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Histórias de horror em TI: tudo mais que pode dar errado

Depois de relatar desastres em projetos de ERP, na esfera governamental e tragédias naturais, a série de reportagens de histórias de horror encerra-se com uma lista de problemas variados que podem afetar a TI

03/04/2007 às 1h41

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Depois de relatar desastres em projetos de ERP, casos de fracassos na esfera governamental e tragédias naturais que nem a TI pode ajudar,  a série de reportagens de histórias de horror traz problemas variados em diversas áreas. Confira os últimos cinco desastres que podem servir como lições futuras.

Reclamações em massa
Era para ser um projeto de 25 milhões de dólares bem investidos em tecnologia e conduzido pelo Escritório de Serviços Médicos da localidade de Maine (EUA). No entanto, ao contrário, a verba polpuda resultou apenas em uma enxurrada de reclamações. O sistema não contabilizou milhares de solicitações de consultas de pacientes e deixou de registrar também várias cobranças de consultas. Dessa forma, centenas de médicos e dentistas chegaram à beira da falência, ao passo que pacientes foram deixados de fora dos consultórios. Na verdade, o sistema que era para ser um exemplo de modernidade de saúde fez com que Maine fosse o único Estado a não conseguir cumprir as regras da HIPAA, regra de governança no setor de saúde.

"Ficou claro que estávamos deficientes em algum tipo de gerenciamento nesse projeto" - Dick Thompson, então líder de compras do Estado de Maine.

Infestações sorrateiras: razões para ter medo
Uma nova infecção aparece. Alastra-se como gripe em uma pré-escola e depois evapora rapidamente. Pânico, certo? Estranhamente, a praga Witty atingiu computadores dessa forma, mas provou quase ranger de dentes de temor do que poderia estar por vir. Os números e métodos não foram tão aterrorizantes. O Witty atacou apenas 12 mil computadores e usou uma vulnerabilidade comum para invadir. Mas o diabo realmente está nos detalhes: o Witty foi 100% eficaz e derrubou quase toda máquina vulnerável na internet dentro de 45 minutos, além de ter infectado 110 servidores nos 10 primeiros segundos. O Witty não deu socos tão doloridos no primeiro ataque, mas seqüelas da ameaça mostraram que ainda devemos permanecer em alerta.

"Ele não ganhou tanta proporção como deveria. As pessoas precisam estar preocupadas" - Colleen Shannon, pesquisadora da Associação Cooperativa para Análise de Dados de Internet.

Tela azul da morte e o alvo Bill Gates
Três regras devem ser levadas para a vida toda:
1) A febre da criança irá desaparecer assim que você chegar ao médico.
2) O carro não fará aquele barulho engraçado quando for ao mecânico.
3) O software sempre falhará no meio de uma demonstração.
O líder da Microsoft, Bill Gates, se tornou a vítima mais famosa dessa última constatação. Durante uma exibição na Comdex de 1998 ele tentava demonstrar a versão ainda não oficial do Windows 98 quando apareceu a fatídica "Tela Azul da Morte", após um co-palestrante ter plugado um escaner para demonstrar as funcionalidades plug-and-play (vulgo conecte e reze, plug-and-pray, em inglês). Gates pareceu levar a situação com bom humor, mas nenhuma palavra sequer foi pronunciada sobre o incidente posteriormente. De fato, os números mostram que não havia preocupação posterior: o Windows 98 vendeu 25 milhões de cópias no mundo em apenas seis meses do lançamento.

"Deve ser por isso que não estamos distribuindo o Windows 98 ainda" - CEO, Bill Gates, instantes depois do episódio.

Brigas que parecem não terminar jamais
Esse drama é um alerta para qualquer companhia que esteja mirando uma implantação grande e complexa de software utilizando o apoio de consultores. O pesadelo de 10 anos do Oklahoma City Water Trust  com seus consultores mostra como é fácil para esses projetos terem um resultado terrível e quão doce pode ser a revanche judicial.

"Qual é aquela piada sobre o vendedor de computadores e o vendedor de carros? Ah, pelo menos o vendedor de carros sabe quando está mentindo” - Ernie Aschermann, vendedor de software.

O apocalipse nunca
Combine tendências excessivas com preparação inadequada e você terá a receita para.... uma bolha de horror. A tese do Bug do Milênio dizia que milhões de sistemas de computadores perderiam a sanidade em 1 de janeiro de 2000. Basicamente, levou-se a pensar que incidente conduziria o mundo a um colapso imenso, no qual nem Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis e Sigourney Weaver poderiam nos salvar.

Graças a muito café, hora extra e alguns desembolsos motivados pelo medo, profissionais de TI ao redor do mundo conseguiram dar um patch correto para cada sistema crítico antes do prazo. Claro, houve alguns problemas esporádicos, mas estivemos longe da fase de se trancar no porão.

"Você vai em breve respirar aliviado. (...) O problema do Bug do Milênio vai parecer depois de alguns anos como a atualização de um grande sistema operacional, como a do IBM 360 para o 370 anos atrás" - John Gantz, então diretor de pesquisa da IDC.

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