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Segredos do discurso

Falar em público é uma arte. Observe grandes oradores e aprenda como variar seu estilo de discurso conforme a sua audiência

John Baldoni*

24/04/2007 às 11h06

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“Deixo as pessoas verem como eu penso.” É assim que o senador norte-americano Barack Obama descreve seu estilo de discurso. Enquanto viaja pelo país para se apresentar aos eleitores e criar as bases de sua campanha presidencial, Obama adota uma postura retórica diferente das dos demais candidatos.
A maior parte dos candidatos à presidência usa o discurso para deixar claro seu ponto de vista e conquistar confiança. Quando são bons, usam os discursos como fontes de inspiração. A tática de Obama é mais fundamentada e cheia de propósito. Como ele disse a Adam Nagourney, do The New York Times, ele usa um estilo diferente para falar de acordo com sua platéia.
O que os estilos de discurso político têm a ver com sua vida de executivo? Tudo! Os que não estão querendo conquistar um cargo público podem aprender muito com o estilo de discursar de Obama – na realidade, com qualquer político. A grande lição é saber variar seu estilo de acordo com a sua audiência. Líderes habilidosos sabem como variar suas mensagens conforme o público. Por exemplo, se você está falando com colegas de trabalho você pode ser mais explícito sobre a situação da empresa que se você estiver em uma coletiva de imprensa. Os relações públicas ensinam seus executivos a desenvolver diferentes mensagens para grupos variados. Mas, freqüentemente, não dedicam tempo suficiente para explicar como mudar o estilo de discurso, que pode ser formal ou informal, declamatório ou reflexivo. Variar o estilo é crítico. Porque muitas vezes o público não se lembra exatamente das palavras usadas, mas lembra da expressão do interlocutor e, principalmente, se ele parecia sincero.
Figuras públicas podem servir de modelo quando você for escolher o seu estilo de discurso. A mera menção de seus nomes já traz imagens instantâneas de quem eles são e como eles soam. Abaixo, alguns exemplos.

Pense em Ronald Reagan quando quiser inspirar. Poucos conseguem levantar a audiência como Reagan. Lembre-se do discurso que ele fez na época do desastre com o Challenger, quando agradeceu a bravura dos astronautas e, ao mesmo tempo, deixou claro que as viagens espaciais continuariam porque eram importantes para os Estados Unidos. Um Reagan mais austero falou à União Sovietica, em Berlim. “Sr. Gorbachev, derrube este muro”. Ele estava refletindo as esperanças e sonhos de milhares de pessoas.

Pense em Bill Clinton quando quiser vencer alguém. Bill Clinton é mestre em conectar. Ele não reflete o que o público quer ouvir, ele inala e processa os desejos da platéia e fala de forma que os que escutam o vejam como alguém ao seu lado. Ao mesmo tempo, ele é um “policy wonk” e poderia revelar detalhes minuciosos de sua política de governo. Mas, ao falar com a nação, ele era simples e humilde.

Pense em Matin Luther King quando quiser chamar para a ação. Habilidoso, Martin Luther King aprendeu seu estilo de discurso em dois locais: na sala de aula – ele estudou retórica – e no púlpito – ele foi pastor. Seus sermões e discursos eram fundamentados em passagens bíblicas, assim como em teologia contemporânea e pensamentos políticos. Ele não apenas falava bem, mas sabia como tocar a alma dos que o ouviam – e os levar à ação. Ele não foi o motor do movimento pelos direitos civis, mas foi sua voz e sua consciência.

Pense em Vince Lombardi quando quiser desafiar. Treinadores precisam colocar-se na pele de seus jogadores. Eles precisam agir de forma que incomode o atleta até fazê-lo dar o máximo de si. Você só pode fazer isso se realmente conhece e entende os seus jogadores. Vince Lombardi era um grande estudioso da condição humana e conhecia seus jogadores muito bem. E quando ele os chamava para jogar sério, ele fazia isto no contexto de quem os conhecia como jogadores e como homens.

Pense em Abraham Lincoln quando quiser ser real. Mesmo sem ter nenhuma gravação de Lincoln, sabemos que ele era um exímio orador. Uma das razões é que suas palavras refletiam sua humanidade. Não importa se ele estava contando uma história engraçada ou enviando o país para a guerra, Lincoln usava mensagens que refletiam o q pensava.

Tenho de ser eu
Nós podemos aprender com o estilo de discursar de cada uma dessas figuras. Você pode escolher e combinar partes de cada um deles mas, no fim das contas, a pessoa que estará falando não é Reagan ou King, é você. Então, a lição final é que você deve falar como você mesmo. Seu estilo vem de quem você é, de sua personalidade, sua autenticidade. Você, genuinamente! Você falará bem quando se conhecer bem e, ao mesmo tempo, entender muito bem seu papel em sua organização. Falar em nome da companhia, seja como CEO ou em outra função, é representar uma entidade. O que você diz reflete suas idéias, mas também deve passar a visão e os valores de sua companhia. Você é a empresa quando está falando – com sua equipe, com seus clientes ou com seus acionistas.
Ao aproveitar os estilos de outros oradores, você pode ter ideias de como você gostaria de formatar e passar a sua mensagens. Mas, na verdade, as pessoas querem apenas ouvir você. A primeira vez que você falar em público, ainda não saberá qual é seu estilo. Certamente terá uma boa mensagem a transmitir, mas o tempo e as palavras, a forma como dirá, depende de prática e de experiência. Quanto mais você discursar, melhor sera seu discurso. Um coach pode te ajudar a se desenvolver, mas, no fim, quem está no palco é uma extensão do seu “eu público”. Ou seja, não há problema em seu quieto e reflexive em sua privacidade, mas quando está à frente de uma equipe, você precisa deixar de ser low profile.

John Baldoni é consultor de comunicação e liderança. Ele é palestrante frequente e autor de seis livros sobre liderança. Leia mais em www.johnbaldoni.com.

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