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Como medir a responsabilidade social?

Programa de BSC é útil também para mensurar ações politicamente corretas

Cláudia Zucare Boscoli

27/06/2007 às 12h02

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Com base no conceito de balanced scorecard (BSC), a Infoquality investiu num software capaz de emitir – a diretores, clientes, acionistas e a toda a sociedade – indicadores do desempenho politicamente correto das empresas. Mais uma prova de que a onda verde e responsável veio, sim, para ficar.
Desenvolvido sob supervisão da BDO Trevisan, especializada em auditorias sócio-ambientais, e comercializado pela Itautec, o programa Syscore usa o modelo BSC num banco de dados capaz de cruzar informações e fornecer um relatório consolidado a respeito, por exemplo, do número de trabalhadores negros na companhia, do número de mulheres, mulheres negras, portadores de necessidades especiais, freqüência dos funcionários a cursos de treinamento profissional ou a programas culturais e de saúde, nível de adequação a leis ambientais etc.
Marcelo Melgaço, diretor comercial da Infoquality, diz que a principal vantagem do Syscore é incluir a imagem responsável da marca como um dos objetivos do negócio. "Para delimitar metas em qualquer BSC, nos perguntamos como devemos ser vistos pelos acionistas, pelos clientes, quais processos podemos utilizar para tanto e como transformar o aprendizado fornecido a partir dos resultados em novas estratégias. No Syscore, a sociedade fica no topo das pirâmide", diz.

Painel de bordo
A ferramenta, alimentada pelos funcionários autorizados, traz campos bastante flexíveis a serem preenchidos com as prioridades da corporação, o que cabe a cada setor ou pessoa, e a descrição das ações planejadas. Também vem com gráficos comparativos por período, filial ou ação e com um "painel de bordo", interface com ponteiro que percorre 180º e demonstra, como num controle de velocidade, quais ações são satisfatórias (sinalizadas pela cor verde), quais ainda precisam ser melhoradas (amarelo) e quais as críticas (vermelho). Pelo botão de análise crítica, é possível que o gerente ou coordenador responsável inclua no programa sua avaliação, com possíveis interpretações do não-alinhamento à proposta e das novas medidas que deverão ser implementadas. "Pode-se ter, por exemplo, um item crítico que, na verdade, só se encontra assim por conta da ação isolada de uma determinada filial. Ao verificar isto, o responsável pode adotar uma ação pontual, de resposta rápida", exemplifica.
Ainda novidade no Brasil, a ferramenta já vem sendo usada na Universidade de Sheffield, na Inglaterra. Lá, o professor Max Moulin, que coordena uma campanha de combate ao tabagismo, usa o software para mapear os resultados alcançados e saber a direção a seguir. "O benefício de desenvolver o estudo com o auxílio do Syscore é, nas palavras do próprio professor, que a ferramenta força o pesquisador a sempre trabalhar com metas e indicadores, relacionando-os", conta. Para ele, todo projeto de avaliação socialmente responsável que vise o sucesso deve obedecer, obrigatoriamente, à seguinte ordem: planejamento, padronização, acompanhamento e verificação. "Ninguém traça uma estratégia dizendo apenas 'quero reduzir custos'. Você tem de dizer quanto quer reduzir para poder chegar ao como reduzir. Com as metas traçadas, é hora de definir as ações, as iniciativas que serão tomadas. Por fim, deve-se mensurar os resultados, com análise crítica de onde se conseguiu chegar e do quanto ainda falta e as razões para isso", explica.

Sustentabilidade
Estudo recente da BDO Trevisan, finalizado em março de 2007 e que reuniu 700 empresas brasileiras de todos os portes e setores, revela que 90% delas consideram a responsabilidade social intrinsecamente ligada à estratégia e à continuidade do negócio, 88% dizem já ter alguma ação de sustentabilidade e o mesmo porcentual diz que a alta administração da empresa está totalmente voltada ao tema. Já em relação à viabilidade das iniciativas, o número é surpreendente e animador: 73% têm verba específica para ações de responsabilidade.

 

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