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Google Apps: uma ameaça ao Office?

A possibilidade de acessar documentos de qualquer lugar e as ferramentas de colaboração conquistam os usuários e o custo encanta o CFO. Talvez seja hora de sua empresa começar a pensar em usar o pacote de aplicativos do Google

Juan Carlos Perez

19/07/2007 às 12h16

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A Google avança no mercado de aplicativos de comunicação e colaboração com o aprimoramento do Google Apps, suíte de aplicativos baseados em web destinada a empresas de todos os tamanhos que, segundo os analistas, promete revelar-se uma ameaça ao Microsoft Office muito em breve.
Sua versão paga garante alto grau de disponibilidade e oferece ferramentas de gerenciamento, suporte técnico, capacidade maior de armazenamento de e-mails e integração com o Docs and Spreadsheets (processador de texto e aplicativo de planilhas), além de suporte a acesso via Blackberry.
Com custo de 50 dólares por usuário ao ano, o Google Apps Premier Edition é a terceira e mais sofisticada versão da suíte, que oferece ainda as opções de versão Standard e Education. Como nas versões originais, a Premier terá serviços como Gmail, calendário compartilhado e troca de mensagens instantâneas. A versão Standard já é usada por mais de 100 mil pequenas empresas e a de educação por centenas de universidades. 
A SF Bay Pediatrics, por exemplo, que tem duas clínicas médicas na região de São Francisco (EUA), implementou a edição Premier em janeiro para a maior parte de seus 25 empregados, que até então usavam e-mails individuais e de diferentes provedores. “Não tínhamos nenhum controle sobre os e-mails, e dar suporte a isso era um pesadelo”, diz Andrew Johnson, CIO da clínica. Ele conta que, com o Gmail, o desempenho e o controle das trocas de mensagem melhoraram.
Usuários também do Microsoft Office, os empregados da SF Bay Pediatrics também usam o Docs and Spreadsheets, do Google, para armazenar arquivos em um servidor central e possibilitar a colaboração. “Ainda não somos 100% usuários de software como serviço. Mas quem sabe no futuro”, diz Johnson.
De fato, Google Apps representa uma novidade, por ser uma suíte hospedada na web ao contrário do Office, que é um software instalado no desktop. E, apesar das questões de segurança e privacidade ainda serem preocupações em relação ao armazenamento de documentos em data centers de terceiros, as organizações estão adotando cada vez mais modelos de software basead em web. Isto porque economizam o tempo e o dinheiro que seriam gastos com manutenção de hardwares e softwares.
A pesquisa da Forrester Research, que analisou o Google Apps, não recomenda às companhias desistirem do Office, mas convida os CIOs a darem uma boa olhada no concorrente, principalmente porque o preço do Office é alto, explica a analista Erica Driver. Hoje, o Google Apps é apenas uma alternativa mais barata aos aplicativos Office. Mas pode-se revelar como um substituto se o Google desenvolver suas capacidades e os CIOs sentirem-se mais confortáveis com o uso de software como serviço. “A Microsoft ainda tem como reagir, mas já aconteceu uma mudança no jogo”, considera.

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A Microsoft diz que o Office vem ganhando componentes baseados em web melhores a cada ano, e acredita que esta combinação com os softwares para desktop é a maneira correta de conquistar o público. O Office Live, com cerca de 250 mil usuários, oferece uma série de serviços para pequenos negócios, como criação e hospedagem de websites, enquanto o Office Online, com 70 milhões de usuários únicos, oferece recursos do pacote baseados na internet. “Nós estamos comprometidos tanto com software como serviço como com aplicativos para desktop”, diz Kirk Gregersen, diretor de equipe do Microsoft Office. Em relação ao preço do Office, Gregersen admite que os clientes têm alternativas mais em conta, algumas até gratuitas, mas que quando as empresas decidem comprar o Office, elas tradicionalmente levam em conta outros fatores além do preço.
Alguns usuários do Office, como a Prudential Preferred Properties de Chicago, sentem o peso do valor do software, que para esta empresa sai entre 350 e 400 dólares por licença. “Nós temos instâncias em que a licença do Office custou mais que o próprio PC”, diz Camden Daily, diretor de tecnologia da Prudential. 
Na Prudential, que tem 450 empregados, o Google Apps foi a solução para um serviço de e-mail terceirizado que funcionava mal. A companhia vinha usando a versão Standard (gratuita), mas Daily acredita que apenas o Gmail vale o preço da edição Premier. “Todo o resto será como um bônus”, diz Daily, que ainda pretende comparar detalhadamente documentos e planilhas do Google com os do Word e do Excel.
A Google sabe que o Google Apps não oferece todas as funcionalidades trazidas pelo Microsoft Office, o qual tem cerca de 450 milhões de usuários em todo o mundo. A Microsoft, por sua vez, deve rever o Office Live, ao qual falta, especialmente, versões on-line dos principais aplicativos, como Word e Excel, avalia a analista Rebecca Wettermann, do Nucleus Research. Com as melhorias no acesso à internet, ela considera natural as organizações avaliarem opções de software baseados em web. Em recente pesquisa, o instituto descobriu que 51% das organizações norte-americanas usam alguma aplicação nesse modelo, seja CRM, gerenciamento de projetos, gerenciamento de conteúdo, e-commerce e colaboração.

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Quem assinar a edição Google Premier terá armazenamento de 10GB de e-mail por usuários, em comparação aos 2GB da edição padrão, garantia de 99,9% de uptime e suporte telefônico para administradores de TI, além de interfaces de programas para integrar a suíte com os aplicativos de negócios e dados.
As edições padrão e de educação do Google também estão começando a melhorar sua base de dados e as planilhas financeiras, além do suporte de BlackBerry para Gmail. “É um grande passo adiante para o Google Apps”, diz Dave Girouard, VP e gerente-geral da unidade de negócios corporativos do Google. A empresa planeja adicionar uma série de outros aplicativos antes do fim do ano. O serviço de wiki JotSpot Wiki é um dos candidatos.
A Google acredita que a edição Premier pode ser um bom complemento para o Office, sendo uma grande oportunidade especialmente para as organizações que não conseguem justificar a oferta de e-mail corporativo para todos os empregados, como algumas empresas de varejo e manufatura. Está nos planos do Google, também, a criação de um ambiente de parceiros e desenvolvedores em torno do Google Apps.

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