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Um antídoto contra o desperdício

O consultor Anand Sharma alerta para o desperdício de recursos e pessoas e dá dicas para vencer a corrida contra a concorrência

Cláudia Zucare Boscoli

23/08/2007 às 14h30

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Anand Sharma, autor do livro "O Antídoto" (Pearson Education, 176 pág., R$ 55), é fundador e consultor da TBM Consulting Group e colocou em prática, dentro da Toyota, seu conceito lean manufacturing, que prega grandes mudanças culturais a partir da eliminação dos desperdícios e do estímulo à criatividade de todos os funcionários como chave para estar à frente na corrida pela vantagem competitiva.
Em entrevista exclusiva a CIO, o polêmico consultor criticou o uso de blogs e wikis na gestão de pessoas. Para ele, nada pode substituir a atenção pessoal do líder, por meio do diálogo. Também não concorda com a tecnologia se impondo aos negócios. "A tecnologia deve ser subserviente e não condutora de mudanças", afirma. Confira.  

CIO – No que consiste o conceito Lean Sigma, explorado em "O Antídoto"?
Anand Sharma –
O método Lean foi desenvolvido na Toyota mais de 50 anos atrás como forma de melhorar a responsabilidade, confiabilidade e custo dos produtos por meio da eliminação de desperdício, estimulando a criatividade de todos os funcionários. O método Six Sigma foi desenvolvido na Motorola há mais de 20 anos para melhorar a qualidade e reduzir a variação nos processos de manufatura, preparando análises estatísticas e algumas das ferramentas populares de desenvolvimento. A TBM Consulting Group combinou o melhor dos dois métodos e desenvolveu o LeanSigma em 1998, para criar uma metodologia compreensiva, melhor e mais poderosa que cada ferramenta individual.

CIO – Ao mesmo tempo em que algumas empresas, como a Toyota, conseguiram alcançar o sucesso com a redução de desperdícios, fala-se cada vez mais em customização e personalização. Como combinar os dois conceitos de forma a melhorar os processos internos e, ao mesmo tempo, satisfazer os clientes?
Sharma –
Eliminação de desperdício é somente uma parte do sistema de produção da Toyota. O coração do sistema é baseado na criação de um único fluxo para fazer produtos e reduzir consideravelmente o tempo desta produção. Esta drástica redução de tempo é um dos pré-requisitos para customização e personalização. Portanto, ambos os conceitos estão em sintonia.
 
CIO – A reestruturação de processos corporativos esbarra, inevitavelmente, em resistência do pessoal envolvido. Como líderes devem encarar essas questões culturais?
Sharma –
Hoje, a reestruturação das corporações é fraca e trata a parte mais importante de uma corporação, seus funcionários, como peças descartáveis. Um sistema de gerenciamento transformacional elimina esta situação de ganho/perda, focando em crescimento com recursos disponíveis que resultam da eliminação do desperdício de maneira que os objetivos da gerência e dos funcionários sejam os mesmos, acabando com a resistência.
 
CIO – A imagem dos brasileiros está ainda, muitas vezes, ligada à falta de organização e de metodologia. Isto pode ser um problema para alcançar a excelência em termos de processos?
Sharma –
Uma vez que se consiga envolver e incentivar seus associados a sugerirem novas soluções e a praticarem a disciplina do trabalho padrão, encoraja-se mais organização e melhor ambiente para sustentar as melhorias, até mesmo no Brasil.

CIO – Hoje, muitas companhias estão colocando nas mãos do CIO a gestão dos processos corporativos. Você vê esse movimento como algo positivo? Os executivos de TI têm as habilidades necessárias para construir processos bem-sucedidos? 
Sharma – Eu acredito que delegar a administração de processos corporativos seja um movimento perigoso e que contribui para a abdicação da responsabilidade crítica por gerentes gerais e gerentes de operações. Executivos de TI são grandes recursos para automatizar os processos de negócios, quando os gerentes de processos conseguem melhorá-los e simplificá-los. Quando falta este domínio ao dono do processo, consegue-se apenas automatizar o desperdício e acelerar o caos.
 
CIO – De que forma a tecnologia pode auxiliar na melhoria da gestão e no fim do desperdício?
Sharma –
A tecnologia deveria ser útil, subserviente e não a condutora das mudanças e melhorias.

CIO – "O Antídoto" fala sobre dar ouvido aos clientes e funcionários. A chegada de ferramentas tecnológicas da chamada web 2.0, como blogs e wikis, vêm levantando esta discussão nos ambientes corporativos. Você acredita que esse tipo de tecnologia pode ser útil na busca por um modelo de gestão mais eficiente?
Sharma
– Na minha opinião, ouvir e enxergar as necessidades desarticuladas, que eu proponho em "O Antídoto", pode somente ser feita estando fisicamente no local. E esta ação não pode ser substituída por ferramentas tecnológicas.

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