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CIO x CIO

Um debate de opiniões sobre as vantagens e desvantagens da plataforma baixa e do outsourcing

Cláudia Zucare Boscoli

09/08/2007 às 12h22

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O debate de idéias de quatro CIOs do setor financeiro e um consultor sobre mainframe e terceirização aconteceu durante evento do IDC sobre mercado financeiro. Confira:

Mainframe X plataforma baixa
Wilson Nunes, Nossa Caixa – "Mantemos o mainframe, mas o que tem acontecido é que algumas novas soluções, alguns pacotes, já vêm em plataforma baixa. Isso até certo ponto acaba dificultando a administração, já que você passa a ter um conflito de duas, três aplicações distintas. Você acaba convivendo com os dois mundos. Chego a ter inveja de quem roda tudo em baixa, porque a convivência é muito mais pacífica. Outro estresse é que o perfil do profissional de TI mudou. A coisa mais difícil, hoje, é achar alguém que domine duas plataformas. A gente oferece cursos e todos acabam sendo obrigados a freqüentar. Realmente, isso gera dificuldades e você tem que contratar a peso de ouro. Hoje, você tem muito mais formação em plataforma baixa".

Laércio Paiva, Banco Votorantim – "Tivemos um grande desafio de migração para plataforma baixa. O banco teve um processo de crescimento muito grande nos últimos anos. A nossa financeira fazia 100 propostas por dia, hoje faz mais de 20 mil. Nossa carteira de clientes ativos está chegando a quase três milhões. Crescemos quase 400%. Tivemos alguns percalços, mas, agora, temos um desenho que acomoda as necessidades do negócio, o volume das transações. Essa plataforma demanda uma boa arquitetura, uma boa qualidade de software. Ela maltrata o teu ambiente com mais força se você não tiver um processo de qualidade efetivo. Mas, em relação a custo-benefício e absorção do nosso crescimento, não teríamos outra solução. Se me perguntassem se faria o mesmo em outro banco, eu responderia 'depende'. Cada contexto de negócio vai te dizer qual opção é melhor. A nossa dinâmica pede isso, mas acho que é caso à parte".  

Luiz Gonzaga, Bovespa – "A bolsa exige resposta rápida às solicitações, disponibilidade. Se alguma atrasa meio segundo, o pessoal já começa a reclamar que está perdendo dinheiro. Nos últimos cinco anos, a bolsa tem crescido 50% em quantidade de transações. Do ano passado para cá, foram 80%. Eu não sou contra o mainframe, mas me foi colocado um desafio em termos de crescimento e flexibilidade. Nossas aplicações não estavam preparadas para o desafio, nem o orçamento. Tínhamos que fazer muito mais, com uma exigência cada vez maior em termos de disponibilidade, de resposta, isso com um orçamento menor. A única alternativa era refazer as aplicações que eram da década de 80, quando o mundo era diferente e as operações em bolsa eram bem diferentes. Há dois anos não temos mais operações viva-voz, é tudo eletrônico. Fomos obrigados a criar uma nova família de sistemas. Decidimos criar uma nova arquitetura, que não era SOA, porque ainda não existia esse 'nome bonito', mas os princípios valem há muito tempo. Reestruturamos o sistema para poder fazer reaproveitamento de código, resolvemos pela plataforma baixa, sabendo dos riscos que existiam em termos de estabilidade, porque era incipiente. Mas foi uma experiência boa, com eficiência grande. Foi um projeto de quatro anos, com 62 aplicações, 60 já implantadas, duas a caminho. Estamos satisfeitos. O processo é mais complexo, mas conseguimos entregar o que a área de negócios queria dentro do orçamento, conseguindo acompanhar o crescimento do mercado. Você tem que escolher a plataforma, a arquitetura de sistemas que caiba no seu teto. Tem muita coisa nova, muita idéia que só está sendo vendida com embalagem diferente, mas é a mesma idéia da década de 70. Cada um tem que ver, na sua empresa, se é viável, se cabe. Na Bovespa, a gente se planejou, estudou e foi bem sucedido. É preciso pensar o que dá para fazer agora e o que dá para deixar mais para frente, com a maturidade da tecnologia".

Idamar Ferreira, Caixa Econômica Federal – "Não sou um defensor do mainframe. Defendo o melhor uso de qualquer coisa. A discussão não tem que ser mainframe ou plataforma baixa, tem que ser sobre necessidade de entrega. Se você pegar uma plataforma não-mainframe, o fornecedor vai te dar um índice de disponibilidade de 99,9999%. Mas três minutos fora do ar no quinto dia útil do mês na Caixa não dá para agüentar. Quanto custa o mainframe? Quanto custo o servidor? Quanto custa manter o servidor? Quanto custa manter o mainframe? Quanto custa o técnico de um e outro? É esta a história. Não tem cabimento comprar um caminhão pequeno para entregar na Vale do Rio Doce. Como também não cabe um caminhão enorme para entregar pão numa cidadezinha".

Outsourcing X insourcing
Wilson Nunes, Nossa Caixa – "Temos muita coisa terceirizada, call center, impressão, não compramos mais impressora, papel, tinta, nada. É mais barato e é mais inteligente alguém fazer isso com propriedade. Até por ser um banco público, um processo de licitação para compra de máquinas e produtos era muito difícil. Estrategicamente, foi muito melhor. Full outsourcing, para mim, não cogito. Um único fornecedor, não. Tem que fazer terceirização, mas em escala e condições propícias a isso".

Luiz Cintra, consultor – "A chave do sucesso é o comprometimento corporativo. Se há resistência, não sai ou sai mal-sucedido. O maior desafio para que um outsourcing seja bem-sucedido, seja o mais simples ou o mais sofisticado, como do data center, é empresa e CIO estarem certos. Dúvidas sempre existem. É preciso muito debate para basear a decisão. Mas não pode haver má vontade, falta de comprometimento. A mudança por trás é muito maior. É uma mudança de cultura, que envolve a coluna cervical da empresa. Se existir qualquer tipo de resistência, a relação fica muito difícil".

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