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SOA: qual o papel do CIO?

Na adoção do conceito, o líder de TI precisa desdobrar-se nas funções de diplomata, psicólogo, professor e estrategista

Cláudia Zucare Boscoli

14/06/2007 às 19h38

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Apontada pelos especialistas como a grande força revolucionária e transformadora das empresas nas próximas décadas, a arquitetura orientada a serviços foi tema de debate promovido pelo IDC nesta quinta-feira (14/6), em São Paulo. Mediadora da discussão, Silvia Bassi, presidente e publisher da IDG Brasil (que publica CIO), deu o tom da discussão: afinal, qual será o papel do CIO na implementação do conceito de redesenho dos sistemas? Diplomata, psicólogo, estrategista ou professor? Confira abaixo, a opinião dos participantes do bate-papo e a visão de cada um sobre os caminhos possíveis para vencer as barreiras culturais dentro da corporação.

A diplomata
Regina Pistelli, CIO da Medial Saúde
“Em quinze dias de empresa, consegui a contratação de um especialista em arquitetura de sistemas e de um consultor em governança corporativa. Para mim, uma coisa não existe sem a outra. Governança é o que vem antes de SOA, é fundamental para ter padrões, para englobar todo o negócio no projeto. Já tivemos um caso de insucesso com SOA porque levamos uma proposta que a diretoria encarou como uma aquisição de uma nova ferramenta. Arquitetura orientada a serviços não é ferramenta, é uma jornada em busca de eficiência. Eles não conseguiram enxergar além e por isso vetaram. Os CEOs reclamam que TI demora a responder às mudanças do mercado. Eu concordo. A gente demora sim, mas porque está tudo confuso, milhares de códigos, plataformas diferentes, sistemas não-integrados. E é justamente aí que acredito que a gente deve atuar, mostrando que, se é assim que eles nos vêem, então que proporcionem um modelo capaz de permitir respostas mais rápidas. SOA é isso, é facilitar TI, tornar tudo mais simples. Acredito que este é o caminho para negociar a adoção de SOA. Mas é um aprendizado constante. Temos que ser pacientes para explicar uma, duas, quantas vezes forem necessárias.”

O psicólogo
Paulo Duzzo, CIO da Visanet
“Nosso projeto foi traçado para acontecer em cinco anos e focamos na flexibilidade que SOA permitiria e no ganho de controle de risco. Quebramos resistências ao mostrar que não teríamos de jogar tudo fora e partir do zero, mas poderíamos modificar, acrescentar, reutilizar o que já existia. Continua sendo uma batalha diária, um movimento de ruptura que provoca um repensar em toda a empresa. É um projeto de catequização. Gastamos oito meses só em treinamento e capacitação. Ter mostrado que diminuímos riscos foi fundamental também. Agora, temos módulos seguros, podemos juntar peças sem medo, agregar componentes novos. E ainda temos possibilidade de chamar parceiros para executar os diferentes serviços, não precisamos mais ser Zorro, cavaleiro solitário.”   

O estrategista
Sérgio da Silva, CIO da BM&F
“O CEO tem que parar de olhar para o CIO e pensar ‘lá vem aquele cara querendo comprar ferramentas caras, querendo me convencer de que vai resolver a minha vida e nada’. Temos de mostrar que realmente podemos, sim, resolver as coisas. Conseguimos agilizar processos e fazer uma melhor integração com bancos, corretoras e acionistas. O segredo foi deixar a corporação ver resultados práticos ao longo do processo de adoção de SOA. Uma vez constatadas as vantagens, é caminho sem volta, vamos ter para sempre.”

O professor
Adalton Ozaki, professor da Fiap (Faculdade de Informática e Administração Paulista)
“Fala-se muito que o CIO tem de entender de negócio. Será que não podemos tirar um pouco deste peso dos nossos ombros? Por que a diretoria também não é cobrada a entender a relevância de TI? É triste, mas, talvez, tenhamos de esperar uma nova geração de empresários se formar para termos o devido espaço, porque só hoje essa visão de parceria vem sendo trabalhada nas universidades. É a velha história do ‘IT doesn’t matter’. Na verdade, TI importa sim, porque traz vantagem competitiva. E a indústria pode ajudar o CIO na empreitada. Se voltarmos um pouco no tempo, ao lançamento de ERP, o que tínhamos? Anúncios das maiores consultorias em página inteira de revistas de negócio. E daí? Daí que o produto estava sendo apresentado, vendido, diretamente à diretoria. E foi um sucesso, todo mundo aderiu, comprou produtos. Não dá para esperar que tudo parta do CIO e que ele vença sempre a luta. A indústria precisa focar no CEO.”

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