Home > Carreira

Excelência profissional é aqui

Na segunda edição do prêmio Melhores Empresas para Trabalhar – TI e Telecom, COMPUTERWORLD e Great Place to Work Institute reconhecem os esforços de 40 empresas, que têm em seu DNA a certeza de que as pessoas fazem a diferença para seus negócios

Computerworld

19/07/2007 às 13h04

Foto:

Provavelmente um dos temas mais abordados no último ano em qualquer um dos milhares de fornecedores de TI e telecomunicações que atuam no Brasil foi a dificuldade de encontrar profissionais com a qualificação necessária para as necessidades imediatas da companhia. Afinal, com a estabilidade do real e o bom momento da economia mundial, é hora de as empresas nacionais investirem para aproveitar a alta demanda e se preparar para os anos vindouros.

Leia o especial completo sobre a premiação.

Nesse cenário, as pessoas fazem a diferença entre um bom serviço ou produto e uma oferta de baixa qualidade – e, no mundo globalizado, atender mal ao cliente, onde quer que ele esteja, é um pecado mortal. É por isso que as 40 empresas que nesta edição recebem o reconhecimento do COMPUTERWORLD e do Great Place do Work Institute podem alardear, e certamente o farão, o fato de ser uma das Melhores Empresas para Trabalhar – TI e Telecom 2007.
Realizado pelo segundo ano consecutivo em parceria pela mais tradicional publicação do mercado de TI e telecomunicações do País e a principal consultoria de clima organizacional do mundo, o prêmio é um reconhecimento às organizações que sabem que seus funcionários valem muito mais que servidores e sistema operacionais de última geração. “Costumamos comparar a Kaizen a uma construção. Cada um que trabalha aqui assenta alguns tijolos. Fazemos questão de dizer que nossos funcionários fazem parte de nossa história”, afirma o diretor da companhia, eleita a melhor empresa de TI e telecom para trabalhar no Brasil em 2007, Alexandre Picchi Neves.
Neste ano, 90 empresas participaram do processo de avaliação, que leva em conta a opinião dos funcionários, as práticas de recursos humanos adotadas e uma análise dessas iniciativas por parte dos especialistas do Great Place to Work Institute (leia quadro para mais detalhes da metodologia). Na avaliação dos funcionários, a principal novidade foi uma variação positiva da dimensão Imparcialidade, tida pelo GPTW como crítica em todos os países onde o estudo é realizado.
De acordo com os responsáveis pela pesquisa, o aumento de 2 pontos percentuais na média em relação ao resultado de 2006 mostra o interesse dos líderes das organizações em combater a politicagem e o favoritismo, garantindo assim a justiça nos processos de promoções e reconhecimentos de maneira geral. No entanto, essa ainda é a dimensão que apresenta a menor média de satisfação no estudo, com 62% de aprovação por parte dos respondentes.
Uma das apostas das companhias para propiciar o sentimento de que há “justiça” e, portanto, imparcialidade no ambiente de trabalho a criação de comitês. Alguns deles são formados por líderes e outros contam com a participação de representantes de diversas áreas – e até do presidente, em alguns casos. Na Microsoft, destaque na categoria, é assim. O programa CPE Champions Awards, destinado a reconhecer os funcionários que se destacaram pelo desempenho em casos que comprovam melhoria da satisfação de clientes e parceiros, é avaliado por um comitê composto por representantes das áreas de negócios e pelo presidente da companhia no Brasil Michel Levy. “Somos colegas de trabalho com desafios claros e apoio irrestrito de nossos superiores e da empresa como um todo para concretizá-los. Além disso, destaco que autocrítica é um dos nossos valores e que sempre buscamos entender como podemos melhorar”, declara o executivo.

Melhor que em 2006
Em uma análise geral, o nível de satisfação dos profissionais da indústria brasileira de TI e telecomunicações cresceu em 2007 em relação a 2006, quando a primeira pesquisa da categoria foi realizada: os mais de 9 mil participantes indicaram uma média de satisfação de 78,1%, contra 77,5% no ano anterior. Tanto que fazer parte de um ranking como o de Melhores Empresas para Trabalhar não é mais só um prêmio, mas uma meta para algumas das grandes companhias do setor.

++++

Para a Intelig, por exemplo, operadora de telefonia que figura pela primeira vez no ranking, esse foi o resultado de um trabalho de anos. Nesta edição, ela não só fez parte como ganhou a dimensão “Orgulho”, apesar de ser relativamente pequena em relação às concorrentes do setor de telecomunicações e de estar, oficialmente, à venda desde 2002 e, portanto, sem receber nenhum centavo de aporte dos sócios.
Uma das concorrentes da Intelig, a gigante Telefônica, que em 2006 figurou pelo segundo ano consecutivo na lista, estabeleceu como objetivo da atual gestão – comandada por Antonio Carlos Valente desde janeiro deste ano – ser “a melhor empresa para trabalhar em TI e Telecom até 2010”, conforme registrado no Informe de Responsabilidade Corporativa do grupo, divulgado no início de julho. Para se ter uma idéia de como a premiação valoriza empresas de tamanhos os mais diversos, enquanto a Intelig tem 680 funcionários, a Telefônica no Brasil emprega quase 65 mil pessoas.
Apesar dos bons resultados, ainda há muito que melhorar: o nível de satisfação das empresas analisadas na chamada lista nacional (estudo realizado pelo GPTW com corporações de todas as áreas de negócios há 11 anos) é até 12 pontos percentuais superior ao dos profisionais da indústria de TI e telecom. De acordo com a pesquisa, a principal diferença está em quesitos como distribuição de lucros, maior equilíbrio entre volume do trabalho exercido e salário e a oferta de benefícios únicos, diferenciados.

Satisfação que supera o nível salarial
Mas não imagine que essas diferenças diminuem a avaliação das empresas. Afinal, no modelo de gestão sobre o qual a Kaizen foi criada, tendo como premissa o bom ambiente de trabalho, fez com que a companhia superasse inclusive a defasagem salarial ou a lista modesta de benefícios que apresenta e continuasse em destaque na percepção dos funcionários. Eleita a Melhor Empresa de TI e Telecom para
Trabalhar em 2007, a companhia, mesmo após uma revisão dos cargos e salários, ainda apresenta remuneração 7% defasada em relação ao mercado, mas tem na transparência, no clima de companheirismo e, especialmente, no fato de nunca contradizer mensagens pregadas, seus principais atributos de retenção para os profissionais.
De acordo com Neves, diretor e fundador da companhia, o ambiente no qual o funcionário é envolvido desde o primeiro dia de trabalho se replica no cotidiano, fomentando um ambiente estimulante, com empatia, reconhecimento profissional e pessoal. “A maioria dos que estão aqui não querem sair. E muitos daqueles que saem, decidem voltar posteriormente porque não encontram lá fora muitas de nossas qualidades de gestão”, afirma.

++++

A gerente de projetos Cátia Nellin, que ingressou na Kaizen ainda estagiária, há 11 anos, é um exemplo. Embora tenha recebido diversas propostas de trabalho, optou por continuar. “Hoje, nosso desafio é formar novas lideranças, transmitir aos que chegam o espírito que existe desde que os fundadores criaram a empresa”, afirma.
Embora a atmosfera de companheirismo seja a marca da Kaizen, não existe postura passiva em relação à questão salarial. A companhia já fez os reajustes possíveis desde que a revisão foi conduzida e a perspectiva é de novos ajustes para os próximos tempos, conforme prega o significado do nome da empresa – “melhoria contínua”. “De fato as coisas ainda não estão da forma como gostaríamos. Mas os funcionários sabem que esses ajustes serão feitos na velocidade que a Kaizen andar”, acredita Neves.
Além disso, uma prática ajuda no momento de o funcionário reconhecer a Kaizen como uma grande empregadora. De todo o lucro obtido pela empresa, 20% é distribuído entre os funcionários, o que reforça o sentimento coletivo de responsabilidade com gastos e do papel de cada um deve desempenhar para atingir produtividade máxima. Outra política é a lista divulgada na intranet, que revela os salários de todos os cargos da companhia. Cada um sabe onde está e ao que pode chegar.
O exemplo da companhia sediada em Indaiatuba, no interior do Estado de São Paulo, ilustra bem os resultados da pesquisa. Na opinião de 55% dos funcionários das 40 Melhores 2007, as oportunidades de crescimento e desenvolvimento pessoal e profissional são o primeiro fator de retenção de talentos, assim como em 2006. A população que elegeu este tópico possui 84% de satisfação. O segundo fator de retenção, na opinião de 24% dos funcionários, é o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, com 78% de satisfação.

De malas prontas
Às vezes, o reconhecimento leva à “perda” de um talento para a matriz, prática mais que corriqueira em companhias de grande porte. Esse é o caso de Rogério Panigassi, engenheiro formado pela Mauá que depois de seis anos e meio atuando na Microsoft Brasil está de mudança para Seattle, onde vai assumir o cargo de gerente de marketing para o setor acadêmico da Microsoft Corporation.
A história do executivo é singular. Panigassi resolveu, há alguns anos, quando estava no departamento de marketing, apostar em movimentações laterais na companhia. Graças à promoção da profissional que seria a sua chefe, viu-se em uma área com orçamento engessado, em um vácuo de hierarquia e com um evento mundial para participar. A pauta era discutir a viabilidade da criação de uma competição de desenvolvimento de software para estudantes. “Durante a apresentação, o executivo da corporação perguntava: ‘Qual é o melhor lugar para fazer a competição’? Ninguém respondia. Tomei coragem, me levantei e sugeri o Brasil”, conta. Ele listou as vantagens do câmbio – cada dólar valia três reais na época –, das atrações naturais e da cultura receptiva do brasileiro. Deu certo.
Dessa reunião nasceu a Imagine Cup, evento que, na sua primeira edição, gerou 1,5 milhão de dólares em investimentos no País e contou com a participação de equipes de 43 nações. “Eu precisava dos recursos e o evento traria o dinheiro. Além disso, foi fundamental para gerar maior interesse dos estudantes com a tecnologia”, relembra. Na sua última edição na Coréia do Sul, a Imagine Cup registrou 110 mil inscritos, sendo 36 mil deles do Brasil. Das quinze equipes finalistas, aliás, três são brasileiras. “Fatores como a liberdade de expressão, os recursos, a inteligência e o nível das pessoas que eu encontrei por aqui são únicos. Agora, vou vivenciar isso na sede”, afirma o executivo, prova viva da excelência do profissional de TI brasileiro.

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail