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Histórias de horror em TI: (des)casos do governo

Por mais que os governos mundiais divulguem o discurso de que tecnologia da informação tem crescido como prioridade nas políticas públicas, a verdade é que não são poucos os casos em que o empenho deixa a desejar. Veja alguns desses episódios.

03/04/2007 às 1h27

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Por mais que os governos mundiais divulguem o discurso de que tecnologia da informação tem crescido como prioridade nas políticas públicas, a verdade é que não são poucos os casos em que o empenho ou o planejamento em certos projetos deixam a desejar. Isso sem falar nos casos de superfaturamento ou mesmo desmandos em incidentes importantes.
Nesta quarta matéria da série “Histórias de horror em TI”, acompanhe a lista de cinco episódios de falhas em projetos ou gestões governamentais.

O escritório que se perdeu no tempo
Imagine voltar no tempo no trabalho e ter que fazer seu trabalho apenas com ferramentas tecnológicas do século 20. Pode ser engraçado desde que o trabalho em questão não seja o seu, certo? O Departamento do Interior dos Estados Unidos foi reprovado em um teste de segurança feito por um painel da Câmara e foi obrigado a desligar sua conexão de internet e e-mail até que questões de segurança fossem resolvidas. Os usuários foram desconectados por mais de dois meses e os funcionários simplesmente pararam no tempo. Não era um dos ambientes mais agradáveis para se trabalhar. Tem alguma dúvida?

"Na realidade todo mundo está mal. Se você fosse dar uma nota para toda a América corporativa, veria também várias notas 'F' - equivalente a notas em torno de 4 pontos" - Bruce Schneier, guru de segurança.

Como explicar o inexplicável
O Departamento dos Antigos Combatentes (Department of Veterans Affairs) norte-americano registrou o roubo de um laptop três dias depois dele ter, de fato, desaparecido de dentro da casa de um funcionário do órgão. Detalhe: com um disco rígido lotado de dados pessoais de nada menos do que 26,5 milhões de outros veteranos. O departamento alegou posteriormente que recuperou o laptop com os dados intactos. Três homens foram presos, mas foi o deles o único comportamento criminoso? A seqüência de eventos mostrou episódios no mínimo estranhos: vários executivos renunciando aos cargos, além de um pipocar de processos e legislações mais reforçadas. No entanto, ainda existem questões pendentes de investigação.

"Essa situação pode ser um caso interessante de estudo de falta de políticas, liderança falha e arrogância organizacional” – Bob Filner, deputado republicano.

Por trás do detetive
Ele pode estar aqui para proteger as pessoas, mas quem está protegendo o FBI? Bem, 170 milhões de dólares de um sistema de impressão digital superfaturado. Mais 103 milhões de dólares também superfaturados de um sistema de rastreamento de dados para a polícia local e outros 170 milhões de dólares gastos completamente em um sistema de de Arquivo Virtual de Casos que nunca foi entregue. Detalhe essa seria a primeira arma contra o terrorismo.

"Esse programa tem sido um trem em marcha lenta em um custo de cerca de 170 milhões de dólares para os contribuintes norte-americanos e custo desconhecido para a segurança pública." Senador Patrick Leahy.

Um código quase na terceira idade
Pode parecer piada, mas não é: os registros dos impostos dos contribuintes norte-americanos estão armazenados em um sistema com código datado de 1962. Quatro CIOs em sete anos tentaram desfazer o destino do Serviço Interno de Receitas (IRS, na sigla em inglês), cada um sofrendo, porém, a mesma sentença...

"Havia um medo imenso em entregar más notícias sobre o fornecedor. Eles tinham medo de perder seus empregos e temiam também que o Congresso interrompesse o fundo" - John Reece, CIO do IRS.

Sem saída (literalmente)
Pegos em uma armadilha em seu próprio país, os cidadãos britânicos foram mantidos em cativeiro por causa de uma "modernização governamental em TI" que acabou despedaçando um processo até então relativamente tranqüilo. Basicamente, alongou o tempo de solicitação de dados para passaporte mais do que a duração de uma partida de futebol americano.

"É tremendamente difícil conseguir qualquer informação útil dessas pessoas. Existe uma mentalidade real de controle de doidos. Coisas vazam, mas é uma cultura tremendamente secreta" - Marcus Pollet, analista governamental e escritor.

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