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Bancos não são inovadores, diz Gustavo Roxo

Debate sobre inovação colaborativa no Ciab apontou as principais barreiras para a prática e tentou desenhar caminhos para incentivá-la

Thais Aline Cerioni

15/06/2007 às 12h12

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"A indústria financeira brasileira não é inovadora, mas sim rica", alfineta Gustavo Roxo, CIO do ABN Amro Real, durante o painel INovação Competitiva, realizado na manhã desta sexta-feira, no Ciab 2007. Na visão do executivo, os bancos têm capital para comprar muita tecnologia de ponta e, por isso, são avançados tecnologiacamente. "Mas isto não significa ser inovador. Muito pelo contrário, acho que trata-se de uma indústria bastante conservadora", avalia.
Durante todo o painel, Edson Fregni, consultor da Forrester Research e mediador da mesa, tentou provocar os participantes em busca de um caminho para a inovação graças ao trabalho conjunto das instituições financeiras. No entanto, apesar de exemplos de oportunidades de colaboração, o que se sentiu foi uma certa reticência dos participantes em relação a projetos concretos.
Roxo, do ABN, apontou como uma das barreiras para este tipo de iniciativa a recusa dos grandes bancos em se unir aos concorrentes. "Cada vez que tentamos colaborar, algum dos grandes bancos discorda por acreditar que tem mais vantagem trabalhando sozinho", afirma. Para ele,uma forma de impulsionar a colaboração seria permitir-se o trabalho conjunto de um grupo, mesmo que não formado por todas as instituições. "Quem quiser, colabora. Quem não quiser, fica de fora", propõe.
Dorival Dourado, CIO do Serasa, aponta benefícios financeiros - como a melhora da eficiência, a redução de custos e o aumento de resultados - como os principais fatores a impulsionar a colaboração. Enquanto Antonio Carlos Barbosa de Oliveira, do Itaú BBA, lembra que a colaboração pode acontecer no desenvolvimento de plataformas básicas, mas que, em questões que consistam em vantagem competitiva, jamais haverá cooperação. "Um exemplo, para mim, é o desenvolvimento de produtos. Nessa área, não vai haver colaboração porque quem sair na frente terá vantagem", prevê. Roxo discorda. "Acho que um banco continua a ser eficiente mesmo quando é conservador e apenas copia o outro. Não vejo os inovadores ganharem muito valor em relação aos que os seguem", provoca o CIO.

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