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Lições para ser um líder melhor

O que Ram Charan, consultor independente que há mais de 30 anos viaja o mundo dando conselhos, ensina aos líderes que querem ser cada vez melhores

John Baldoni

20/08/2007 às 10h16

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Pensar sobre o que você faz, e por que faz, é essencial em qualquer negócio. Portanto, alguém que seja capaz de levá-lo a isso pode valer seu peso em ouro. Pelo menos é no que acreditam os clientes do brilhante consultor independente Ram Charan. “Ele obriga você a lhe dizer o que você quer fazer”, revela John Reed, ex-CEO do Citibank. “Ele obriga você a ter em mente, com muita clareza, que coisas são essas e que passos precisam ser dados.”
Há mais de 30 anos Charan viaja pelo mundo dando conselhos. De acordo com um perfil publicado pela revista Fortune, Charan leva uma vida simples, não possui virtualmente nada (casa, carro), é solteiro e ajuda a sustentar sua grande família na Índia, sobretudo com recursos para educação. Para um homem que aconselha titãs do negócio global, ele é surpreendentemente humilde, e gosta de citar provérbios sânscritos, como “O medo, a preguiça e a ira são a ruína do ser humano”.

Fazendo perguntas
O segredo da capacidade de Charan está em sua inteligência brutal e seu conhecimento incrível. “Provavelmente ele conhece mais sobre a América corporativa do que qualquer outra pessoa”, observa um executivo. Mas ele é discreto. Para Jack Welch, um ex-cliente, Charan “possui a rara capacidade de separar aquilo que é significativo do insignificante e transferir para os outros de maneira tranqüila e eficaz, sem destruir crenças”.
Uma das técnicas de Charan é saber fazer as perguntas certas, que investigam a raiz de um problema e desafiam as pessoas a pensar profundamente sobre o que é possível, provável e factível. Os clientes desembolsam muitos milhares de dólares para que Ram Charan os desafie deste modo. Mas você não precisa, necessariamente, que um estranho lhe faça as perguntas certas. Na realidade, fazer boas perguntas é uma prática que todos os gestores podem cultivar. Eis algumas sugestões.

O que o motiva no seu trabalho? Acha básico demais? Nem tanto. Quando estamos envolvidos no trabalho cotidiano, esquecemos, com freqüência, o que nos levou a fazer o que fazemos, em primeiro lugar. Diante de dificuldades, ficamos tão enredados nos problemas que deixamos de lado o prazer daquilo que fazemos. Com esta pergunta básica, você pode chegar à raiz do que gosta de fazer. Se você está fazendo, ótimo. Se não está, qual é a solução? Que mudanças você pode promover para ter satisfação? Estas mudanças envolvem redefinir a função, redistribuir tarefas ou priorizar seu tempo com mais eficiência? As respostas a estas perguntas vão conduzi-lo ao âmago do que importa mais para você e podem proporcionar um caminho para a satisfação. (Ou apontar uma nova direção para experimentar algo novo.)

Quais desafios seu departamento enfrenta? Vamos ao ponto principal. Identificando os desafios, você domina melhor seu trabalho. Um novo concorrente está entrando na sua área e você tem de descobrir novas maneiras de competir? Seu departamento está em fase de reorganização, um chefe novo está assumindo, a eficiência está caindo? Em caso afirmativo, qual o motivo? As pessoas estão engajadas no trabalho? Não é fácil responder a estas perguntas. Elas visam a estimular o pensamento.

O que você pode fazer para vencer estes desafios? Depende de você. O que você vai fazer com relação a um novo concorrente, à reorganização ou à falta de motivação na sua equipe? Organizações com fraco desempenho costumam ser acometidas de um estado de indisposição geral em que ninguém faz nada por uma dentre duas razões principais: “não é minha função” ou “não me interessa”. Nenhuma destas razões é satisfatória. Os líderes tomam atitudes, fazem a diferença. Eles identificam o papel que têm a desempenhar para enfrentar desafios e resolver problemas. Ao perguntar a si mesmo o que você tem de fazer, você assume a responsabilidade de agir. Esta mesma pergunta também pode e deve ser feita a um colaborador confiável. Você pode ajudá-lo a vislumbrar com objetividade os desafios que há pela frente.

Como você pode ajudar seu chefe a liderar com mais eficácia? Identificar seu próprio papel na resolução de problemas é excelente, mas, como um participante ativo da sua organização, você precisa pensar além disso. Às vezes você tem de liderar, o que é diferente de gerenciar. Ambas as funções têm grande valor, porém a gestão é voltada para sistemas e processos, enquanto a liderança é centrada em proporcionar insight e direção. Quando lidera, você ajuda seu chefe a enxergar as coisas que ele deve fazer e se coloca em posição de prover bom aconselhamento e atitudes focadas.

O que você está fazendo para disseminar confiança? O trabalho é árduo, mas, se você voltar à pergunta original sobre o que o motiva, descobrirá quais são os pontos que o deixam empolgado. É resolver problemas? É ajudar clientes? É a camaradagem de trabalhar com outras pessoas por uma causa maior? Quaisquer que sejam as respostas, capte-as e transmita-as. As pessoas precisam de estímulo, principalmente em época de crise. Os líderes têm o dever de proporcionar ao seu pessoal a sensação de confiança de que “vamos vencer” e de que “temos os recursos para fazer o que dizemos que vamos fazer”. Mais importante, a confiança advém não só da realização alcançada, como também da certeza de realização futura. Ou seja, “o caminho é difícil, mas já nos saímos bem uma vez e conseguiremos de novo”. 

Acendendo o maçarico
Charan faz outra coisa que é muito apreciada: relembra seus clientes o tempo todo. “Depois que fica acertado tudo que você quer fazer, Ram telefona de 10 em 10 minutos e pergunta por que você ainda não fez”, diz o ex-CEO Reed. A capacidade de incentivar as pessoas a agir é vital e os bem-sucedidos coaches de executivos fazem isso muito bem. Em termos de ação, porém, nada fazem. Eles apenas dão o estímulo para a ação. É o executivo quem toma as decisões, e assim deve ser. Nem todo mundo precisa de (ou pode pagar) um Ram Charan, mas todos nós podemos nos beneficiar de um colega confiável que nos desafia a pensar com boas perguntas e nos impulsiona a ir até o fim.

O autor gostaria de agradecer a John Heidke, Ph.D., da Right Management (Great Lakes) por seu insight na elaboração destas perguntas.

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