeto de demissão, com conversas com o próprio funcionário, com sindicatos, ONGs, órgãos representativos e poder público até, se necessário, dependendo do número de pessoas envolvidas. Uma consultoria pode traçar um plano para cada funcionário, ajudá-lo a fazer um currículo, a repensar a carreira, encontrar uma recolocação. Dos nossos clientes, por exemplo, 87% conseguem uma nova vaga em menos de quatro meses. O melhor é que, quando isto é feito de maneira planejada, a pessoa pega o seu FGTS, recebe orientação para aplicá-lo da melhor forma de maneira que tenha condições de se manter e manter a família até o novo emprego sair. E, no final, vê que ainda ficou com uma poupança. Acaba vendo a demissão como algo positivo em sua vida.

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail